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Manaus
Chance escolar

Em meio à 'fórmula matemática da vida', alunos enfrentam desafios pelo Enem

Alunos de escolas públicas se dedicam em tempo integral aos estudos, em busca da tão sonhada vaga no ensino superior por meio do Enem que, para muitos, é a única garantia de acesso ao ensino superior em tempos de crise 07/05/2016 às 18:53 - Atualizado em 08/05/2016 às 15:31
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Junto aos colegas de Colégio da PM, Zara sonha com a aprovação no Enem / Foto: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Ser aprovado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a chance da vida de milhões de adolescentes Brasil afora por uma fórmula matemática muito simples: a de que nem todos os alunos do ensino médio conseguem cursar a sonhada faculdade dos sonhos, seja no âmbito público ou no particular. A persistência pela aprovação move jovens como Zara de Lis, 16 anos, que vê no Enem a porta de entrada para o nível de ensino superior.

“O Enem é uma das oportunidades que eu tenho de entrar para uma faculdade. Só através dele que eu posso conseguir uma bolsa integral ou parcial para medicina. Como não tenho condições de ingressar pagando a mensalidade na única universidade particular que oferece esse tipo de ensino em Manaus, o Enem é o meio para eu ingressar na faculdade que  pretendo seguir ou, pelo menos na área de saúde”, relata Zara, que mora no bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste da cidade, com os pais, o irmão de 8 anos e o avô.

Referência

A adolescente é aluna do Colégio da Polícia Militar Áurea Pinheiro Braga - situado no bairro Grande Vitória, também na Zona Leste, e considerado referência no ensino local - e reconhece que estudar nessa escola pode fazer a diferença a favor dela.

“Vejo que o Colégio da Polícia Militar tem essa proposta de estimular o estudante, por exemplo, apostando no ensino das apostilas e focado no terceiro ano, que em todas as escolas é considerada uma turma de excelência. Ano passado o colégio teve um grande índice de aprovação junto à UEA e à Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e este ano eu vejo que muitos alunos estão empenhados para entrar na faculdade”, disse a jovem candidata.

Atalhos para os sonhos

Se não existisse o Enem, Zara de Lis diz que não optaria, hoje, pela medicina, preferindo traçar um planejamento passando pela enfermagem, outro ramo da área da saúde, como “atalho” para seu curso preferido.

Sem recursos para fazer um curso preparatório, a jovem aposta as fichas no bom e velho estudo tradicional, mas aliado à Internet. Tudo paralelo ao serviço de menor aprendiz em uma empresa do Polo Industrial de Manaus, função que ela exerce à tarde, após as aulas no Colégio da PM. À noite, mais dedicação aos estudos. “Estou muito ansiosa. Tento me preparar ao máximo, apesar de não fazer cursinho. Uso os meios que eu tenho, como os livros e videoaulas, principalmente”, declara ela.

Presente de dia das mães

Os pais de Zara de Liz, a industriária Eliamara Ferreira da Costa e o servidor municipal Raimundo Gomes Filho, também vivem a ansiedade pela aprovação da filha no Enem. Juntando todos os proventos, a família tem uma renda média mensal de R$ 2 mil.

No caso de Eliamara Costa, uma aprovação da filha representaria um presente de Dia das Mães atrasado, é verdade, uma vez que o resultado deve levar meses para ser divulgado, mas muito importante para ela e para toda a família. “Representaria um presente muito importante para mim, ainda mais levando em conta a concorrência que é para ser aprovada num curso como o de medicina. Ela sempre fala que quer dar esse presente para mim”, declarou a industriaria.

Pais dão estímulo em meio à correria

Os pais de Zara de Lis  sabem que a responsabilidade da garota é grande, mas não querem transferir, para ela, uma carga emocional maior do que a adolescente já carrega. O pensamento positivo é uma das marcas registradas da mãe, que aconselha como pode a filha para não desistir dos sonhos.

“A oportunidade dela é agora, pois o estudo ainda está ‘fresco’ na cabeça dela. Nós, que somos ‘mais velhos’, já esquecemos de muita coisa”, garante Eliamara.

A mãe salienta a correria diária da filha, tanto “pelo Colégio da PM, que é bem puxado” quanto pelo horário que Zara acorda - 4h30 -, “estudando na madrugada até 5h30 até ir para a escola”.

 ‘O Enem abre as portas’, diz estudante

Os amigos  de Zara de Lis também convivem com a expectativa para o Enem.  Colegas dela do Colégio da PM, como a estudante Carla Ritou, de 17 anos, também estão se dedicando ao máximo em busca da aprovação.   “O Exame Nacional do Ensino Médio abre muitas portas para nós. Como eu sou uma cidadã brasileira, tenho direito a usufruir de uma faculdade”, declara ela, que pretende fazer direito. Com Juliana Alves, 16, que mora no bairro Jorge Teixeira, o esforço chega a ser sobrehumano. Na casa dela apenas  o pai trabalha: ela conta que, por conta dos estudos diários, chega a dormir muito pouco. “Estou me doando 100% para os meus estudos. Minha média é dormir apenas 3 horas por dia”, diz ela. “Quero vencer na vida”, completa a jovem, que sonha em seguir a carreira militar, mas antes vai tentar a faculdade de direito.

Zara de Lis, estudante do Colégio da PM

Demonstrando esclarecimento, a garota comentou que sonha em fazer medicina não apenas pela remuneração acima da média de algumas profissões, mas pela carência de médicos existente no Brasil.

“O Brasil sempre teve essa necessidade de médicos, sempre. Prova disso é que  estamos até mesmo importando médicos de Cuba”, analisa a promissora adolescente da Colônia Antônio Aleixo, de sorriso tímido, mas garra essencial para vencer no concorrido vestibular da vida de estudante no País.

Frase

“Como não tenho condições de fazer medicina pagando, o Enem é o meio que tenho para  ingressar na faculdade”, diz Zara de Lis, 16, estudante.