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Manaus
FORA DO PADRÃO

Empresários desrespeitam a lei e mudam fachadas de prédios históricos no Centro

Imóveis de ruas do Centro de Manaus não seguem as determinações da legislação do patrimônio e ainda colocam em risco a vida dos pedestres 17/08/2017 às 21:30 - Atualizado em 17/08/2017 às 22:56
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Quando não alteram fachadas, empresários colocam seus produtos nas calçadas (Foto: Márcio Silva)
Danilo Alves Manaus (AM)

Não é preciso andar muito pelo Centro de Manaus para encontrar prédios com fachadas belas e que lembram o período áureo da borracha. O problema é que alguns desses imóveis históricos, além de não seguir as determinações da legislação do patrimônio e normas do projeto Viva Centro, da prefeitura, ainda colocam em risco a vida dos pedestres que circulam no entorno deles.

Na rua Rocha dos Santos, por exemplo, uma loja que comercializa redes ficou  com parte da estrutura comprometida depois que metade da fachada de ferro foi retirada. O vendedor João Mendes, 49, disse que, o proprietário do prédio retirou a estrutura para reformar outra loja, que fica ao lado. “Eles retiraram o toldo e, em seguida, serraram o painel de ferro. Só ficou uma parte para identificar a loja de redes. O dono retirou para não atrapalhar a estética da nova loja vizinha”, explicou.

Perto dali, na rua Miranda Leão, uma loja de confecções também foi flagrada fora dos padrões determinados pela Prefeitura.  O projeto de reordenamento do Centro exige que lojistas devem manter os produtos para venda, dentro dos limites dos comércios. Em frente ao estabelecimento, foram encontrados vários manequins e peças de roupa espalhadas pela calçada. Para a dona de casa Gisandra Coelho Paes, 26, isso atrapalha a todos que passam por ali.

“Há alguns meses eles mantinham uma cesta cheia de sapatos em promoção quase no meio da rua. Era muita confusão. Depois do ‘tal’ reordenamento, cessou um pouco, mesmo assim, a gente precisa andar ‘apertadinho’, quando passamos em frente a essas lojas”, criticou Gisandra, que ainda denunciou a prática de vendas no meio da rua, durante o fim de semana.

“É só você chegar aqui, no sábado, a partir de nove da manhã. Muitas pessoas vendendo nos moldes da Henrique Martins (bate-palma). Eu acredito que a fiscalização do poder público precisa ser maior”.

Limpeza

A sujeira também é outro problema apontado pelos clientes e pedestres que circulam pelas ruas do Centro Histórico de Manaus. Em um estabelecimento que comercializa variedades, localizado na rua dos Andradas, além do mostruário no meio da calçada, o lixo acumulado espanta os clientes, conforme relata a vendedora ambulante Rosalina Souza, 51. Ela explicou que os lojistas pagam um serviço terceirizado para retirar o lixo da calçada, mas o serviço é irregular.

“Eu sei que é de responsabilidade da prefeitura manter as ruas limpas, mas todos os comerciantes tem o dever de cuidar do seu próprio espaço na calçada. Como vamos ter um centro ‘modelo’ se ninguém coopera?”, questiona.

Implurb

O Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) foi questionado sobre as denúncias de fachadas irregulares em imóveis no Centro Histórico de Manaus, no entanto, até o fechamento desta edição, não respondeu sobre as ações que eventualmente toma.