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Empresários são avisados com antecedência sobre investigação de exploração sexual infantil

Apesar da investigação correr em "segredo de justiça", empresários do Amazonas foram informados da existência de inquérito produzido pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente 26/11/2012 às 20:01
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Empresário Waldery Areosa
André Alves Manaus

Ações judiciais movidas na Justiça por ricos empresários do Amazonas mostram que eles obtiveram, com antecedência, informações privilegiadas sobre investigação que corre em segredo de justiça na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente. O 'vazamento' das informações possibilitou até a concessão de liminar que obriga a delegacia a repassar as informações sigilosas a um dos empresários.

Na última sexta-feira (23), a Polícia Civil do Amazonas, com o apoio da Polícia Federal, deflarou a "Operação Estocolmo", que investiga empresários suspeitos de explorar sexualmente crianças e adolescentes no Estado. Dois dias antes, o milionário investidor amazonense, Waldery Areosa Ferreira, ex-dono de uma universidade particular de Manaus, conseguiu decisão da Justiça para ter acesso a informações levantadas pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente. A decisão é do juiz Julião Sobral.

A polícia não divulgou os nomes dos investigados e não admitiu que o pedido de Waldery Areosa tivesse relação com a "Operação Estocolmo". Mas, a titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente, delegada Linda Gláucia, confirmou ao acritica.com, nesta segunda-feira (26), que vai entregar ao empresário cópias dos documentos solicitados por ele e determinados pela Justiça, admitindo, assim, que Areosa é investigado pela delegacia.

Na ação movida contra Linda Gláucia dias antes da operação, o empresário Waldery Areosa afirma ter recebido informações, "através de rumores", da abertura de uma investigação contra ele. No pedido, sua defesa afirma que ele ainda teve acesso à informação de que a delegada Linda Gláucia "está requerendo de forma açodada e arbitrária a prisão preventiva do paciente, em flagrante violação às garantias constitucionais da presunção da inocência e não culpabilidade, o que provocará constrangimento ilegal e graves prejuízo sem seu patrimônio moral".

Valendo-se do mesmo benefício concedido ao pai pelo juiz Julião Sobral, o empresário Waldery Areosa Júnior também entrou com ação na Justiça para ter acesso à investigação que tramita na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente. O habeas corpus com pedido de liminar foi movido na quinta-feira (22), um dia antes da deflagração da "Operação Estocolmo". Neste caso, ainda não houve decisão judicial.

(Waldery Areosa Júnior também pediu à Justiça para ter acesso às informações sigilosas)

Já o cônsul honorário da Holanda no Amazonas, Vitório Nyenhuis, que pode estar entre os investigados na "Operação Estocolmo" (a polícia não confirma, ele nega) também fez à Justiça pedido semelhante ao de Waldery Areosa pai e Waldery Areosa Júnior. O pedido dele  foi negado.

Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, Vitório Nyenhuis disse que "existia rumores" de que seu nome "estava sendo mencionado numa possível operação". O cônsul não explicou como obteve a informação, mas fez um pedido de habeas corpus preventivo à Justiça dois dias antes da Operação Estocolmo ser deflagrada. Ele refuta envolvimento em uma rede de exploração sexual infanto-juvenil.

Waldery Areosa Ferreira, Waldery Júnior e Vitório Nyenhuis mantém endereços fixos na Ponta Negra, região de casas e condomínios luxuosos, área mais cara de Manaus. Nyenhuis se colocou à disposição da Justiça. Em nota, Waldery Areosa informou que ele e o filho estão nos Estados Unidos.

"Chegaram até mim, há algum tempo, rumores de que havia uma investigação em curso envolvendo meu nome. Quis saber, conforme assegura a Constituição de meu País, do que poderia ser acusado (...). Jamais esperei que fosse julgado e condenado pelo simples fato de ter pedido informações sobre meu nome. Informações que aliás, até agora não obtive", diz Waldery Areosa Ferreira.

'Sigilo'
O processo relativo ao pedido de habeas corpus de Waldery Areosa Ferreira, que estava disponível para pesquisa no site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ/AM) até a última sexta-feira (23), não aparece mais no serviço de "busca por nome" do judiciário amazonense. Consta apenas o pedido do filho.

Investigação
O procurador-geral do Ministério Público do Amazonas (MPE/AM), Francisco Cruz, informou ao acritica.com que o órgão poderá investigar o vazamento de informações. Contudo, vai analisar o caso antes de tomar a decisão.

"Não se discute o direito a ter acesso à informação. Mas, se há indício de violação, evidentemente que isso merece apuração. Seja em qualquer caso, as regras tem que ser respeitadas", disse Francisco Cruz. Até às 20h desta segunda-feira, a assessoria do MP-AM não confirmou se o processo investigatório será instaurado pelo órgão.