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Manaus
Ponta Negra

Enchente do rio Negro não é motivo para fechar praia da Ponta Negra

Interdição do principal balneário público de Manaus só ocorre quando o nível do rio está menor que 16 metros 10/05/2017 às 13:56 - Atualizado em 10/05/2017 às 16:22
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Águas do rio Negro já estão passando por cima da estrutura de gabião que sustenta o piso onde ficavam os bares (Foto: Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

A praia da Ponta Negra, na Zona Oeste, não será interditada por conta da forte  cheia do rio prevista para este ano. A interdição só é utilizado como medida de segurança no período da vazante, quando o rio atinge uma cota inferior a 16 metros, haja vista o problema de desvelamento que pode ocasionar afogamentos. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), na enchente, a parte da praia que é coberta pelas águas está compactada de forma regular. Com isso não há a necessidade de fechar a área.

Ontem, a cota do rio estava em 28,62 metros, 2,55 metros acima da registrada no mesmo período do ano passado, e apenas 95 centímetros abaixo da mesma data de 2012, ano da cheia histórica do Negro. Conforme dados do segundo alerta de cheia de Manaus, divulgado pelo CPRM no último dia 2, o nível do rio Negro deve variar entre 29,15 e 29,85 metros, sendo uma das maiores cheias dos últimos anos. O próximo alerta deve ser apresentado no dia 31 deste mês.

Conforme o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), o Corpo Permanente de Segurança do Complexo Turístico Ponta Negra está a postos, reforçando os procedimentos de rotina e intensificando a orientação aos banhistas, dentro de medidas pré-estabelecidas e que não fogem do dia a dia de manutenção da praia. 

E o Corpo de Bombeiros do Amazonas faz medição na área de banho, diariamente, por meio de cabos e poitas (pesos), realizando vistoria no local pelos guarda-vidas, para saber se há algum desnível no chão do leito do rio. As boias são então colocadas delimitando uma área mais segura para populares terem acesso ao banho de rio. As boias existem também para manter uma zona segura de distância de embarcações.

De acordo com o Implurb, há quatro anos, o parque conta com o Corpo Permanente de Segurança para garantir a maior salvaguarda dos usuários da praia urbana e do balneário, que funciona de segunda a domingo, com horários e regras estabelecidas, inclusive em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado juntamente com o Ministério Público do Estado, em 2013.
 
O termo foi assinado entre a Prefeitura de Manaus, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, resultando na adoção das atuais normas de uso da praia perene e estabelecendo como cota de segurança aos banhistas a marca de 16 metros para o rio Negro. Neste caso, da enchente, não há o risco da cota mínima em razão da cheia.

Fechada em 2015

Em razão da vazante atípica em 2015, a praia da Ponta Negra foi interditada em 28 de outubro daquele ano, após monitoramento de níveis do rio Negro feito pelo CPRM, atingindo a cota de interdição, seguindo a rotina de procedimentos de segurança.

Fechamento às 17h é seguido 

Conforme o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), tanto o Corpo Permanente de Segurança quanto os membros da Comissão da Ponta Negra (CPN)  trabalham na orientação para normas de bom uso e segurança no balneário, especialmente no que diz respeito ao horário limite para o banho, fixado para as 17h. Após esse horário, é feita uma retirada diária dos banhistas, com avisos sonoros e equipes de Guardas Municipais, PMs, bombeiros e da CPN fazendo uma varredura na área.

Regras incluem ainda o consumo racional de bebidas

Os frequentadores da Ponta Negra precisam observar horários e regras do balneário que estão disponibilizadas em placas informativas instaladas, desde o calçadão até a praia, e que ajudam no controle e na segurança.
 
Na praia, além do horário de funcionamento indicado para banho – até as 17h – e a preocupação com as crianças dentro do rio, a recomendação é o cuidado no consumo de bebidas alcoólicas. É importante respeitar as normas de uso da praia e não ultrapassar o cordão de isolamento, que indica a área de segurança dentro da água. Também é recomendado aos banhistas que evitem entrar na água alcoolizados, diminuindo os riscos de afogamentos e outros acidentes.
 
Durante a semana, o Corpo de Bombeiros conta, diariamente, com uma equipe de 12 salva-vidas na área da praia distribuídos por todo o perímetro. Nos finais de semana, devido ao aumento do número de usuários, o contingente aumenta para até 30 socorristas que se revezam em turnos.

Central de atendimento

Devido ao número de municípios em “Situação de Alerta” por conta da enchente dos rios da bacia Amazônica, a Defesa Civil do Amazonas montou, ontem, uma Central de Atendimento, com orientações técnicas, que podem agilizar os decretos de emergência e o atendimento a população afetada.

Conforme o secretário executivo do órgão, Fernando Pires Júnior, na central os agentes prestarão assessoramento técnico aos Coordenadores Municipais de Defesa Civil, avaliando danos humanos e materiais, bem como auxiliando na parte burocrática de decretos emergenciais daquelas cidades que já estão afetados pela enchente.

Nesse sistema de atendimento, os municípios que estão mais próximos de Manaus, enviam os gestores a capital. Os mais distantes, um técnico da Defesa Civil do Estado irá ao local, como é o caso de Coari, no Médio Solimões, onde um agente do órgão seguiu ontem para a cidade. 

Em Jutaí, também no médio Solimões, os agentes estão em capacitação técnica. Entre as orientações, estão a criação de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdec), a importância do sistema de Defesa Civil e ainda, o correto preenchimento do formulário de informações no Sistema Integrado sobre Desastres (S2ID). 

O município de Amaturá, localizado no Alto Solimões e que está em “Situação de Alerta” por conta da enchente, é outro exemplo de atendimento personalizado ao município. A capacitação técnica foi realizada ontem na sede do órgão, com representantes da Defesa Civil local.   

No último dia 8, a Defesa Civil do Amazonas colocou mais cinco municípios das calhas do Solimões e Purus em situação de emergência por conta da cheia dos rios. Ao todo, 11 regiões do Estado estão nesta condição, que afeta mais de 17,5 mil famílias. Todas as cidades estão inseridas no cronograma de atendimento humanitário.