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Enfermeiros denunciam superlotação e falta de materiais na Fcecon, em Manaus

Funcionários da fundação, que é referência no tratamento de câncer no Amazonas, denunciam problemas enfrentados. Segundo alguns, eles trabalham de “forma desumana” 21/05/2012 às 13:18
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De acordo cum funcionários da FCecon está é uma das geladeiras onde os materias para atendimento dos pacientes da Fundação ficam guardados. O Jelco (um tipo de catéter) é um dos objetos mais utilizados pelos profissionais
JOELMA MUNIZ Manaus

“Estamos trabalhando além da nossa capacidade física e mental. É preciso levar em consideração que lidamos com pacientes com doenças graves, nossa situação é bastante critica e o reflexo é visto no nosso trabalho”. A afirmação é de uma funcionária da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (Fcecon).

Além dela, enfermeiros e técnicos de enfermagem da Fundação, que é referencia no tratamento de pacientes com câncer no Amazonas, afirmaram, na manhã desta segunda-feira (21), em denúncia à reportagem do Portal acritica.com, que estão trabalhando de “forma desumana” na fundação. Dentre as reclamações estão falta de material básico para atendimento e sobrecarga de trabalho.

Uma técnica de enfermagem que trabalha no local, e preferiu não se identificar, ressalta que cada enfermeiro, ou técnico trata em média de nove pacientes por dia. O que segundo ela, vai contra ao que é instituído pelo Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM), que estabelece, que cada profissional pode atender a no máximo seis pacientes. “Não temos conseguido oferecer aos que procuram a Fcecon um atendimento de qualidade”, revela.

Materiais

Outro profissional de saúde da fundação, que também não quis se identificar, diz que colegas estão tendo que levar para a Fcecon equipamentos de outros hospitais para suprir a demanda necessária junto aos doentes.

“O Jelco é um tipo de catéter que usamos diariamente para hidratar as veias dos pacientes, e o estoque da Fundação é insuficiente”, disse, lembrando que os pacientes sabem da situação, mas, que se submetem ao tratamento inadequado por extrema necessidade.

O enfermeiro completa dizendo, “suportamos essa situação porque precisamos manter nossas famílias, e também temos um carinho pelos nossos pacientes. Das poucas vezes que o governador visitou a Fundação, a diretoria não deixa com que ele o que de fato se passa entre essas paredes, a urgência é tão fétida, que só mesmo que lida com isso diariamente suporta”, desabafou.

Sem férias

Além dessas denuncias os funcionários reclamam que a diretoria da Fundação não tem permitido o uso do direito de férias de alguns técnicos e enfermeiros que estariam há pelo menos dois anos sem usufruir do beneficio garantido por Lei.

“O quadro de funcionários da Fcecon não é o suficiente para o atendimento de tantas pessoas, e pela falta de contratação de mais profissionais temos sido sacrificados. Não temos culpa se o Estado não faz essa contratação, queremos o que é nosso por direito”, comentou.

Sem hora para comer

A sobrecarga de trabalho seria tão complicada no local que os funcionários da Fundação que atendem no turno da manhã, estariam até sendo privados de almoçar. Segundo um grupo de profissionais, o único horário para realizar a refeição é 2h ou 3h da tarde, momento em que o restaurante da Fcecon já não está funcionando.

“Todos os dias um grupo fica sem comer, se quisermos consumir alguma coisa temos que procurar os lanches pelo entorno do hospital”.

Direção Nega

Em nota a direção do Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon) esclarece que “não há falta de luvas, cateteres ou máscaras”. Inclusive, atualmente, o hospital conta com um estoque de 1.104 caixas de luvas tamanho médio (a mais utilizada no setor de urgência), 7,9 mil cateteres da marca Jelco e 256 caixas de máscara cirúrgica retangular descartável, cada uma contendo cem máscaras.

Sobre a sobrecarga citada por funcionários ao portal, a FCecon explica que, eventualmente, pode ocorrer aumento no número de pacientes que dão entrada no Setor de Urgência e a orientação é que “todos sejam atendidos” da melhor forma possível. Contudo, os atendimentos feitos pelos profissionais da enfermagem ocorrem, sempre, dentro do tempo previsto nos contratos (plantões de 12 horas, totalizando 120 horas distribuídas em 10 dias/mês).

A direção da instituição ressalta, ainda, que por se tratar de um hospital de alta complexidade para o tratamento terciário do câncer - não estando portando inserido na categoria de urgência e emergência -, há casos que podem receber atendimento nos locais que compõem a rede de urgência e emergência do Estado, tais como pronto-socorros e SPAs. Por isso, a orientação dada pela direção é que, ao necessitar de atendimentos para dor, por exemplo, a população procure um desses locais, de preferência o mais próximo à residência do paciente. Concluindo, em razão do aumento da demanda, que vem ocorrendo com o passar dos anos – já que o hospital atende não só pacientes do Amazonas, mas também de estados vizinhos -, a FCecon encaminhou à Secretaria de Estado da Saúde (Susam) solicitação para a realização de concurso público, o qual passa por análise.