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Enquanto licitação não sai, Manaustrans multa motoristas da cidade com radar móvel

Operado manualmente, e alimentado por uma bateria externa, o equipamento registra apenas a velocidade do veículo que passa. É necessária a atuação de um segundo agente de trânsito para verificar a placa do carro e fazer a autuação num bloco de multas 22/04/2015 às 10:14
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Os agentes do Manaustrans se deslocam constantemente para pontos de grande fluxo, principalmente vias sinalizadas por placas de redução de velocidade
NELSON BRILHANTE ---

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Enquanto o processo de licitação para a escolha da empresa que vai administrar o sistema de radar eletrônico não sai, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) tenta punir os infratores que não respeitam o controle de velocidade, usando um radar móvel bastante defasado. Operado manualmente, e alimentado por uma bateria externa, o equipamento registra apenas a velocidade do veículo que passa. É necessária a atuação de um segundo agente de trânsito para verificar a placa do carro e fazer a autuação num bloco de multas. Segundo o diretor presidente do Manaustrans, Paulo Henrique Martins, esse problema será resolvido até o final de maio.

“Realmente esse equipamento é antigo, mas estamos num processo de compra de um bem mais moderno. São equipamentos portáteis com tecnologia de leitura de placa e registro de infração. Tem acoplado uma impressora que faz a digitalização da placa do veículo. Também a compra desse equipamento está em processo de licitação e talvez em um mês já teremos essa questão resolvida. Licitação é imprevisível, mas o importante é que tudo já está encaminhado”, adianta o diretor.

Os agentes do Manaustrans se deslocam constantemente para pontos de grande fluxo, principalmente vias sinalizadas por placas de redução de velocidade.

De acordo com o supervisor de operações do Manaustrans, Jorge Naranjo, o radar é auferido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), além do que, há uma margem de erro para mais, o que afastaria a possibilidade de engano.

“A tolerância é de sete quilômetros por hora a mais, como qualquer equipamento de medição. É fácil de manusear e um equipamento de grande utilidade para o nosso serviço, e para a segurança da população”, disse Naranjo.

Desativados

Desde o dia 8 de março, os radares fixos estão desativados. O contrato de concessão com a empresa Consladel, para operar corujinhas e outros serviços, foi encerrado e a Prefeitura de Manaus não renovou.

O contrato, denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como “viciado”, incluía também sinalização horizontal (no piso das vias), vertical (placas) e implantação de semáforos, serviços que estão sendo executados por técnicos do Manaustrans.

Condutores continuam respeitando os radares

Mesmo tendo sido destaque em toda a imprensa local, a desativação dos radares fixos não alterou a rotina dos condutores de veículos de Manaus. O equipamento que continua instalado na Avenida Ephigênio Salles já nem acende mais, como vinha ocorrendo até a semana passada, mas os motoristas continuam reduzindo a velocidade de seus veículos a 40 quilômetros por hora como determinada o sinalizador.

A equipe de A CRÍTICA passou 30 minutos no local e não verificou nenhum carro ou motocicleta “transgredindo” a velocidade máxima que era controlado pelo radar. Todos reduziam a velocidade.

O auxiliar de manutenção Harrinson Matos, 21, disse que não tomou conhecimento da desativação dos aparelhos, mas isso não vai mudar a forma de conduzir sua motocicleta. “Estou sabendo agora, mas eu não vou confiar, não. Vai que os caras coloquem para funcionar de novo, sem avisar. Uma multa é muito cara”, lembra Matos.

O técnico em Informática Márcio Reis de Melo, 34, também não sabia, mas parou seu carro próximo ao local onde os agentes do Manaustrans  estavam operando, para perguntar o significado da operação. Chamou a atenção dele o manuseio do radar móvel, num dos trechos da Avenida das Torres, Zona Leste.

“Fui perguntar também se eu fui multado porque eu vinha correndo um pouco, só que aqui não tem radar. Mesmo sabendo agora, que não tem mais, eu vou continuar respeitando as placas. Quem não está obedecendo vai se arrepender quando os radares voltarem a funcionar. Então, é melhor não perder o hábito pra não pagar multa depois”,  confirma o condutor.