Publicidade
Manaus
POLÊMICA

Flanelinhas seguem ‘livres’ para atuar em Manaus; condutores reclamam de ameaças

No caso dos limpadores de vidro, a proibição da “atividade” foi tomada após casos de violência e agressões registradas recentemente 23/11/2017 às 05:07
Show zcid010530 p02  2
Enquanto isso, no Centro, flanelinhas aproveitam a falta de ordenamento e de fiscalização para atuar livremente nas ruas. Foto: Winnetou Almeida
Álik Menezes Manaus (AM)

A decisão polêmica do secretário de Segurança Pública e vice-governador, Bosco Saraiva, de proibir a atividade de lavadores de vidros em sinais da cidade, aqueceu uma antiga discussão sobre a retirada de flanelinhas que atuam em diversas áreas da cidade e, assim como parte dos limpadores vetados, ameaçam e amedrontam os condutores. 

A decisão de proibir a permanência dos limpadores nas esquinas foi tomada após casos de violência e agressões registradas recentemente. Alguns criminosos e foragidos da Justiça chegaram a ser presos atuando. A medida agradou muita gente, no entanto, a contadora Kamilla Santos, 33, lembra que, assim como alguns lavadores de parabrisas ameaçam e até agridem motoristas, flanelinhas agem da mesma forma e, por isso, a proibição deveria se estender também a essa categoria. “Eu, como motorista, me sinto ameaçada tanto pelo flanelinha quanto pelo lavador de parabrisa. Eles agem da mesma forma: ameaçam, intimidam e até agridem se a gente não pagar o que eles querem. Já tive meu carro arranhado e para mim é mais perigoso, porque sou mulher”, desabafou. 

E ela não é a única a pensar assim. Para o estudante de enfermagem Weslley Alves, 24, a atividade dos flanelinhas também deveria ser alcançada pela determinação da Secretaria de Segurança Pública (SSP). “Existem pessoas que trabalham porque precisam, com certeza. Mas há aqueles que querem fazer o mal. Então esse trabalho também deveria ser proibido”, afirma.

Assim como os limpadores de parabrisas, os flanelinhas atuam principalmente em ruas de grande fluxo, mas se concentram principalmente no Centro. No entanto, atuam em outras partes da cidade. Em dias de shows na Ponta Negra, por exemplo, eles chegam a cobrar até R$ 30 para “reparar” os carros e, se contrariados, chegam a ameaçar e a riscar veículos de clientes. “Já me cobram 25 reais antecipado na Ponta Negra, não paguei. Quando voltei, na madrugada, eles não estavam mais lá e meu carro tinha sido riscado de uma ponta à outra”, contou a assistente social Aline Cardoso, 28. 

O outro lado

A determinação da SSP atinge também pessoas que não são criminosas e dependem da atividade - de lavador de vidros - para sustentar suas famílias, caso do venezuelano Franchi José Tochon, de 28 anos. Vindo de Boa Vista, onde morou por mais de um ano, ele chegou à capital amazonense há cerca de um mês, em busca de emprego, e limpa vidros de carros em sinais da Constantino Nery para se manter e enviar algum dinheiro para a esposa e os  dois filhos (de 2 e seis anos), que ficaram na Venezuela.

O venezuelano trabalha como jardineiro em um condomínio na Ponta Negra, na Zona Oeste, complementa a renda vendendo rosas em sinais e, há quinze dias, começou a limpar parabrisas de carros na avenida Constantino Nery.

“Eu faço o que posso, não tenho medo de trabalhar, sendo honesto eu trabalho. Preciso pagar o aluguel, mandar dinheiro para minha família e juntar dinheiro para trazê-los para cá no início do ano, porque a vida na Venezuela está muito difícil. Eu tenho filhos, não posso ficar sem fazer nada, preciso trabalhar. Se for proibido, não tem problema, vou atrás de outro serviço. Não estou aqui na rua porque gosto, eu preciso”, contou.

Fiscalização precisa ser constante

Apesar da polêmica, o veto aos limpadores de vidro depende de uma fiscalização constante para ser efetivo. Nesta quarta-feira (22), por exemplo, a reportagem do portal A Crítica ainda encontrou pessoas atuando em sinais nas avenidas Noel Nutels e Mário Ypiranga Monteiro. 

Para a administradora Kátia Régina Araújo, 31, é preciso fiscalizar e, se não houver outro jeito, buscar uma forma de formalizar o trabalho dessas pessoas. “Existe, sim, no meio deles, pessoas que querem e precisam trabalhar. A gente não pode generalizar e dizer que todo mundo é bandido. É preciso empatia para saber lidar com essas situações. Tem que fiscalizar e tirar os que são bandidos”, comentou.

O engenheiro elétrico Michel da Silva Braga, 29, comemorou a proibição e espera que a medida seja mantida e fiscalizada.  “Não são todos, mas a maioria fica com raiva e ameaça se a gente não pagar. O problema é que, às vezes, a gente nem pede ou não autoriza, mas eles insistem em lavar o vidro. Se você diz que não tem dinheiro eles xingam, ameaçam e até agridem. É triste porque deve ter pessoas honestas, que precisam desse dinheiro, mas por um pagam todos”, disse.