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Manaus
Cotidiano, Ergonomia, Design Social, Ironbag, Estivadores, FUCAPI, Manaus Moderna

Equipamento pode ajudar estivadores a carregar peso de forma ideal, no AM

O "Ironbag" desenvolvido por alunos da Fucapi pretende evitar problemas de saúde para trabalhadores da Manaus Moderna 11/08/2012 às 19:34
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Izanildo Amburgo Vitor que trabalha no ramo há 16 anos testou equipamento e fez sugestões
Florêncio Mesquita Manaus 12 de agosto

Uma ideia simples, porém eficiente, que pode dar melhor qualidade de vida e mudar o método centenário de trabalho de carregadores de mercadorias que atuam no porto da Manaus Moderna, no Centro da cidade. Um protótipo de carga desenvolvido por alunos do curso de Design da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi) pretende evitar que os carregadores que, diariamente, transportam cargas  muitas vezes mais pesadas que o próprio corpo, tenham problemas de saúde.

O equipamento, que recebeu o nome “ironbag” - que em português significa mochila de ferro - lembra o jamaxim, um cesto de palha trançada que foi muito utilizado como mochila por seringueiros, na época da borracha. A estrutura foi criada há dois meses pelos acadêmicos de Design Jefferson Miranda, 30, Juliana Siqueira, 20, e Mayara Castro, 19.

Eles identificaram o modo prejudicial à saúde como os carregadores trabalham e pensaram em uma solução prática e acessível para o problema. O desafio de identificar um problema com aspecto social surgiu em um trabalho acadêmico, na sala de aula. A partir da escolha do desafio, os estudantes se dedicaram a encontrar uma solução para os danos causados pela sobrecarga no transporte de mercadorias.

Ajustes
O aparelho ainda precisa de ajustes, mas do papel à realidade, a Ironbag não decepcionou os criadores. O equipamento foi submetido à prova de resistência com os próprios carregadores no Centro de Manaus. Apesar do olhar de surpresa no primeiro contanto, os carregadores que experimentaram o equipamento aprovaram a ideia e a melhor distribuição do peso sobre os ombros proporcionada pela mochila de ferro.

Apesar da aprovação, os carregadores fizeram algumas ponderações para aprimorar o aparelho. Tudo foi registrado pela equipe de estudantes que já trabalha na patente do produto junto à Fucapi.

O carregador Izanildo Amburgo Vitor, 39, há 16 anos trabalha na Manaus Moderna como carregador.

“Falta pouca coisa para melhorar. O engate para o ombro é fino. Se as alças fossem mais largas e acolchoadas seria melhor”, disse. Com base nas adaptações, ele diz que o aparelho pode ser utilizado pelos carregadores sem resistência. Ele lembra que a maioria dos carregadores prefere carregar mercadorias na cabeça. Com o Ironbag o peso seria transferido para as costas, aliviando os danos ao pescoço e à cabeça.

Izanildo diz que carrega até 130 quilos na cabeça e 200 quilos nas costas, sendo que ele pesa 77 quilos. Ao invés de um pedaço de papelão ou esponja sobre a cabeça, como é usado, os alunos propõem uma mochila em metal com proteção para o tórax, além de um colete salva-vidas. O equipamento tem duas alças que distribuem melhor o peso. O colete salva-vidas, segundo Juliana, é para resguardar o carregador, caso ele caia na água, já que o trabalho é em cima de balsas e pontes.

Leve e resistente
Os estudantes dizem que o protótipo do ironbag ainda precisa ser melhorado, mas que já está provado que a aplicação do aparelho é boa, funcional e viável. Os alunos contam que usaram o próprio dinheiro para fabricar o ironbag e ainda não estipularam quanto custaria cada aparelho, mas pensam em um valor simbólico para ser acessível a todos os carregadores. Uma das ideias dos estudantes é uma parceria com uma empresa da iniciativa privada para a fabricação e comercialização do aparelho.

Para o estudante Jefferson Miranda, 30, o desafio foi construir um equipamento com materiais leves, mas que ao mesmo tempo fosse resistente à carga extrema e à rotina dos carregadores. Segundo Juliana, caso alguma empresa se interesse pelo ironbag, o baixo custo e a qualidade do aparelho devem ser priorizados. Ele explica que o aparelho foi pensado por meio do Design Social que é um termo usado para definir projetos que visam à melhoria das condições sociais de pessoas, comunidades e sociedades como, por exemplo, intervenções no urbanismo, projetos para portadores de necessidades especiais, entre outros.