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Manaus
PERDA

Escritora Chloé Loureiro deixa legado de amor e inspiração à culinária, diz família

Dona Chloé é autora de dois livros de receitas que alavancaram culinária amazonense por meio de revistas nacionais. Velório ocorreu nesta sexta-feira (25) em funerária no Centro da capital 25/08/2017 às 17:53
Show velorio
Velório ocorreu na tarde desta sexta-feira na funerária Almir Neves, Centro de Manaus (Foto: Gilson Mello/Freelancer)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

O chef de cozinha amazonense Babú Loureiro, de 37 anos, talvez não imaginasse que hoje a cozinha seria a sua maior paixão se não tivesse degustado quando criança as sobremesas da sua avó, a escritora Chloé Loureiro. Acreana radicada em Manaus, ela faleceu nesta sexta-feira (25) na capital aos 94 anos e deixou um legado que envolve amor à culinária amazonense e inspiração para a literatura.

Velada na funerária Almir Neves, na rua Monsenhor Coutinho, Chloé era matriarca da tradicional família Loureiro. Nascida em Sena Madureira e mãe de nove filhos – um deles falecido -, a escritora é autora de dois livros, “Doces Lembranças” e “Ao Sabor das Lembranças”, os quais levaram as receitas do Amazonas às grandes publicações nacionais. “Ela inspirou muita gente a escrever depois que lançou o primeiro livro. Depois de lançado, ela ganhou dez páginas na revista Cláudia com receitas dela. Em seguida, várias revistas saíram porque só faltava um início pra isso tudo”, disse o filho Armando Loureiro, de 66 anos.

Grande nome da culinária amazonense, o chef João Paulo Loureiro, conhecido como Babú Loureiro, disse que os pratos preparados pela avó os inspiraram a investir na culinária. Ao relembrar momentos da infância, ele cita quando a avó preparava bolos para toda a família.

“Nós estudávamos aqui perto, no Dom Bosco, e esperávamos o momento que ela fazia o bolo e colocava parte da massa em uma lata de manteiga só pra assar mais rápido. Ela fazia uma prova pra gente comer antes. Até hoje utilizamos algumas receitas e adaptamos para os restaurantes. Ela fez história e passou isso pra muita gente”, disse ele.

Generosidade

Nem na pior fase, quando o Mal de Alzheimer e a idade avançada atingiram a saúde de Chloé, os entes queridos apagaram da memória o carinho dela com o próximo. A professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Elenir Nicácio, conhecia a escritora há 50 anos e ajudou a testar os pratos dos renomados livros escritos por Chloé.

A professora destaca a generosidade de Chloé, capaz de ultrapassar barreiras de laços sanguíneos e ajudar grandes amigos. “Ela pagou meu cursinho pré-vestibular enquanto eu morava na casa dela. Ela acompanhou minha vida muito de perto com muita alegria. Quando fiquei viúva costumava dizer ‘não posso entender que a minha história acabou’, e ela dizia: ‘escreva a sua história’. O que posso fazer é agradecer a Deus por ter tido uma pessoa tão especial na minha vida”.

Com a presença de amigos e familiares, a escritora foi sepultada no Cemitério São João Batista, na Zona Centro-Sul de Manaus. Ela deixa oito filhos e 23 bisnetos.