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Espaço para a alegria no bairro de Educandos em Manaus

Com 156 anos de existência do bairro, moradores mantêm tradições como a brincadeira de Boi Bumbá Garanhão 16/07/2012 às 07:50
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José Maria de Souza aponta para a foto do Boi Bumbá, motivo de festa para os moradores do bairro de Educandos, que vão assisti-lo no Festival Folclórico
LUANA GOMES Manaus

“Aqui na comunidade, podemos morrer de qualquer tipo de doença, mas de tristeza ninguém morre”. É com esta frase que o coordenador do Centro Social e Cultural Zulândio Pinheiro, José Maria de Souza, caracteriza o bairro Educandos, conhecido como “celeiro da arte” em diversos registros que abordam sua história. Em meio às diversas manifestações culturais do bairro, surge o Boi Bumbá Garanhão, incluído entre as três maiores agremiações folclóricas da capital amazonense - cuja lista também conta com o Boi Bumbá Brilhante e o Boi Bumbá Corre Campo -, segundo Souza, atualmente responsável pela tesouraria da nação verde e branca.

De acordo com o dirigente, o Boi Garanhão surgiu em decorrência do “vácuo” deixado pelas referências culturais que foram desaparecendo pelo caminho, como a Caninha Verde, que surgiu em meio ao ciclo da cana de açúcar no Brasil.

Embora tenha sido uma sensação na época, a dança chegou ao fim, assim como várias outras representações, como a Escola de Samba Em Cima da Hora, que deu origem a outras escolas do carnaval amazonense. “Elas foram terminando e o Educandos ficou sem nenhum divertimento. Por ser um dos mais antigos de Manaus e comumente conhecido como um bairro festivo havia a necessidade de criar outra brincadeira”, detalhou.

Assim, em 16 de junho de 1991, os moradores envolvidos com as brincadeiras antigas resolveram criar o bumbá, para que todos pudessem voltar a ativa e não perder a tradicional alegria do bairro. Por sinal, Souza foi justamente o primeiro presidente da agremiação. E nele continua 21 anos.

FESTIVAL FOLCLÓRICO

Representante do Educandos e também da Zona Sul, o Boi Garanhão está sempre presente nas edições do Festival Folclórico do Amazonas, que se encontra na 56ª edição, reunindo 130 grupos em mais de duas semanas de festa, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia. Neste ano, o boi se apresenta no próximo dia 21.

Conforme Souza, mais de 1,3 mil pessoas, entre costureiras e artistas plásticos, dão origem às alegorias e roupas usadas nas brincadeiras. Entre eles, a dona de casa Maria Perpétua do Carvalho é uma das moradoras do Educandos que sempre participa das atividades festivas dos bois, como um dos membros da diretoria do Garanhão. Segundo ela, a manifestação é uma forma de unir os moradores e, muitas vezes, retirar os jovens das ruas, dando mais segurança no ambiente fechado.  Embora prefira acompanhar a festa sem estar no meio da roda de dança, a dona de casa conta que a empolgação é tradicional em toda a família e seus netos “brincam de boi” todo ano.

Maria Perpétua do Carvalho revela que o bairro tem muitos moradores antigos, assim como ela, com 58 anos de histórias para contar. Ela participa dos movimentos folclóricos e está sempre a postos para ajudar um ao outro. Morador desde seu nascimento, há 69 anos, Erasmo Amazonas especifica que o Educandos concentra 70% de moradores antigos. Segundo o escritor, as pessoas que nascem na região tem a pretensão de morar para sempre no local, não apenas pela localidade ser próxima ao eixo central, mas devido o apoio entre os moradores.

 Apoio às bandas de colégios

 Como além da festividade, o povo também é solidário, no Conselho Comunitário do bairro não poderia ser diferente. Vários espaços foram cedidos em apoio às bandas dos colégios da região, assim como para abrigar as reuniões do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) na comunidade.

Daqui há três meses, o Conselho deve passar por uma reforma para que cursos de apoio aos jovens possam ser realizados. De acordo com o coordenador do Conselho, Cleoberto Castro, as portas do órgão também estão abertas para reuniões entre todos os representantes das Zonas da cidade, a partir do Instituto Amazônico da Cidadania (Iaci), que discute os problemas referentes a cidade, especialmente em período eleitoral. “Os problemas da cidade são sérios, como no caso da água. Quando você está sozinho, é difícil conseguir alguma solução, por isso nós nos unimos para fazer pressão popular”, destacou Castro.