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Espaços públicos de Manaus estão abandonados

Monumentos construídos em rotatórias de algumas das principais vias da cidade e locais com potencial para promover encontros de adeptos da prática de esportes não ultrapassam a referência de obras paisagísticas 19/06/2012 às 07:00
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Portal da Cidade, na avenida Santos Dumont, Zona Oeste, foi criado para ser utilizado por ciclistas, mas está abandonado
Carolina Silva Manaus

Mesmo cercados pelo vai e vem de pessoas e pelo intenso fluxo de veículos, algumas obras públicas de Manaus não são totalmente utilizadas pela população. Monumentos construídos em rotatórias de algumas das principais vias da cidade e locais com potencial para promover encontros de adeptos da prática de esportes não ultrapassam a referência de obras paisagísticas, que passam despercebidas embora estejam em localizações de fácil acesso na cidade.

Exemplo disso é o portal de boas vindas a Manaus, também chamado de Portal da Cidade, na avenida Santos Dumont, cruzamento com a Torquato Tapajós, Zona Oeste. Ele revela aos turistas da capital amazonense que saem do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes apenas os sinais de vandalismo. Os visitantes também se deparam com um monumento totalmente abandonado pelo poder público e pelos próprios manauaras.

O Portal da Cidade, construído em 1997, deveria ser utilizado por ciclistas. Mas, hoje, muitos adeptos das pedaladas até mesmo desconhecem que o local fora planejado para esta finalidade. “Achava que era pra ser uma praça. É lamentável que este espaço não esteja sendo valorizado como deveria em meio a um crescimento de pessoas que estão voltando a passear de bicicleta”, comentou a estudante de educação física Jéssica Martins, 24.

Por determinação da prefeitura, em conjunto com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), foi proibido o uso para ciclismo por conta da quantidade de carros que transitam no local, o que representa perigo  para os adeptos da bicicleta.

Mas para Rogério Santana, 31, ciclista, se o espaço recebesse os devidos investimentos que afastassem esse perigo, não precisaria abandoná-lo. “É claro que do jeito que está hoje não têm condições de as pessoas se reunirem ali pra pedalar. Mas com investimentos em sinalização, iluminação e outras mudanças necessárias não precisaria proibir que fosse frequentado por ciclistas”, falou.

Para o arquiteto e urbanista Jaime Kuck, a cidade pode oferecer mais opções para a interação da população se os investimentos não fossem “canalizados” apenas para as obras viárias em si. “Um projeto urbano precisa convidar a população a frequentá-lo. Isso promove a humanização da sociedade. Faltam projetos urbanísticos voltados para essa interação social”, disse o especialista.

Demanda e  cobertura dificultam
Na avenida Jacira Reis com a Darcy Vargas, a Praça Umberto Calderaro Filho, conhecida como Praça das Letras, chama a atenção por conta do monumento, mas não tanto como poderia, diz a enfermeira Gorete Santos, 41.

“Moro aqui próximo e acho que ele poderia ser um local pra vir à noite, nas tardes dos finais de semana, até mesmo para que os moradores interagissem mais com os outros. Lamentamos que ele não seja tão valorizado e assim não frequentado”, disse.

Mesmo não sendo aberto à comunidade, outro espaço considerado mal aproveitado é o anfiteatro na área externa da Escola Superior de Tecnologia (EST), na avenida Darcy Vargas, que pertence à Universidade do Estado do Amazonas (UEA). No lugar de apresentações culturais ou outras atividades em favor da interação com a comunidade acadêmica, existe somente sinais de abandono.

Entretanto, de acordo com a UEA, o local é pouco usado por não ter demanda dos próprios alunos. Um dos fatores que justifica a situação é a falta de cobertura, o que permitiria que fosse usado durante o dia. Segundo a direção da unidade, um projeto  que prevê a cobertura do espaço será apresentado à reitoria, mas ainda não há previsão de resposta.

Valorizar ajuda a Reduzir crimes
Como coordenador do movimento Pedala Manaus, Ricardo Braga Neto, valorizar espaços públicos pode até ajudar a afastar pessoas de situações de risco. “A melhoria dos espaços públicos é fundamental para a adesão da população que poderia não apenas vivenciar melhor a cidade e ter mais qualidade de vida, mas, ao integrar socialmente as pessoas, a revitalização pode gerar uma redução drástica nos índices de criminalidade, a exemplo de Bogotá, na Colômbia”.

Investimento X interesse
Com tanta movimentação de pedestres e de veículos, a área verde situada embaixo do complexo viário Gilberto Mestrinho (rotatória do Coroado) é percebida apenas pelos olhares mais atentos. Para o autônomo Gustavo Soares, 30, o espaço poderia ser mais uma praça para bater papo com os amigos e para reunir bancas com guloseimas regionais.

“Eu circulo frequentemente por aqui. E talvez pudesse ser mais útil à população. Se colocassem bancos, uma banca com tacacá, enfim, coisas simples, mas que enriqueceria e ficaria mais atrativo”.

A empresária Cristiane Simão, 28, também critica não somente  a falta de investimentos do poder público, mas o desinteresse da população para que o espaço seja mais um destinado ao lazer na área urbana de Manaus. “A gente vê o poder público investindo apenas em locais que tem mais visibilidade, como a praia da Ponta Negra, mas outros locais como este, se melhor valorizados, dariam mais beleza à cidade e causaria uma boa impressão aos turistas”.

A rotatória do conjunto Eldorado, que faz ligação entre a avenida Mário Ypiranga Monteiro e as ruas Carlota Joaquina e Rio Negro, também esconde o potencial para reunir os amigos pra jogar conversa fora.

“Apesar do fluxo intenso de veículos em horários de pico, nos finais de semana é tranquilo. Seria um point legal pra vir e ficar sentado num banco ouvindo música”, sugere o estudante Henrique Silveira, 18.