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Manaus
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Especialista analisa pós-cheia em Manaus

Replantio das margens de igarapés e programas habitacionais estão entre as medidas recomendadas 23/06/2012 às 21:32
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Somente dos igarapés e suas margens, Semulsp retirou 1,85 mil toneladas de lixo durante a ação emergencial
Carolina Silva Manaus

O rio Negro está 50 centímetros (29,47m) abaixo do pico de cheia registrado este ano, que foi de 29,97 metros, e o período da vazante ainda causa transtornos à população. É o caso do lixo que continua sendo retirado dos igarapés de Manaus, problema que poderia ser evitado se as margens fossem contempladas com o replantio da vegetação nativa.

É o que afirma o engenheiro civil e especialista em recursos hídricos da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação (Fucapi), Allan Lima. Para ele, essa medida poderia fazer parte de um planejamento do poder público para as próximas cheias, o que diminuiria o impacto ambiental, bem como os problemas de saúde pública, causados por conta da água contaminada.

“A legislação diz que as margens de igarapés são Áreas de Preservação Permanente (APP) e, assim, caberia aos órgãos ambientais evitar que famílias fossem afetadas pela enchente”, alertou. Nesse planejamento, segundo Lima, também é preciso incluir projetos habitacionais para que as famílias retiradas não retornem.

O especialista avaliou os problemas encontrados nos Igarapés do 40 e do Mestre Chico; a área conhecida como Amarelinho, no Educandos; na rua Barão de São Domingos, próximo à Feira da Banana; além do Parque dos Bilhares; bairro São Jorge e a avenida Leopoldo Peres, no bairro Educandos, localizados nas Zonas Sul e Centro-Sul de Manaus.

“O que se percebe é que na margem desses igarapés ainda resiste uma determinada vegetação, mas, do nada aparece uma casa. Margem de rio não pode ser ocupada pela população. E o grande problema é que o poder público espera o problema acontecer para recorrer às verbas federais e, posteriormente, tomar as providências”, frisou.

O especialista também aponta a necessidade de mais atenção do poder público aos alertas de cheias. “É preciso adotar o alerta de cheia como prioridade máxima. Mas, antes disso, deve investir em ações como a educação ambiental, porque o lixo que é retirado dos igarapés é jogada pelos moradores dessas áreas”, completou Lima.

Outro problema que ainda é enfrentado pelas famílias diz respeito às condições das casas que permaneceram por muito tempo inundadas. “Passada a enchente, ficam comprometidas, sinal de que os problemas não acabam com a cheia”.

Toneladas de lixo
A Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp)  retirou aproximadamente de 1,85 mil toneladas de lixo somente dos igarapés e margens, durante a ação emergencial da prefeitura, o S.O.S Enchente. Desde o início da vazante, registrado em 2 de junho, a média diária de quantidade de lixo retirada  é de 20 toneladas, segundo informações repassada pela Semulsp.

Retorno à área central
Embora o prazo para que o tráfego de veículos no Centro de Manaus seja normalizado continue indefinido, a circulação de pedestres na área, aos poucos, está retomando a normalidade.

Com a descida das águas das galerias de esgoto no trecho da rua Marquês de Santa Cruz, em frente ao prédio da Alfândega, muitos pedestres que haviam se afastado do local por conta do mau cheiro voltaram a circular pela área.

É o caso da vendedora Rosana Vasconcelos, 31. Desde que a área ficou alagada, ela preferiu adotar um novo caminho para chegar ao trabalho. “Antes da inundação  desse trecho, eu descia no terminal da Matriz e seguia pela Marquês de Santa Cruz para chegar à loja que trabalho, que fica na rua Guilherme Moreira, mas o mau cheiro das águas que subiram pela galeria de esgoto incomodava bastante e passei a descer na rua Epaminondas, caminhando pela 7 de Setembro até a Marechal Deodoro para seguir para a Guilherme Moreira”.

Além de Rosana, a recepcionista Claudete Xavier, 38, também havia deixado de circular pelo local. “Era muita confusão quando estava alagado: pedestre disputando espaço na ponte, ônibus que passava ‘espirrando’ água nas pessoas. Também preferi deixar de passar por aqui pra ir ao trabalho. Comecei a vir de carona pro Centro”, disse.