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Especialistas alertam para cuidados com doenças causadas pela vazante do rio Negro

Durante o recuo das águas é necessário manter a vigilância, a fim de se prevenir das doenças causadas por vírus, bactérias e protozoários, presentes na água contaminada das regiões de alagação 22/06/2012 às 11:39
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Quando o nível do rio vai baixando, as pessoas também precisam fazer a limpeza de casas e quintais.
acritica.com Manaus

A diretora presidente da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Graça Alecrim, faz um alerta à população sobre os cuidados com a saúde, no período da vazante do Rio Negro. A diretora explica que durante o recuo das águas é necessário manter a vigilância, a fim de se prevenir das doenças causadas por vírus, bactérias e protozoários, presentes na água contaminada das regiões de alagação.  

Graça Alecrim afirma que o risco de transmissão de doenças se eleva, neste período, por vários motivos. Ela esclarece que a água do rio passa a concentrar maior quantidade de agentes infecciosos e coliformes fecais, em função da formação de poças, o que aumenta as chances de infecção, a partir do contato com a água contaminada.

“As pessoas ficam suscetíveis a contrair doenças como hepatites A e E, leptospirose, febre tifóide, verminoses, gastrenterites, dermatites (doenças de pele), conjuntivites, doenças diarréicas, além de ficarem mais expostas a acidentes com animais peçonhentos – serpentes, aranhas e escorpião”, explicou.

Conforme descreve a diretora, quando o nível do rio vai baixando, as pessoas também precisam fazer a limpeza de casas e quintais. “Nesse momento, é muito comum sofrer pequenos ferimentos na pele, deixando uma porta de entrada para as doenças”, frisa. Vírus, bactérias e protozoários podem ter acesso ao organismo, através desse tipo de ferimento, diz ela. Neste caso, a médica indica o uso de equipamentos de proteção como luvas, máscaras e botas, durante a limpeza dos ambientes.  

Uma das doenças que podem ser evitadas com a utilização dos equipamentos é a leptospirose, que é transmitida pela urina de ratos. “A principal complicação dessa doença, na fase grave, é a insuficiência renal, que pode levar o paciente ao óbito”, salientou. Os principais sinais são icterícia (olhos amarelados), dor muscular e dor de cabeça. O diagnóstico da doença é feito por meio de exame de sangue.

“O médico, entretanto, pode fazer o diagnóstico clínico, no primeiro contato com o paciente. Por isso, é importante procurar uma unidade de saúde a qualquer sinal da doença”, disse. De janeiro a maio desse ano, a FMT-HVD registrou 29 casos de leptospirose.

O médico infectologista Antônio Magela explica que as doenças da vazante são as mesmas que circulam no período de cheia – as chamadas doenças de veiculação hídrica, além daquelas infectoparasitárias cujas condições de moradia e higiene facilitam a sua transmissão. “As doenças são as mesmas. Os cuidados preventivos também são os mesmos. O que aumenta é a exposição”, reforça Magela. Segundo ele, no rol desses agravos, requerem maior atenção as hepatites. Neste ano, 195 pessoas foram atendidas na FMT-HVD com hepatites A e B.

O médico adverte, também, sobre o uso de poços artesianos, que ficaram submersos durante a cheia. “É preciso fazer uma avaliação técnica para saber se ainda é possível utilizar o poço, que pode ter se transformado em depósito de doenças”, alertou.

Se houver dúvida sobre a qualidade da água consumida em casa, o usuário deve purificá-la com hipoclorito ou mesmo fazer a purificação caseira – pingar duas gotas de água sanitária para cada litro de água. “É uma medida simples e importante para evitar muitos males”, destacou. A água purificada também deve ser utilizada para lavar e preparar os alimentos.