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Manaus
COMBUSTÍVEL

Estado do Amazonas tem 2ª gasolina mais cara do Brasil, aponta pesquisa

Segundo a ANP, Manaus tem a segunda gasolina mais cara do Brasil, o preço médio do litro custa R$ 4,20, perdendo para Rio Branco 25/09/2017 às 21:38 - Atualizado em 26/09/2017 às 08:45
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Apesar do preço médio do litro atingir R$ 4,20, em Manaus, há postos que comercializam o produto a R$ 4,25. Motoristas estão insatisfeitos com os preços encontrados nos postos da capital. Foto: Antonio Lima
Rebeca Mota Manaus (AM)

Manaus tem a segunda gasolina mais cara do Brasil. O preço médio do litro é R$ 4,20, atrás apenas do preço médio registrado em Rio Branco, capital do Acre, R$ 4,40. Os dados são da pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizada em postos de todo o País no período de 17 a 23 de setembro.

Segundo a pesquisa da ANP, dentre as 27 capitais brasileiras, as cinco com os preços mais elevados são: Rio Branco (R$ 4,40), Manaus (R$ 4,20), Rio de Janeiro (R$ 4,19) Maceió (R$ 4,13) e Fortaleza (R$ 4,12). Por outro lado, as capitais com a gasolina mais barata são as cidades de São Paulo (R$ 3,57), Macapá (R$ 3,62), São Luís (R$ 3,63), Teresina (R$ 3,75) e João Pessoa (R$ 3,76).

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Álcoois, e Gás Natural do Estado do Amazonas (Sindicombustíveis-AM), Luiz Felipe Moura Pinto, conta que o preço elevado da gasolina no Amazonas tem afetado a movimentação nos postos de combustíveis.

“O movimento nos postos diminuiu. As pessoas ficam seletivas, se iam duas vezes à Ponta Negra agora só vão uma”, avalia o dirigente. Ele também pondera que, apesar de haver uma refinaria em Manaus, tanto o álcool como a gasolina vêm de fora e a carga tributária no Amazonas totaliza mais de 50%, onerando o preço final do produto ao consumidor.

Uma alternativa proposta por Moura Pinto seria exatamente a redução da carga tributária para viabilizar preços mais acessíveis. “Temos que começar a produzir álcool, gasolina e óleo diesel, pois tudo vem de fora, não produzimos nada aqui, a refinaria só serve para fazer substituição tributária, não produz quase nada. O biocombustível é que vem Mato grosso, mas a nossa gasolina vem de lugares como Estados Unidos, Rússia”, enfatiza.

Segundo a Petrobras, o preço da gasolina comum para os consumidores é formado pelos seguinte itens: 27% são os custos de operação da empresa para produzir o combustível, 18% são impostos da União (Cide, PIS/Cofins), 30% são impostos estaduais (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS), 12% é o custo do etanol adicionado à gasolina e 13% se refere às despesas com  distribuição e revenda do combustível.

Consumidores

Motoristas estão insatisfeitos com os preços encontrados nos postos de gasolina e buscam alternativas para economizar. É o caso do administrador Guilherme Moraes que não abastece seu carro com gasolina aditivada e afirma que se capital contasse com um sistema de transporte urbano eficiente, o carro seria menos usado. “Eu procuro os postos com preço mais econômico, não coloco gasolina aditivada no meu carro. Se aqui em Manaus tivesse um transporte rápido como metrô ou trem eu, com certeza, deixaria o carro em casa”, conta.

Em números

R$ 4,20 - É o preço médio da gasolina em Manaus de acordo com a pesquisa da ANP. Apesar do preço médio do litro atingir R$ 4,20, em Manaus, há postos que comercializam o produto a R$4,25, conforme verificou a reportagem de A CRÍTICA em alguns estabelecimentos.

Abastecer com álcool ou  gasolina?

Para carros flex é preciso ter cautela ao escolher que forma abastecer, o economista Wallace Meirelles explica que a principal diferença de preços e vantagens entre os dois combustíveis está na proporção preço versus desempenho. Para o álcool ser mais vantajoso do que a gasolina, o preço do litro tem que custar até 60% do litro da gasolina.

“A partir dessa diferença para cima se torna inviável utilizar, porque o álcool consome muito mais rápido. Valores abaixo de 60% você mantêm uma boa eficiência e um bom uso. Caso queira fazer esse cálculo sem o auxílio da ferramenta, a conta é simples: basta dividir o valor do litro do álcool pelo da gasolina”, revela. Se o resultado for menor que 0,6, abasteça com álcool. Se maior, escolha a gasolina. Exemplo: se o álcool em Manaus custa R$ 3,28 e a gasolina, R$ 4,20, o resultado da divisão do primeiro pelo segundo é 0,7, maior que 0,6. Logo, não é vantajoso abastecer com álcool.

Ele destaca ainda que um dos motivos que pode ou não diminuir o custo da gasolina são os tributos estaduais, ICMS e legislações diferenciadas.

Nova política de preços

Desde junho, a Petrobras vem adotando uma nova política de reajuste de preços nas refinarias. Com o novo modelo, a Petrobras espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores. Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras atualmente avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente. Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais.

Seguindo essa política, a estatal petroleira anunciou ontem a  redução dos preços nas refinarias da gasolina a partir desta terça-feira (26), em 0,3%, e do diesel em 0,4%. Essas alterações a conta-gotas só fazem diferença no momento em que as distribuidoras fazem as compras junto às refinarias, o que não ocorre todos os dias. Os “preços flutuantes” dos combustíveis deveriam incentivar a concorrência entre as distribuidoras, com reflexos nos preços praticados pelos postos ao consumidor final.

Mas não é o que ocorre em Manaus, onde os postos parecem praticar os mesmos preços. Ontem, por exemplo, o preço mais comum que se via na cidade era R$ 4,25. 

Blog: Junio Barbosa, administrador

“Economizo a gasolina   usando o ar-condicionado moderadamente, com os vidros fechados, não acelerando muito, encontrando percursos menores, sempre em manutenção no motor, realizando as  trocas de óleo e mantendo os pneus calibrados”, diz o administrador Junio Barbosaa, que também está insatisfeito com o preço médio da gasolina.

“Não estou feliz com o preço cobrado. Está muito a cima do meu orçamento e das famílias brasileiras”, diz.

Outra pessoa que evita fazer gastos absurdos com a gasolina é a recepcionista Karina Ferreira, que está deixando o carro em casa para ir ao trabalho.

“Só vou de carro ao trabalho agora quando está chovendo, pois meu gasto total por mês com combustível estava acima de R$ 500 e isso é um absurdo se formos comparar com o valor do salário mínimo”, diz.

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