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Estilo de vida ecológico da permacultura vem conquistando adeptos na cidade de Manaus

A permacultura é um sistema de design para criação de ambientes humanos sustentáveis. Na região Norte, a Tauá Porã é única iniciativa permacultural e ainda está em fase de adaptação 26/01/2016 às 20:31
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Coletivo “Tauá Porã” quer conscientizar as pessoas sobre o consumo de plantas alimentícias não convencionais
Kelly Melo Manaus (AM)

Carlos Hagge, 30, encontrou na permacultura um estilo de vida mais harmonioso para viver. Ele é de Porto Velho (RO), mas há um mês se mudou para Manaus em busca de um ritmo de vida mais tranquilo e sustentável e encontrou no coletivo “Tauá Porã Vila Mundo” exatamente o que procurava.

“Eu sempre tive afinidade com as questões ecológicas e na cidade, a gente tem um ritmo de vida muito estressante. Por isso quis me mudar e vir para um local mais reservado, onde eu posso estar mais próximo da natureza e produzir meu próprio alimento”, disse ele.

O local é que Hagge se refere é a casa Tauá Porã, que faz parte de um movimento  conhecido no mundo inteiro como “Cidades em Transição”, que busca modelos de cidades menos dependentes do petróleo  e mais integrada à natureza, e formas de subsistência mais sustentáveis e ecológicas. A casa está situada numa  área afastada da capital, dentro do bairro Tarumã, na Zona Oeste.

A partir do fim do mês, o local estará aberto para receber pessoas que desejam fazer trocar de experiências sustentáveis e queiram aprender como lidar melhor com a terra. Na região Norte, a Tauá Porã é única iniciativa permacultural e ainda está em fase de adaptação. “Nossa ideia é planejar comunidades mais sustentáveis e mais preocupadas com o meio ambiente. Existem várias iniciativas dessa natureza no mundo inteiro, como cidades, bairros e até ilhas. Mas no nosso caso, estamos implantando essa mudança de comportamento em uma casa”, afirmou um dos coordenadores do projeto, em Manaus, Alexandre Victor Ribeiro, 30.

De acordo com ele, a casa onde o projeto se desenvolve é uma casa comum, mas feita de tijolos artesanais. E no quintal, a plantação que cresce é reaproveitada no cardápio alimentar. “Às vezes a plantação cresce no terreno de casa e as pessoas acham que aquilo tudo é só mato. Mas não é bem assim, com o mínimo de conhecimento essas plantas não convencionais podem estar em nossa alimentação”, afirmou Alexandre, ao mencionar refeições agroecológicas e base de plantas como urtiga, que pode substituir a couve em uma salada, ou de uma flor, como a  damiana, que tem potencial energético e pode ser ingerida em forma de geléias e até chás.

O próximo passo da experiência, será buscar ideias sustentáveis para desenvolver um cozinha com fogão e forno solar. “Nós sonhamos com a questão energética e sabemos dos potenciais solar e gás com resíduo orgânico, mas pra começar, vamos instalar uma cozinha com fogão e forno solar, e assim  economizar gás e produzir alimentos mais saborosos”, explica o permacultor.

Lançamento

No próximo final de semana, a casa Tauá Porã será aberta para visitantes. A ideia do espaço será, não só receber pessoas para discutir sobre  problemas ambientais e medidas sustentáveis, mas também  servir de espaço ecocultural para ensinar as pessoas a cultivarem hortas em quintais, produzir adubo  sem química, oferecer cursos sobre como  manejar o solo corretamente, dentre outras iniciativas. “precisamos aproveitar a floresta ao máximo. Em vez de comprar um produto, porque não você mesmo fazê-lo? Essa é a nossa proposta”, afirmou o coordenador.

O lançamento contará também com exposição de artistas plásticos e apresentações de culturais  desde indígenas ao jazz. 

Oficina para o cultivo das plantas

Outra iniciativa da casa Tauá Porã Vila Mundo é promover oficinas para ensinar as pessoas a utilizarem as plantas alimentícias não convencionais (Pancs), ou seja, plantas que nascem facilmente no meio ambiente, mas que muitas vezes são consideradas daninhas ou sem utilidade.

Também são consideradas Pancs, plantas comuns, cujo consumo é restrito a algumas partes. Para desmistificar isso, grupo vai ensinar e fazer degustação de um refrigerante feito de Capim-cidreira, além de uma bebida com leve teor  alcoólico (natural) feita de abacaxi.

 “A Amazônia é muito rica e pode ser melhor aproveitada. Nesse sentido, também pretendemos desenvolver um plano de ação ambiental junto ao município, para termos um  paisagismo ecológico, aproveitando melhor as plantas nativas e também comestíveis, e que não precise de tanta manutenção, como é atualmente”, explicou Alexandre Ribeiro.

Pioneira

A casa Tauá Porã Vila Mundo é uma das 147 iniciativas permaculturais do Brasil e a única em atividade na região Norte.

Localização

O espaço fica localizado numa Área de Preservação Ambiental (APA), no Ramal do Laureano, às margens do Igarapé do Tarumã, na Zona Oeste. O local é rico em fruteiras e plantas não convencionais.