Publicidade
Manaus
Manaus

Estudantes do AM participam do programa Ciência sem Fronteiras

Dezenas de estudantes amazonenses terão a experiência de passar um ano estudando em outros países, recebendo bolsas de estudos. Três entrevistados por A CRÍTICA falaram sobre as expectativas deles 16/08/2014 às 14:48
Show 1
Fábio Henrique Dias de Oliveira, estudante de Engenharia Civil, comemora a oportunidade de poder embarcar com destino à Alemanha, no próximo dia 25
Ana Celia Ossame ---

Estudante do oitavo período do curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Caio César Motta das Neves, 21, já está na Hungria, para onde viajou na última sexta-feira com o objetivo de passar os próximos 12 meses. A exemplo de Caio, dezenas de outros contemplados pelo Programa Ciência Sem Fronteiras, do Governo Federal, como Fábio Henrique Dias de Oliveira, 20, do curso de Engenharia Civil, e Cássia Soares, 23, do curso de Engenharia Florestal, também partem nos próximos dias, ele para a Alemanha e ela para os Estados Unidos da América (EUA), onde poderão escrever um capítulo importante e inédito para a vida acadêmica e futuro profissional.

Caio inscreveu-se na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e indicou como país de destino a Hungria, da Europa Central, onde há campo para pesquisas na área de endocrinologia, na qual pretende especializar-se. A escolha foi determinada por conta da receptividade dada pelo país aos estudantes estrangeiros. “Minha expectativa é poder interagir com estudantes de outros países e conhecer as pesquisas desenvolvidas na área do meu interesse”, explicou o jovem, aprovado no exame de proficiência em inglês realizado após a seleção.

Ele foi selecionado para a Universidade de Szeged, uma das mais respeitadas tanto na Hungria quanto em nível internacional. Entre os seus ex-reitores, um foi o famoso Albert Szent-Gyogyi, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1937 por pesquisas realizadas na universidade. “Vou aproveitar bem essa oportunidade”, promete ele, que dessa forma vai suportar as saudades da família, namorada e amigos.

Alemanha

Outro que vai para a Europa é o estudante do quinto período de Engenharia Civil da Ufam, Fábio Henrique Dias de Oliveiras, que no próximo dia 25 parte para a cidade de Leipzing, na Alemanha, onde inicialmente vai passar seis meses aperfeiçoando-se no idioma nativo daquele país. “Eu estudei o básico da língua, por isso preciso aprofundar”, explicou. Um dos maiores desafios é o fato de ter que ir morar sozinho num lugar desconhecido, mas ele tem um amigo, Gabriel Oliveira, que já está naquele país e com quem mantém contatos desde que soube da seleção.

Fábio não sabe ainda para qual universidade vai ser indicado, pois esse processo será feito no próximo mês, quando abrir o processo de seleção, mas a expectativa dele é a mais positiva possível. “O fato de poder me aperfeiçoar no idioma local é um ponto muito positivo do programa”, disse ele, creditando elogios ao Governo Federal pela iniciativa de promover intercâmbio dos universitários.

A possibilidade de estudar numa universidade de qualidade dará um grau importante na formação, que Fábio não teria no Brasil. “Terei contato com um povo muito rico culturalmente, o que vai acrescentar muito na minha formação”, disse Fábio, lembrando da surpresa dos amigos quando compartilhou a ideia de ir para aquele país, de onde pretende trazer na bagagem não só a capacidade de conversar e escrever na língua alemã, mas também a vivência com uma cultura milenar que dará habilidades ímpares à sua vida.

Da floresta rumo aos EUA

Cássia Soares, estudante do 9º período de Engenharia Florestal da Ufam, prepara as malas para a viagem aos EUA que vai acontecer amanhã. O destino é a University of Minnesota, do campus de Crookston, onde inicialmente fará curso intensivo de inglês e, se atingir a nota mínima, iniciará disciplinas do mesmo curso feito aqui.

O sorriso e a leveza do olhar mostram bem a alegria da jovem, aprovada depois de um processo intenso e trabalhoso, conforme disse. “Depois de realizar a inscrição no site do Ciência sem Fronteiras, precisei realizar um teste de inglês, em seguida preenchi formulários, nos quais escrevi algumas cartas dizendo a razão de querer estudar nos EUA”, relatou a estudante. Isso tudo foi necessário para que Institute of International Education (IIE), uma organização norte-americana, sem fins lucrativos, especializada em promover o intercâmbio internacional de pessoas, pudesse traçar o perfil acadêmico dela e definir em qual universidade iria estudar.

Despedidas

Filha do engenheiro florestal Bosco Soares, Cássia disse que estudar no exterior era uma ideia que podia parecer difícil até a inscrição no programa do Governo Federal. Aprovada, ela não pensou duas vezes em seguir adiante e contou com o apoio dos pais. Já manteve, inclusive, contatos com outros estudantes selecionados para aquele país e não vê a hora de poder escrever no seu currículo e na vida pessoal, a oportunidade de estudar numa universidade de renome mundial.

Em números

101mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior. Esse é o propósito do Ciência sem Fronteiras, programa resultado de esforço dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do MEC.