Publicidade
Manaus
Manaus

Estudantes do Amazonas divulgam brigas na internet

Estudantes das escolas públicas do ensino médio, no Amazonas, adotaram uma prática para lá de violenta na internet. Eles brigam, filmam, editam e postam as imagens no site de compartilhamento de vídeo YouTube 08/08/2012 às 19:26
Show 1
Adolescentes filmam brigas e colocam na internet
Bruno Strahm Manaus (AM)

Estudantes das escolas públicas do ensino médio, no Amazonas, adotaram uma prática para lá de violenta na internet. Eles brigam, filmam, editam e postam as imagens no site de compartilhamento de vídeo YouTube. A “moda”, que cada vez mais vem ganhando adeptos, não possui nenhum tipo de controle.

A equipe do Portal acrítica.com encontrou cinco vídeos disponíveis para visualização, tanto em Manaus quanto em municípios do interior do Estado, como é o caso de Itacoatiara, a 176 km da capital.

Nos vídeos é possível observar que são cenas chocantes de violência gratuita e sem sentido, onde adolescentes vestidos com uniformes de escolas públicas se engalfinham entre si. Os alunos também são incentivados por terceiros que assistem e filmam a barbárie, sem nada fazer.

Dos cinco vídeos, disponíveis no YouTube, é possível verificar que todos envolvem meninas de 15 e 17 anos.


Conselho Tutelar

O coordenador do Conselho Tutelar da Zona Leste de Manaus, Alfredo Corrêa, diz que o acesso à tecnologia ao alcance dos jovens e adolescentes facilita a existência e veiculação de tais cenas.

“Quando recebemos uma denúncia da própria escola, ou anônima, sobre estudantes brigando nas dependências do local, ou nos arredores, vestidos com seus uniformes escolares nós acionamos os pais dos envolvidos para saber qual é o motivo da desavença. Agora, o que acontece hoje é que existe filmadora em qualquer celular, e essas brigas quando filmadas acabam ganhando uma proporção maior do que deveriam”, comenta o coordenador.

A mesma opinião tem Marcos Frota, coordenador do Conselho Tutelar da Zona Leste. Segundo ele, é impossível punir um jovem que pratica esse tipo de ação. “O que nós podemos fazer e fazemos é se caso necessário autuar os pais e adverti-los quanto o comportamento de seus filhos. Mas no caso específico envolvendo filmagens é necessário haver uma investigação sobre cada caso. Por exemplo, quem filmou, quem se disponibilizou a colocar este material na internet e como o site permite que este conteúdo esteja on-line. É bastante complicado”, diz Frota.



Punição aos responsáveis

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) por meio do Promotor de Justiça Adelton Matos, da Promotoria de Infância e Juventude Criminal, diz que só pode agir quando o trabalho de investigação da polícia está concluído. A partir do encaminhamento do resultado é que o MPE-AM pode agir dentro de algum Conselho Tutelar específico que atenda na zona da cidade, onde moram os alunos envolvidos.

Conforme informou a titular da Delegacia Especializada em Arupração de Atos Infracionais (DEAAI), os casos de violência quando registrados, são rigorosamente investigados, assim como são investigados os autores das filmagens e veiculação das mesmas na internet.

“Em casos de divulgação de imagens, em que todos os envolvidos, nos atos de violência entre jovens e a divulgação destes atos por filmagens e vídeos serão responsabilizados legalmente”, comentou a delegada Seixas.

Sem entrar em detalhes de quantos casos semelhantes já foram registrados na DEAAI, a delegada afirma todos seguem o mesmo procedimento após a denúncia.

“Feita a apuração e ouvidas às partes envolvidas será instaurado um procedimento próprio, o auto de investigação social é encaminhado ao Ministério Público”, explicou, acrescentando que a 31ª Promotoria da Adolescência, juntamente com o Juiz do Juizado da Infância e Adolescência, aplicam as medidas socioeducativas pertinentes,  como ocorre com os casos que já foram instaurados e apreciados pela DEAAI”, finaliza a delegada.