Publicidade
Manaus
Manaus

Ex-detento morto será 'convocado' a depor durante julgamento no Amazonas

Promotor diz que depoimento gravado de Elgo Jobel, assassinado em julho, será o primeiro na história do Tribunal do Júri do AM 02/08/2012 às 07:08
Show 1
Vítima era sócio da Anua Essenciais da Amazônia
Joana Queiroz Manaus

O promotor de justiça do 2º Tribunal do Júri, Ednaldo Medeiros, informou que vai convocar o ex-detento Elgo Jobel Guerreiro, mesmo ele tendo sido assassinado a tiros no mês passado, para depor no julgamento do quarto réu do processo da maior chacina do sistema penitenciário do Amazonas, ocorrida no dia 25 de maio de 2002 e que culminou com a morte de 14 pessoas. O julgamento do detento Elmar Libório Carneiro, o “Macaxeira”, acontece nesta quinta-feira (2) no plenário do Tribunal do Júri.

O promotor disse que Jobel será um dos primeiros a “ser ouvido”, já que ele foi a única testemunha arrolada pelo Ministério Público que depôs no julgamento dos três primeiros réus do caso: Gelson Lima Carnaúba, Marcos Paulo da Cruz, o “Goma”, e Francisco Álvaro Pereira, o “Bicho do Mato”, que foram condenados e cuja somatória da pena chega a 400 anos de prisão.

O promotor acredita que ouvir uma testemunha depois de morta é um fato inédito na história do Tribunal do Júri do Amazonas, mas como o depoimento da testemunha falecida está nos autos e tudo que consta nos autos pode ser usado no júri, ele não vê nenhuma ilegalidade.

Segundo Medeiros, o depoimento de Jobel será colocado no sistema de som do plenário para que todos os presentes ouçam o que ele disse, em vida, no julgamento dos outros réus.

Para Medeiros, o depoimento de Jobel no caso é completo: o que ele disse traz os detalhes de como funcionava, na época, o regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, localizada no km 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista), como a entrada de drogas e armas no presídio.

Ao final, ele dizia que termia morrer por estar testemunhando contra os principais líderes da rebelião. O promotor disse não ter dúvidas de que a morte de Jobel está ligada ao processo da chacina.

Elmar Libório Carneiro, o “Macaxeira”, estava foragido quando os demais réus do processo foram julgados. Todos são considerados de alta periculosidade. No depoimento que prestou em vida, Elgo Jobel acusou todos eles de serem os líderes da matança.

Armados
Na época da chacina, Jobel cumpria pena no Compaj e foi ele quem negociou com os rebelados a entregarem suas armas e se renderem.

“Já cumpri pena em penitenciárias no Paraná, Pernambuco e Paraíba e nunca tinha visto presos andando armados como vi aqui”.