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Falta de pagamento do Prosamim pode causar despejo entre famílias retiradas do igarapé do 40

Pelo menos dez famílias não recebem aluguel social há dois meses, por conta de problemas na Sefaz. Muitas moradias alugadas serão demolidas e os proprietários aguardam indenização 21/03/2013 às 11:30
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Assim como os vizinhos dela, a doméstica Francisca Rodrigues teme ser despejada por conta dos atrasos no aluguel
FLORÊNCIO MESQUITA ---

Dez famílias que foram retiradas das margens do igarapé do 40, na Zona Sul, para obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), em outubro do ano passado, estão sem receber aluguel social há dois meses. Todas passaram a morar em quartos alugados custeados pela Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) do Governo do Estado até que os apartamentos do conjunto Cajual, no Morro da Liberdade, para onde serão realocadas, sejam concluídos.

A maioria mora em pensões na rua Dr. Odilon, que também ficam próximas às margens do igarapé de onde saíram. O detalhe é que as moradias alugadas também serão demolidas e os proprietários dos imóveis aguardam apenas a indenização do Prosamim. Oito famílias correm o risco de despejo porque não têm como pagar o aluguel e os proprietários dos imóveis informaram que não podem mais esperar. Todos recebem ajuda de R$ 250 do Estado sendo que, nas duas pensões, os alugueis custam R$ 420 e R$ 400. Os valores dos meses de janeiro e fevereiro não foram depositados.

Um das prejudicadas é a comerciante Francisca Rodrigues dos Santos, 54. Ela mora na área há quase 30 anos e está indignada com a falta de respostas dos órgãos competentes. “Já denunciamos ao MPE, fomos ao escritório do Prosamim e nos encaminharam para a Suhab. A assistente social de lá só diz que o dinheiro vai ser depositado. O dono do quarto está cobrando o aluguel e eu não tenho como pagar. Eles vão mandar o aluguel depois que formos despejados? Pelo menos na beira do igarapé não tinha que passar essa humilhação”, reclamou a moradora.

Para a doméstica Maria do Perpetuo Socorro Pinheiro, 53, a situação está insustentável. “Estou devendo R$ 800, de dois meses de aluguel. Com base no nosso cadastro na Suhab eles sabem que os R$ 250 que eles dão não cobre o nosso aluguel. Quando depositarem o dinheiro no final desse mês já estarei devendo R$ 1.050”, disse.

Rosimar Monteiro da Silva, 38, está na mesma situação. Ela paga R$ 420 de aluguel e completa o pagamento com o valor repassado pela Suhab e o salário do marido dela.

Atraso

De acordo com a Suhab, o atraso ocorreu devido ao recesso da Secretaria do Estado da Fazenda (Sefaz) que libera os repasses dos recursos a todas as secretarias do governo. A superintendência explicou que, nos meses de janeiro e fevereiro, as liberações são suspensas para balanço da Sefaz, o que resulta nos atrasos. Ainda conforme o órgão, os alugueis sociais precisam ser atualizados todos os meses com apresentação de documentos por parte dos moradores, o que também contribui para o atraso, uma vez que, só pode encaminhar os processos para a liberação de recurso com a documentação completa.