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Manaus
BICICLETAS COMPARTILHADAS

Falta de 'trafegabilidade' e estrutura das ruas atrapalham projeto 'Manô', dizem ciclistas

O projeto de bicicletas compartilhadas implantado em onze localidades no Centro de Manaus é alvo de críticas por parte dos manauaras 17/11/2017 às 23:10 - Atualizado em 18/11/2017 às 08:07
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Sem faixas exclusivas para bicicletas nas ruas do Centro, o risco de acidentes afasta os adeptos do pedal do projeto. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

Seis meses após a inauguração, o Manô Bike, projeto de bicicletas compartilhadas implantado em onze localidades no Centro da capital amazonense, ainda é alvo de críticas - as principais relacionadas à difícil “trafegabilidade”, reflexo do trânsito caótico e da falta de faixas exclusivas para bicicletas.

Onze estações de bicicletas foram instaladas em áreas do Centro Histórico, como a avenida Eduardo Ribeiro, Praça do Congresso, Mercado Adopho Lisboa e Paço Municipal, mas, apesar de considerados pontos turísticos e estratégicos, as bicicletas não têm atraído a atenção das pessoas que passam pelo local diariamente.

O professor Afonso Pina, 52, disse que a ideia é boa, mas não foi pensado em estrutura para que as pessoas utilizem as bicicletas com segurança. “Estava aqui lendo as informações, mas é um sistema que não dá segurança ao ciclista. Aqui a pessoa precisa disputar o espaço com os carros, bem diferente de outros estados que têm esse sistema. Essa insegurança afasta as pessoas dessa iniciativa”, disse. 

A dona de casa Creuza da Silva dos Santos, 35, contou que passa todos os dias em frente de, pelo menos, quatro estações de bicicletas e, apesar de gostar e sentir vontade de pedalar pelas ruas do Centro, evita porque tem medo de sofrer acidentes. Para ela, ainda falta ordenamento no trânsito.

“O Centro de Manaus tem áreas que são muito bonitas, eu tenho vontade de sair para passear com meus filhos e sobrinhos, mas penso bem e sempre desisto. Não existe uma faixa exclusiva para quem pedala. Já é perigoso andar aqui no Centro a pé, de bicicleta nem se fala. Tenho vontade, mas evito”, afirma. 

Para o estudante Antônio Meirelles, 18, o principal motivo do Manô Bike não ser tão atrativo também é a falta de faixas exclusivas. Ele criticou a implementação do projeto, feita sem discussão com a sociedade, que poderia apontar outras áreas para receber as estações.

“Será que foi feito um estudo de verdade? Será que eles ouviram a população? A proposta das bicicletas compartilhadas é ótima, mas Manaus não tem estrutura para isso. Eles sempre fazem esses projetos sem consultar a população, sem fazer um projeto. Querem fazer na marra, aí fica complicado mesmo”, analisou o jovem.

Sistema complicado

Outra crítica é com relação ao aplicativo para utilizar as bicicletas. Para a estudante Mayara Nayanne da Gama, 22, muitas pessoas não têm acesso à internet nem cartão de crédito e acabam ficando apenas “na vontade” de utilizar as bicicletas.

“Eu já usei e gostei muito, superei o medo de andar entre os carros, com os motoristas buzinando e apressando o ciclista. Mas acredito que devia ter sido pensado de uma forma que qualquer pessoa pudesse utilizar. Acho que, em cada posto de bicicleta, deveria ter um funcionário orientando as pessoas e, nesse mesmo local, poderia receber o valor do aluguel ou um tipo de acesso para liberar o uso para quem não tem cartão”, sugeriu a estudante.

'Solução mais simples'

O Portal A Crítica entrou com o Instituto Municipal de Planejamento Urbano, responsável pelo Manô Bike, para questionar se há estudos para implantação de faixas exclusivas para ciclistas no Centro. O Implurb informou apenas “que as ciclorrotas são uma solução adotada por várias cidades para projetos de ciclomobilidade, sendo um modelo mais simples, fácil de implantar e com pouco impacto viário”.

Utilização depende de cadastro

Para utilizar o Manô Bike, o usuário precisa fazer um cadastro no aplicativo  ou no site. Ele, então, terá a opção de adquirir um passe mensal, que custa R$ 10, ou o diário, que custa R$ 5, e não pagará valor adicional, desde que use as bicicletas de acordo com as regras. O uso pode ser de 60 minutos ininterruptos.

As onze estações de bicicletas compartilhadas foram instaladas nas ruas: Luiz Antony; Bernardo Ramos; Rua dos Barés; Miranda Leão; Joaquim Nabuco; Praça da Polícia; Eduardo Ribeiro; Dez de Julho; Ramos Ferreira, 24 de Maio e na rua Lima Bacuri.

Logo no primeiro mês de funcionamento, quatro bicicletas do projeto Manô Bike foram alvos de vandalismo. No caso mais grave, o guidom de uma bicicleta foi cerrado. O fato ocorreu na estação 9, que fica no Mercado Municipal Adolpho Lisboa.