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Família de designer assassinado há 11 meses ainda espera por justiça

Parentes do designer Rubem Márcio Chaves dizem que investigações sobre a morte dele estão paradas há quatro meses  14/08/2012 às 09:05
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O designer Rubem Márcio, morto em setembro de 2011, deixou dois filhos: um de cinco anos e outro de um ano de idade
Florêncio Mesquita ---

Quase um ano depois do designer Rubem Márcio Souza Chaves, 32, ter sido morto em um assalto no conjunto Jardim Oriente, no Parque 10, Zona Centro-Sul de Manaus, familiares ainda aguardam uma solução da polícia para o crime. A família de Rubem está há quatro meses sem informações sobre a investigação e considera que a apuração está parada. Familiares do designer têm medo que o crime caia no esquecimento e continue sem solução com os criminosos à solta.

Rubem foi morto com um tiro no coração quando deixava a professora Regivane Aquino na casa dela, na rua Alexandre Magno, no conjunto Jardim Oriente. Ele estava em um em veículo Gol de cor prata, com a amiga, quando foi abordado por volta de 1h da madrugada do dia 5 de setembro, por dois suspeitos que estavam em uma motocicleta. O garupa da motocicleta bateu no vidro do carro com uma arma e Rubem tentou fugir dando ré no carro. O suspeito disparou e o carro de Rubem colidiu contra o muro de uma da casa. A investigação só foi iniciada dois dias depois do crime por conta dos feriados dos dias 5 e 7 de setembro.

 O primeiro passo foi a instauração do inquérito policial pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Dois dias depois do assassinato, a polícia submeteu o vídeo da câmera de segurança de uma casa vizinha à perícia para identificar o homem que atirou contra o designer. A então delegada da DEHS, Débora Mafra, acreditava que se tratava de um latrocínio (assalto seguido de morte), mas nada de Rubem Márcio foi levado. Na época, a delegada informou que as imagens mostravam o veículo da vítima, a motocicleta chegando, o carona descendo e se dirigindo ao carro de Rubem. O assassino bate no vidro, fala algumas palavras para ele, atira, sai correndo e o carro de Rubem bate contra o muro. A família de Rubem conta que mais testemunhas, principalmente vizinhos da professora, poderiam ter sido ouvidos pela polícia.

Até setembro de 2011, cinco pessoas já tinham prestado depoimento à especializada em homicídios, incluindo a professora Regivane. Segundo a família da vítima, o último encontro com a atual titular da DEHS, Cristina Portugal, ocorreu em abril. Desde então, os familiares de Rubem alegam que não receberam mais nenhuma informação sobre o caso. Na ocasião, os familiares disseram que Portugal afirmou que a investigação continuava e que o crime se caracterizou como homicídio. A Polícia Civil do Amazonas informou que a delegada Cristina Portugal assumiu o caso, mas que precisa estudar o inquérito para falar sobre o assunto já que quem começou a a investigação foi a delegada Débora Mafra. Ainda segundo a Polícia Civil, Portugal poderá falar sobre o crime na próxima quarta.

Formação
Rubem Márcio Sousa Chaves tinha 32 anos, nasceu em Santarém (PA) e morava com os pais e irmãos em Manaus. Era o caçula de quatro filhos. Era formado em Desenho Industrial com habilitação em Programação Visual e especialista em Tecnologia Multimídia, ambos pela pela Universidade Federal do Amazonas, além de ser professor universitário.

Blog
João Ricardo* *Parente de Rubem Márcio com nome fictício
 “A morte do Rubem mudou nossas vidas. A gente vive em uma insegurança muito grande, abalado. Ele era uma pessoa do bem e honesta. A gente percebeu que a violência pode acontecer com qualquer pessoa a qualquer momento. Não importa se de dia ou noite. Meus pais até hoje vivem com grande tristeza e indignação. Nenhum pai está preparado para perder um filho porque não é a ordem natural das coisas. A gente espera um desfecho, só que até agora não tivemos nenhum retorno da polícia. Sabemos o quanto é difícil investigar, mas são eles que têm que apurar o crime e não o cidadão”.