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Manaus
MEDULA

Família pede ajuda para jovem que perdeu movimentos após câncer de medula

Vindos de Borba e morando de favor em Manaus, eles estão sem trabalho e precisam comprar remédios, fraldas e hidratantes 16/08/2017 às 17:37 - Atualizado em 11/09/2017 às 13:56
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Reicimara, de 20 anos, e a filha de 4 anos (Foto: Divulgação)
Vinicius Leal Manaus (AM)

A partir desta quinta-feira (17), Reicimara Maciel de Souza, de 20 anos, natural de Borba, no interior do Amazonas, iniciará (mais um) novo desafio em sua vida: ela vai começar a fazer radioterapia em um hospital de Manaus como parte do tratamento de combate a um câncer de medula. Até então vivendo normalmente no interior do Estado, a jovem jamais imaginaria que num curto período de tempo, cerca de dois meses, sua vida mudaria completamente: de uma dor na nuca, ela perdeu todos os movimentos do pescoço para baixo e hoje vive acamada e respirando com ajuda de aparelhos no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), na capital amazonense.

Pouco depois do início da doença, em maio, ela e a família vieram de Borba para Manaus para fazer o tratamento. Porém, sem trabalho e morando de favor em casa de conhecidos, os parentes passam por dificuldades. Eles iniciaram uma campanha para arrecadar recursos e ajudar na compra de remédios, fraldas e itens de cama e higiene e, quem sabe, alugar uma casa. “Somos de uma comunidade do interior de Borba, a Caiçara, e a gente não tem casa aqui (Manaus). Estamos na casa de um conhecido e as coisas se tornam muito difíceis para nós. Minha filha tem um problema sério de tumor na medula, ela não se movimenta do pescoço para baixo”, explicou a mãe da moça, a merendeira Regina Maciel de Souza, 42.

Sendo a única com renda fixa por ser funcionária pública de uma escola municipal de Borba, Regina conseguiu se afastar do emprego para vir a Manaus. Porém, o dinheiro não é suficiente para custear os medicamentos e os “extras” não pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, nem ela, nem o pai de Reicimara, Mário Assunção de Souza, 49, ou o marido da moça, Celison Moreira Maciel, 22, podem trabalhar, já que precisam se revezar como acompanhantes da moça no hospital e no cuidado da filha de Reicimara, uma garotinha de 4 anos, também morando em Manaus. “Já dei entrada no INSS para ela receber aquele benefício”, disse a mãe esperançosa.

Dor, viagem e início do tratamento

Tudo começou no dia 30 de abril deste ano. Reicimara estava em casa, com a família, quando sentiu uma forte dor no pescoço. Aos poucos, o corpo dela foi paralisando e, já no dia seguinte, 1º de maio, foi internada em um hospital de Borba. “Ela tinha uma vida normal de interior, pescava, jogava bola, fazia todo tipo de atividade e não sentia dor de cabeça. Terminou o 3º ano e morava com o marido e a filha na casa da sogra. Foi quando veio essa dor no pescoço, que foi endurecendo tudo, ficando rígido. Ela ficou trêmula e foi perdendo os movimentos”, explicou a mãe.

Dois dias depois, Reicimara foi transferida para o Hospital e Pronto Socorro João Lúcio, na capital. “Quando ela chegou ao João Lúcio ainda andava, não bem, mas andava com apoio. Conseguia ir ao banheiro, mas depois não conseguiu mais”. Entretanto, o diagnóstico de câncer de medula demorou a acontecer. “Ela passou dias no João Lúcio e fizeram exames no Tropical (Fundação de Medicina). Pelo exame, disseram que minha filha estava com meningite, mas depois viram que não era isso. Ela precisou fazer uma ressonância e uma tomografia, que pagamos com ajuda de conhecidos e dos profissionais da saúde, até descobrirem o tumor”, afirmou a dona Regina.

Desde o diagnóstico, no dia 9 de maio, Reicimara foi transferida para o HUGV. “Ela estava na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), mas agora foi para o isolamento para preservá-la e protegê-la de bactérias, virose. Ela está lúcida, mas estava entrando em depressão. Agora vamos começar a radioterapia. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) vai pegar ela na HUGV e levar para a clínica da Sensumed, mas ela depende de ventilador mecânico para respirar, se alimenta através de sonda e usa uma bolsa para urinar. Além de não sentar, vive acamada e toma banho no leito. É uma doença é horrível. Graças a Deus está estável”, relatou a mãe.

Campanha e sonho de moradia

Atualmente, a mãe, o pai, o marido e a filha de Reicimara se revezam morando em duas casas de conhecidos, uma residência no bairro Praça 14, próxima ao HUGV, e outra na comunidade João Paulo, no Jorge Teixeira. “Essa conhecida tinha um quarto desocupado e conseguimos ficar lá. Vou andando para o hospital. Mas é um beco com escada, e dependendo da situação da minha filha talvez ela precise ir morar com a gente. Mas não tem condições de ela ficar lá, é de difícil acesso. Não pretendíamos ficar muito tempo nessa casa (Praça 14). Estamos pensando em alugar um quarto, um local, de preferência que dê para ficar com ela”, disse a merendeira.

Além de recursos para alugar um imóvel, a família também precisa, principalmente, de dinheiro para custear remédios e itens não garantidos pelo SUS. “A gente gasta muito com ela. O material que usamos nela é por nossa conta”. Entre as necessidades de Reicimara estão material de higiene e limpeza, fraldas tamanho M, óleos e hidratantes corporais, cremes para assadura, itens de cama como fronhas e lençóis, além do conjunto de remédios, cada um custando entre R$ 100 a R$ 200 e que precisam ser renovados mensalmente. Para ajudar, as doações podem ser feitas para a conta 6.205-7, agência 4718-X, Banco do Brasil, sob nome Regina Maciel de Souza. Número de telefone (92) 9603-5948 e 99316-0558.

‘Foi desesperador’

“Isso nunca aconteceu na nossa família. Somos humildes, do interior. Aquela situação que passamos no Hospital João Lucio, não esqueço. É desesperador. A pior coisa é ter um filho sofrendo e não poder fazer nada. Minha filha ficou num corredor, em cima de uma maca, com muita dor. Mandaram a gente dar banho nela e minha filha gritando de dor. É revoltante. Depois viemos para o HUGV já conseguiram controlar a dor, porque tinha o diagnóstico. Agradeço muito a ajuda que estamos recebendo deles”, disse Regina.