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Famílias atingidas por incêndio na Zona Centro-Sul de Manaus, não têm para onde ir

Com medo do futuro incerto, moradores improvisam lugares para dormir e tentam reerguer casas 21/04/2012 às 09:28
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Micaele Borba, 12, que divide um barraco de um cômodo com a vizinha por que não tem espaço na casa da mãe, se diz assustada com o que vê todos os dias
Carolina Silva ---

As 130 famílias que tiveram as casas atingidas pelo incêndio ocorrido na última quarta-feira, no beco Bragança, bairro Presidente Vargas, antiga Matinha, Zona Sul de Manaus, afirmam que o futuro delas é, por enquanto, incerto. Dois dias depois da tragédia que destruiu mais de 60 casas de madeira, as 650 pessoas que ficaram desabrigadas contam com a ajuda de voluntários, do Governo do Estado e da prefeitura. O pedreiro Francisco Simplício, 45, ainda está muito abalado e diz que ainda não sabe por onde recomeçar sua vida. “Eu perdi tudo. Só fiquei com a roupa do corpo. Não acredito que as coisas que comprei com tanto sacrifício foram destruídas rapidamente, durante minutos”, lamentou.

Francisco estava trabalhando num canteiro de obras quando ouviu, pelo rádio, no celular de um colega, que o incêndio de grandes proporções estava ocorrendo naquele momento na área onde morava. “Saí do trabalho e fui pra lá, mas quando cheguei já não tinha mais nada da minha casa. Já era tarde demais”, disse. O que restou para seu Francisco foi apenas a lembrança da casa 19A, com uma sala, um quarto, uma cozinha e um banheiro. Com a ajuda do aluguel social, no valor de R$ 240, benefício concedido pelo Governo Estadual, Francisco está morando temporariamente em uma quitinete, próximo ao local da tragédia. “É difícil dizer sobre minhas expectativas daqui pra frente. Enquanto isso, vou ter levar a vida com o que estiver ao meu alcance”, relatou o pedreiro.

A adolescente Micaele Borba, 12, divide um barraco de um cômodo com a vizinha, pois a mãe, Michele Barbosa, 28, divide outro barraco com mais dois filhos pequenos. No dia do sinistro, o fogo tomou conta de uma parede do barraco de madeira e o deixou parcialmente destruído. Ao contrário do seu Francisco, a única ajuda que elas receberam foi uma cesta básica. Sem condições financeiras para se mudarem, a adolescente e a vizinha improvisaram uma parede com lençol para continuarem morando no barraco atingido pelo incêndio. “Infelizmente não tem espaço no barraco onde eu moro pra trazer a minha filha e não temos como sair daqui. Vamos embora pra onde? Temos medo que isso venha a desabar a qualquer momento porque está balançando muito e outra tragédia aconteça, mas estamos esperando a ajuda do poder público”, disse Michele. A pequena Micaele também relata que é assustador deparar-se com um cenário de destruição à sua frente. “É estranho dormir e acordar vendo tudo destruído e lembrar daquele dia. Só me lembro das pessoas gritando, chorando e tentando salvar as suas coisas. Esperamos que em breve alguém possa nos ajudar a sair dessa situação”, contou a adolescente.