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Famílias que perderam casas em incêndios ainda aguardam para receber indenizações

As famílias que receberam benefícios do Governo do Estado, se mudaram para bairros das Zonas Leste e Norte, mas muitas pessoas continuam morando em casas de parentes, até no mesmo local do incêndio, por conta de impasses na entrega de imóveis e pagamento das indenizações 16/08/2012 às 07:03
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Moradora do bairro Presidente Vargas, Zuleide Paiva teve a casa destruída em abril deste ano, no incêndio que destruiu outras 70, e mora na casa do filho porque não recebeu o imóvel prometido pelo Estado
Milton de Oliveira Manaus

Famílias vítimas de incêndios ocorridos nos últimos três anos nos bairros Raiz, na Zona Sul de Manaus, e Presidente Vargas (Matinha), na mesma zona, continuam vivendo de ‘favores’ de amigos, vizinhos e parentes, enquanto ainda esperam receber casas do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) ou indenizações do Estado.

As famílias que receberam benefícios do Governo do Estado, se mudaram para bairros das Zonas Leste e Norte, mas muitas pessoas continuam morando em casas de parentes, até no mesmo local do incêndio, por conta de impasses na entrega de imóveis e pagamento das indenizações.

Morando em uma casa emprestada no beco Ypiranga, bairro Raiz, desde 2009, ano em que um incêndio destruiu 12 residências no bairro, a dona de casa Gleide Sá, que teve a casa incendiada, tenta conciliar a vida de funcionária de restaurante e mãe de três crianças, um deles, de 15 anos, que sofre de epilepsia. Desde que perdeu tudo no incêndio, ela vive com os filhos em palafita na mesma área de risco onde ficava sua antiga casa.

“Depois que a minha casa pegou fogo, fizemos um cadastro e nos disseram que seríamos indenizados. Fiquei cansada de esperar, fui até a Defesa Civil do Estado e disseram que o dinheiro das indenizações havia acabado”.

O incêndio no bairro da Raiz aconteceu em 21 de outubro de 2009 e mais 40 famílias foram desabrigadas pelo fogo naquela tarde.

Impasse
Já as famílias da comunidade Bariri, no bairro Presidente Vargas, afetadas pelo incêndio que aconteceu em abril deste ano, reclamam do impasse no pagamento das indenizações, pelo Estado.

“A maioria dos afetados era de proprietários das casas, havia pouquíssimos inquilinos. Agora, eles alegam que somos inquilinos e querem pagar apenas R$ 6 mil, quando, na realidade, o valor pago aos proprietários é de R$ 35 mil”, disse o morador Elias de Souza, 50.

Elias, que também teve a casa destruída pelo fogo, está vivendo em imóvel cedido por um amigo até hoje, a exemplo de Gleide. Já para a moradora Zuleide Paiva, 59, só interessa a residência nova. “Hoje eu moro com meu filho porque, até agora, ninguém informou nada. Não sei quando vou conseguir  sair daqui”, desabafou.

No Bariri, o incêndio aconteceu dia 18 de abril e destruiu cerca de 70 casas, localizadas em uma área de risco às margens de um igarapé.

Indenizações já concluídas
A assessoria do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) informou que, antes mesmo do incêndio ocorrido em 2009, na Raiz, já existia o projeto para a retirada das famílias do local e, por isso, elas foram cadastradas ainda em 2007.

Depois do incêndio, em 2009, o atendimento às famílias não foi feito pelo Prosamim, mas através de ação emergencial da Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab).

Já a Suhab informou que as famílias afetadas pelo incêndio na Raiz foram atendidas com indenizações no mesmo ano do ocorrido.

Meta
A meta do Prosamim é retirar, até 2014, 2.309 famílias do entorno do igarapé do Quarenta, que inclui os bairros Raiz, Betânia e Japiim.

O subsecretário executivo do Subcomando de Ações de Defesa Civil (Subcomadec), Hermógenes Rebelo, foi procurado, mas não atendeu as chamadas ao telefone 84XX-XX08.

Área de risco não está interditada
Apesar de interditada após o incêndio que destruiu 70 casas em abril deste ano no bairro Presidente Vargas, a área de risco às margens do igarapé de São Raimundo, no entorno do local do sinistro, continua ocupada por famílias que vivem em palafitas.

O local não possui nenhuma placa de identificação que sinalize que se trata de uma área de risco. Um cenário composto por tocos queimados, móveis velhos e lama se mistura ao colorido das casas que ‘sobreviveram’ ao fogo.

O morador Elias de Souza, 50, é um dos que não saiu do local, mesmo após a tragédia e o prejuízo de perder tudo no incêndio. “Lembro que estava dormindo quando acordei com os gritos e só deu tempo de sair correndo. Assisti minha casa ser consumida pelo fogo”, lembrou ele, que está desempregado.

Agora, Elias observa, da palafita onde está morando, o local onde ficava sua casa, só identificado por seis tocos carbonizados e uma cadeira de ferro enferrujado.

Educandos
Ao contrário do que aconteceu nos bairros Raiz e Presidente Vargas, os moradores do bairro Educandos, Zona Sul de Manaus, que tiveram suas casas destruídas durante um incêndio ocorrido em 1º de agosto de 2008, próximo à feira da Panair, receberam indenizações de R$ 22 mil e se mudaram para bairros, principalmente, das Zonas Leste e Norte da cidade.

Presidente Vargas
Sobre o incêndio ocorrido no bairro Presidente Vargas,  o Prosamim informou que cadastrou 560 famílias que moravam próximo ao local do incêndio e que o atendimento emergencial foi feito pela Suhab. Segundo a Suhab, as famílias serão indenizadas com bolsa moradia, auxílio moradia e unidades habitacionais. A previsão para conclusão dos processos é ao final de setembro. 

As famílias cadastradas pelo Prosamim no bairro Presidente Vargas chega ao número de 560.  Desse total, 80 residiam em área próxima ao beco Bragança e foram prejudicadas pelo incêndio, que ocorreu na manhã do dia 18 de abril.