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Manaus
Política, Eleições Municipais 2012, Prefeitura de Manaus, Serafim Corrêa

"Farei cinco creches em cada Zona da cidade", afirma Serafim Corrêa

Pioneiro na divulgação de gastos da prefeitura e idealizador de programas como o Bolsa Universitária, ex-prefeito quer novo mandato para continuar trabalho iniciado em 2005 23/09/2012 às 16:04
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Serafim se diz orgulhosos sobre as realizações de sua gestão, e pretende continuar o que não fez no primeiro mandato
Rosiene Carvalho Manaus

O ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa (PSB) quer repetir o cenário eleitoral dos últimos dois pleitos e passar para o segundo turno em 2012. Quarto candidato em tempo de TV e rádio (com 2 minutos e meio), Serafim aposta na capacidade de avaliação da população entre a gestão dele e a atual para conquistar o eleitorado indeciso nos últimos 14 dias da disputa. Para isso, promete elevar o tom dos discursos e apontar armas para os dois adversários que aparecem mais bem cotados nas pesquisas (Artur Neto e Vanessa Grazziotin).

Nesta entrevista à jornalista Rosiene Carvalho, do Caderno de Política, do jornal A Crítica, Serafim apresenta-se como a melhor opção para resolver os problemas de Manaus e diz que os carros-chefes de sua campanha são programas como o ‘Mãe manauara’, ‘Um computador por aluno’ e ‘Academias a céu aberto’.

Por que o senhor quer ser prefeito de Manaus de novo?
Quero ser novamente prefeito de Manaus para fazer mais pela minha cidade. Tudo que eu fui na minha vida eu devo a Manaus. Foi aqui que eu nasci, me criei, casei, estudei, vi nascer meus filhos. Eu me sinto mais preparado para enfrentar os desafios da cidade. Queremos discutir novidades, propostas novas como Mãe manauara, Um computador por aluno e como academia a céu aberto. Olhando para o futuro..

O senhor acha que os eleitores que lhe negaram à reeleição em 2008 mudaram de ideia?
O ano de 2008 ficou lá atrás, estamos em 2012. O que está em julgamento é a prefeitura do Amazonino. Embora ele tenha tido R$ 4 bilhões a mais, a minha gestão foi muito além. Ele não é candidato, mas tem duas candidaturas nesta eleição: a de Vanessa (Grazziotin, PCdoB) e a do Artur (Neto, PSDB), que é apoiado pelo PDT do Amazonino, por todos os vereadores da base que aumentaram o IPTU, que criaram a taxa do lixo, que não disseram nada quando acabou a integração temporal, a domingueira e a meia passagem na catraca.

A desistência de Amazonino da reeleição fez falta a Serafim Corrêa, porque há nove meses havia uma polarização entre vocês dois?
Não digo que fez falta. Mudou o cenário. Antes você ia comparar as duas gestões, os dois estilos. Aí, teve o recuo tático dele que quer ser governador em 2014.

Qual será a postura de Serafim Corrêa para esta fase final da campanha eleitoral?
Queremos mostrar ao eleitor o que vamos fazer. Mas não podemos deixar de lado a questão política e tem que ficar claro que oposição somos nós: PSB e PSOL. Toda a base do prefeito está na candidatura de Artur. E o PT, com duas secretarias municipais, está de corpo e alma na candidatura de Vanessa.

Mostrar no seu programa o governador Omar Aziz falando da dificuldade de contato com o Governo Federal foi uma tentativa de desconstruir o carro-chefe da campanha da senadora Vanessa Grazziotin?
O governador Omar Aziz prestou um importante serviço nessa campanha porque desmoronou o castelo de cartas da candidata que ele apoia. Ela diz que a Dilma vai fazer e o governador vem a público e diz que a Dilma não atende o telefonema dele. O ministro da Fazenda também.

O senhor acha que uma declaração dessas é dada de forma inocente a essa altura da campanha eleitoral?
Inocente não. A essa altura da minha vida... Eu entendo aquilo como ele falando a verdade e fazendo um desabafo. Não existe isso da presidente da República está preocupada com a eleição em um município tendo mais de 5.565 para se preocupar.

Muitas das obras concluídas por Amazonino foram de convênio firmados na sua gestão...
Basta entrar no site da Secretaria do Tesouro Nacional e você vai ver que na minha época eu consegui R$ 500 milhões para obras em Manaus. Lamentavelmente, esses recursos ficaram para o Amazonino como o do viaduto, do Prourbs, do Mindu, da água. E é isso que eles estão tentando esconder e é isso que preciso dizer para a população. Mas tenho 2 minutos e 35 segundos. Aí, o cobertor é curto.

Como o senhor se sente ao ver ações da sua administração virando proposta de outros candidatos?
Honrado. Porque eles conhecem a viabilidade das minhas propostas. Agora, não dá para a Vanessa falar em domingueira e integração temporal porque foi o prefeito dela que acabou.

O senhor acha que os outros candidatos têm preparo técnico para resolver os problemas de Manaus, como o da água?
Eu respeito todos. Agora, eu vivi intensamente a questão da água e vivo ainda. Nas minhas caminhadas, as pessoas vêm falar comigo e dizem: Serafim, no teu tempo tinha água e agora não tem. Vejo algumas barbaridades que as pessoas falam sobre as questões, seja da água, seja de outros problemas que a cidade de Manaus enfrenta.

Candidatos?
Sim. Demonstram completo desconhecimento de causa.

O que o senhor acha sobre a proposta de quebra do contrato com a concessionária de água?
As pessoas que falam em quebra nunca leram o contrato. Se tivessem lido, tinham visto que significa jogar R$ 8 milhões pela janela e não colocar um litro de água na casa de ninguém. Nós tínhamos duas estruturas: uma técnica formada por engenheiros e uma que ouvia a população. A cobrança era todos os dias e o dia todo. No dia 1º de janeiro de 2009, essas duas estruturas foram desmontadas. E deu no que deu.

Como o senhor vê a decisão do governador Omar Aziz em colocar torneiras para distribuir a água do Proama?
Ridícula, né? Gastar R$ 500 milhões para instalar 16 torneiras.

O que o senhor acha que mais atrapalhou a sua gestão?
A falta de recursos foi uma. É bom lembrar que naqueles quatro anos o Governo do Estado tirou de Manaus R$ 200 milhões e entregou para Coari. Acho que o Governo do Estado faria um grande serviço a Manaus assinando um convênio e devolvendo esse recurso à cidade o que, com a correção, dá R$ 400 milhões.

O senhor não gosta de falar da sua gestão?
Não, falo com muito orgulho. Setenta e oito mil famílias têm água por causa da minha gestão. A escola de portadores de necessidades especiais fui eu que fiz. Imagine a Recife sem o viaduto Miguel Arraes. Imagine a cidade sem a alternativa da Maceió, sem a maternidade Moura Tapajós, sem a creche no Riacho Doce, os 25 mil títulos de terra em nome de mulheres, os 10 mil funcionários nomeados para a prefeitura mediante concurso público, 500 salas de aula, Parque dos Bilhares, Lagoa do Japiim. Fiz muita coisa.


O que deu errado?
Eu tive contra mim sete horas de propaganda direta. Nunca ninguém soube quem pagava esses horários na TV. Depois, esses programas desmontaram com ligação com crime organizado. Se você andar na cidade hoje, está toda esburacada coberta de lixo e não vejo um programa desses falar mal.

As alianças políticas não deram uma sustentação para o senhor como prefeito?
Não faremos concessão para entregar secretarias a partidos. Isso foi feito lá atrás e não deu certo. Até no aspecto eleitoral esses partidos, na hora da verdade, pularam fora. E acharam isso absolutamente normal.

O seu filho e candidato a vereador Marcelo Serafim pode vir a ocupar alguma secretaria novamente?
Não. Inclusive, está no nosso programa de governo que nenhum parente meu ou do vice, Marcelo Ramos, ocupará qual qualquer cargo no município.

Na época em que senhor foi prefeito, houve críticas sobre as interferências do seu filho no seu governo...
Eu considero que o Marcelo foi muito injustiçado nessa questão. Ele foi secretário durante 15 meses de articulação de políticas públicas numa secretaria que não tinha sequer orçamento e enfrentou as maiores pedreiras. Agora, uma coisa que é preciso dizer é que Serafim Corrêa e Marcelo Serafim são pessoas diferentes, temos CPFs diferentes.

A falta de creche em Manaus é um problema histórico na cidade. O senhor tem proposta de construir quantas?
Em 343 anos de cidade, 95 prefeitos, só um fez creche e fui eu. Acho que eu mereço uma medalha. Mas a nossa proposta é fazer cinco em cada zona da cidade.

Curiosidades
Católico praticante e devoto de Maria o ex-prefeito, tem como passatempo preferido navegar na internet, condena o uso da religião para alavancar votos na campanha eleitoral

Qual a sua opinião sobre o aborto?
Sou contra.

E sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Deus fez o homem e a mulher. O nosso Código Civil diz que o casamento é entre o homem e a mulher. O que o Supremo Tribunal Federal pacificou foi a questão previdenciária e patrimonial. E vamos manter isso. Não há casamento gay.

Qual a sua religião?
Católico.  Mas respeito todas as religiões. A Marcha para Jesus entrou no calendário da cidade por uma lei que eu sancionei, um projeto da vereadora Cláudia Janjão. Não tenho nenhuma dificuldade com nenhuma religião, mas não uso a religião para ganhar votos. Acho que não tem que envolver igreja com política.

Vai à missa?
Sim. Às 19h, todos os domingos, com o padre Mauro na Nossa Senhora das Graças.

É devoto de Maria?
Sim, e como todo português, de Nossa Senhora de Fátima.

Qual o seu lazer?
Sou muito de ficar em casa. Meu lazer é ficar direto na Internet. Sou um internauta, tenho blog, Twitter e Facebook.

Pratica esporte?
Faço caminhadas e pilates.

Há muito tempo?
Há um ano e meio, mas agora parei porque o ritmo ficou acelerado. Me dei muito bem. Tenho duas hérnias de disco, já tinha tentado tudo e nada resolveu. Pilates resolveu.

Pratica sozinho?
Não, eu e minha esposa.

 O senhor vai ao cinema?
Já deve ter uns 20 anos que não vou ao cinema.

Qual livro o senhor está lendo?
Um livro muito bacana “O real Itamar”. É um resgate do Itamar Franco. Uma história muito bacana.

Quantos netos o senhor tem e como é o avô Serafim?
Eu tenho três netos e seis sobrinhos netos com idades entre 1 e 10 ano. A família sempre se reúne em torno dessas nove crianças. Eles são a quinta geração da minha família.