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Farinha está mais cara que o peixe em Manaus

Na Feira da Panair, no bairro Educandos, dez unidades de pacu chegam a custar R$ 20 e dez unidades de sardinha podem ser levados para casa por R$ 10 07/04/2012 às 09:50
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Preço da farinha d´água varia entre R$5 e R$6, valor que dá para comprar 12 jaraquis
Jornal A Crítica Manaus

Na mesa do manauense, farinha e peixe não podem faltar. Mas em meio a uma sucessiva mudança de preços, ou melhor, ao aumento deles, nem todos continuam mantendo o costume. Feirantes, comerciantes e consumidores admitem que por sair por um valor mais ‘salgado’, está difícil conservar a tradição.

O mais curioso é que a farinha, o acompanhante, está custando mais caro que algumas enfiadas do prato principal, o peixe. É o caso da farinha do uarini comercializada em supermercados e algumas feiras por até R$ 10 o quilo. Por esse preço é possível comprar um quilo de tambaqui roelo, que costuma variar entre R$ 8 e R$ 10. Com R$ 8 da uarini comprada na Feira Manaus Moderna é possível adquirir 16 jaraquis ou oito sardinhas e, em último caso, quatro pacus grandes.

O feirante José Ferreira de Sena, que trabalha na feira da Ceasa, lembra que em certas épocas do ano, com R$ 10, é possível comprar um cento de jaraquis, o mais popular dos peixes amazonenses. “No tempo da piracema o preço cai muito, você compra muito peixe com pouco dinheiro”, afirma. Em meio a essa guerra de preços, a dona de casa Vânia Santiago, 60, natural de Atalaia do Norte (a 1.136 quilômetros de Manaus) lembra do ‘velho’ costume do peixe com farinha uarini e arroz, um mix da refeição dos amazonenses, mantido todos os dias. Mas hoje, Vânia vai a feira para comprar uma alimentação que substitua esse costume.

“Comprar frango acaba sendo a alternativa porque sai muito caro comer peixe e farinha na capital”, disse a dona de casa, mostrando uma nova face do hábito alimentar amazonense. Na Feira da Panair, no bairro Educandos, dez unidades de pacu chegam a custar R$ 20 e dez unidades de sardinha podem ser levados para casa por R$ 10. “Realmente em boa parte do ano o preço do peixe é um pouco 'salgado'.

Mas não é nossa intenção para ter mais lucro, os nossos custos para o transporte do pescado e carregador influenciam muito no valor que é pago pela população", argumenta o peixeiro Raimundo Freitas.