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Manaus
INDÚSTRIA

Recuperação tímida: faturamento do PIM aumenta 8,4% até setembro deste ano

Com perda na participação da economia regional a cada ano, o Polo Industrial de Manaus fatura R$ 58,6 bilhões este ano e se recupera a passos lentos, face à grave crise econômica que assolou o País. 20/11/2017 às 12:14 - Atualizado em 20/11/2017 às 14:26
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O setor de duas rodas vem apresentado leve melhora em relação à mão-de-obra. Foto: Euzivaldo Queiroz
Camila Pereira e Geizyara Brandão Manaus (AM)

Apesar do faturamento de de R$ 58,6 bilhões entre janeiro e setembro de 2017, no Polo Industrial de Manaus, o que equivale a um crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período do ano passado, para as entidades da indústria, os números representam apenas uma recuperação muito tímida daquilo que foi perdido em 2016, mas mantém o otimismo para que haja uma melhoria para o próximo ano.

De acordo com dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), na comparação dos valores em dólar, o resultado também é positivo, com faturamento de US$ 18.5 bilhões e crescimento de 18,6% ante o mesmo intervalo de 2016 (US$ 15.6 bilhões).

Segundo o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, de um modo geral, o resultado dos indicadores deste ano (até o mês de setembro) são melhores em comparação ao ano passado. “Dois mil e dezesseis foi um ano terrível, foi algo para ser esquecido. Eu acho que é um resultado melhor, mas está longe de ser uma recuperação que nos permita dizer que voltamos a crescer e termos uma linha que nos possibilite pensar o que fomos em 2011, 2010. Acho que ainda é cedo”, afirmou Périco.

O presidente do Cieam avalia que as questões políticas refletem muito na economia. “No nosso caso, a questão do desemprego é o fator principal, com níveis altos. O consumo cai, o que reduz a atividade dentro da indústria. Eu espero que seja um resultado melhor que ano passado, que foi o pior ano da história recente do Polo Industrial. E aguardando medidas e ações que serão implementadas até o fim do ano para resguardar um cenário melhor”. 

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, o que houve, na verdade, foi uma recuperação das perdas sofridas em 2016, com a grave crise econômica e agora há uma estabilização dos números. “Não houve um impacto, um reflexo significativo, na parte de empregos, investimentos, tudo isso está muito lento. De qualquer forma, temos que ter otimismo que vai melhorar e temos muita esperança. ”, afirmou. “Não é que tenha havido um crescimento. Isso é uma recuperação. Estamos tentando recuperar para ser o que era, mas estamos otimistas”.

Na avaliação do superintendente da Suframa, Appio Tolentino, os resultados apurados em setembro foram muito positivos, considerando-se, principalmente, a evolução dos empregos e do faturamento em diversos segmentos representativos do PIM.

“Temos perspectiva de melhora, sim. O polo de duas rodas, que tinha problema de crédito, está crescendo. A economia está reagindo”, destacou o superintendente.

Duas rodas: emprego em baixa

Responsável pela segunda maior contribuição no faturamento do Polo Industrial de Manaus (PIM), contabilizando 13,5%, o setor de duas rodas vem apresentado leve melhora em relação à mão-de-obra.

Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em 2015, mostram que o polo de duas rodas empregava 16,1 mil pessoas. Esse número baixou para 13,4 mil, em 2016. Até setembro deste ano, a soma chega a mais de 12 mil funcionários. O setor de eletroeletronico é o que mais tem empregado (32,5 mil, até setembro).

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo,  acredita que a previsão para os próximos meses é de melhora. “Houve uma melhora, mas não chegou ao nível da cadeia dos componentes. As empresas e montadoras estavam com o estoque muito alto. Eles deram vazão aos estoques. Está reagindo principalmente em agosto, setembro, outubro. Vamos ver se essa recuperação irá continuar”.

Segundo a Suframa, os 86 mil trabalhadores empregados corresponderam à melhor marca desde novembro do ano passado, quando eram registrados 87 mil trabalhadores. Com o resultado apurado em setembro, a média mensal de mão de obra do PIM em 2017 está fixada em 85.380 trabalhadores.

“Os empregos do PIM giram em torno de 84 mil e pouco. Há uma estabilidade no número. Não é um dado ruim. Nós perdemos e nos últimos 3 meses, houve uma estabilização”, explica o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco.

 “A tendência é melhorar com os empregos temporários ”

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Afrânio Barão, acredita que até o fim do ano haverá uma melhora em relação ao número da mão-de-obra no Polo Industrial de Manaus.

“A tendência é que haja um aumento por conta do fim de ano, principalmente no polo eletroeletrônico, já que houve a contratação de trabalhadores para prestarem serviços temporários, para suprir a demanda das empresas”, ressalta.

Afrânio destaca que o setor de eletroeletrônico empregou nos últimos três meses de 5 a 7 mil empregos temporários. Já o setor de duas rodas, que historicamente empregava mais, contratou nos últimos meses de 2 a 4 mil empregos. “Estamos tentando sobreviver com essa situação. Ainda há muita instabilidade política em Brasília e que acaba refletindo na economia daqui. A visão do sindicato é tentar ressuscitar o Polo Industrial de Manaus”, afirmou o vice-presidente.

Para o próximo ano, Afrânio diz que é necessário fazer parcerias com os governos para trazer soluções para Polo Industrial. “O momento agora é de união dos sindicatos  e da classe empresarial, para que haja a melhoria de todos os setores da indústria”, frisou.

Saiba mais

 Codam

Neste ano, o Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) aprovou a concessão de incentivos para 148 projetos que somam investimentos de R$ 6.145 bilhões com expectativa de 4.335 vagas no mercado de trabalho. A última reunião realizada neste mês aprovou 28 projetos com recursos de R$ 649 milhões e geração de 854 empregos prevista ao longo de três anos. Entre os aprovados estão o de beneficiamento de peixe,  para fábrica de bicicletas e de componentes elétricos, contemplando o interior do Estado.