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Festa centenária a São Sebastião em comunidade rural do AM

No meio da mata, dentro dos rios e distante de tudo, fiéis da comunidade Centenário, no rio Madeira, mantêm a tradição secular de honrar o nome do seu padroeiro 28/01/2012 às 16:46
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Detalhe da procissão a São Sebastião: destino é o barco Mediador, que está ornamentado de balões no lago Uruapeara
Antonio Ximenes ---

São Sebastião é o patrono da cidade do Rio de Janeiro, mas também da comunidade ribeirinha Centenário, no lago Uruapeara, há 15 horas de barco de Humaitá, no meio da floresta, na calha do rio Madeira. Há cem anos a região festeja o santo nos dias 20 e 21 de janeiro, quando uma procissão de barcos regionais leva a imagem pelo lago, onde os fiéis agradecem as bençãos alcançadas no ano passado e fazem promessas ao novo ano.

“A gente vive no meio da mata, dentro dos rios e distante de tudo, mas com a proteção de São Sebastião”, tudo fica mais fácil, disse dona Líbia Neves, 74, uma devota e líder religiosa da comunidade local.

As ribeirinhas Fátima e Mariane carregam o andor com a imagem sagrada nos ombros, na frente bandeiras vermelhas e brancas, as cores do santo, abrem o caminho para a procissão de terra que se dirige ao barco Mediador, que está  ornamentado de balões no lago.

“Nós trabalhamos o ano inteiro pensando na festa de São Sebastião. Este ano fui escolhido como um dos juízes e colaborei com oito frangos e caixas de foguetes. É uma alegria muito grande”, disse Sebastião Nunes Nascimento, 67. No próximo ano o juiz será Raimundo Ferreira Neves Júnior, 48, filho de dona Líbia Neves.

O juiz tem como obrigações fornecer as garantias para que não falte alimentos, foguetes de anunciação e que se mantenha a cultura e as tradições da festa. Durante os dois dias principais da festa, mais de 2 mil pessoas passaram pela comunidade Centenário.

Foliões de Humaitá, Manicoré, Borba, Nova Olinda do Norte, Novo Aripuanã, Autazes, Porto Velho, Manaus e de outras cidades acompanharam os festejos. “Vim de Humaitá para agradecer a entrada no curso de Biologia na Ufam”, disse a universitária Aline Castro, 19.

Com a carência de padres nas redondezas, coube ao seminarista Edimilton Botelho, 33, dirigir os trabalhos religiosos.

“Pedi para que os fiéis se mantenham na fé. Que trabalhem pensando em ajudar o próximo e que, como São Sebastião, que foi sacrificado a flechadas em 288 D. C. por defender as palavras de Jesus, também eles façam sacrifícios para se manterem nos ensinamentos de nosso Senhor”, afirmou Botelho, que pretende, depois de consagrado padre, trabalhar no meio da floresta junto com os ribeirinhos.