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Manaus
dia das mães

Filhos nunca querem perder as mães, mas aprendem a lidar com a dor da perda

Filhos relembram a dor de perder uma pessoa tão querida e falam sobre como superar a perda 09/05/2016 às 12:06 - Atualizado em 09/05/2016 às 17:19
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Giselle de Góes considera a mãe, Maria Aleuda, sua companheira de todas as horas
Daniele Brito e Kamyla Gomes

A dor da morte de qualquer ente querido é inesquecível da pior forma possível. Amanhã, mais um dia será dolorido, principalmente para a consultora de vendas Giselle de Góes Muniz, de 32 anos, e familiares da manicure Flavia Costa Hoyos, de 28 anos. A primeira perdeu duas mães - uma de coração -, e a manicure deixou um casal de filhos após morrer em uma explosão no bairro São José, Zona Leste, este ano. Apesar da tristeza, em ambas histórias os momentos felizes são lembrados e ajudam a acalmar o coração de quem já passou pelo mesmo.

Para Giselle, sua vida se resume a amor incondicional. A mãe, a costureira Maria Aleuda, a “Êda”, como era conhecida, deu à luz a Giselle em meio a uma desilusão amorosa, porém, isso não foi motivo para tristeza. Ela recebeu a filha com muito amor e sempre cheia de carinho. “Minha mãe me contou que o meu pai, quando soube que ela estava grávida, pediu pra ela abortar, pois ele não morava em Manaus. Na hora ela virou as costas pra ele”, contou.

A vida nunca foi fácil. Em 1992, tiveram que se mudar para o Ceará para que a mãe fizesse um tratamento de saúde. “Quando fomos pra Fortaleza, tivemos que nos adaptar a uma nova realidade, mas acho que cada dificuldade passada juntas fizeram a nossa relação ser cada vez mais intensa”, lembrou.

Em 2004, elas voltaram para Manaus. No final de 2011 veio a notícia de que a mãe estava com câncer. Foram 15 meses de luta dentro e fora de hospitais até que em fevereiro de 2013 Êda perdeu a batalha para a doença. “Digo com toda certeza do mundo: essa foi a pior notícia que eu poderia receber. Minha mãe era muito além de mãe pra mim, ela era minha companheira de bagunça, minha conselheira, minha amiga”, afirmou Giselle.

Depois da morte da mãe, Giselle decidiu espairecer em Fortaleza. Ao retornar à Manaus, outra surpresa, mas desta vez muito boa. No aeroporto, a tia Maria Auristela, a “Telinha”, a esperava com um buquê de flores e uma faixa com a pergunta “Deixa eu ser tua mãe?”. “Tia Telinha já era uma segunda mãe pra mim, minha resposta foi ‘claro!’”, lembrou a consultora, emocionada. Porém, após um ano da morte da mãe, a tia também morreu de câncer.

“Essa segunda perda me fez perder o chão totalmente. Quando minha mãe morreu eu sabia que poderia contar com a tia Telinha para tudo. Mas me apeguei nas coisas boas que ambas me deixaram, nas lembranças boas, e hoje sigo os ensinamentos das duas”, finalizou.

Explosão e tragédia na ZL

Flavia Costa Hoyos, de 28 anos, era manicure, mas sonhava em ser nutricionista. Ela adorava crianças, amava sua família e era apaixonada pelo casal de filhos, porém, teve seus sonhos interrompidos ao morrer no dia 10 de março deste ano, após ter sido uma das vítimas da explosão de um tanque de gás, ocorrido três dias antes de sua morte, no bairro São José, Zona Leste. A mulher deixou para trás uma filha de 3 anos que estava com ela no dia do acidente e que permanece internada, e um menino de 6 anos.

Sua mãe, uma dona de casa de 53 anos que, ainda abalada prefere não se identifcar, e também a irmã, de 33 anos, abriram a porta de sua residência para a equipe de reportagem do MANAUS HOJE para contar todas as qualidades de Flávia que, inclusive, foi definida como mãe, mulher, esposa, irmã, filha e amiga.

“Às vezes tentamos não lembrar de tudo aquilo, pois a tristeza é muito grande. Quando recebemos a notícia da morte, queria que tudo aquilo fosse um pesadelo, só para não acreditar no que estava acontecendo”, disse a irmã.

Bastante emocionada, a mãe declarou, em poucas palavras, o significado que sua filha tem, ainda, em sua vida. A família definiu Flavia como uma mulher que fazia tudo pelos filhos. Além de dar muito amor, era bastante carinhosa e protetora com todos.

“Até no dia do acidente, quando ela estava com a filha dela, ela fez de tudo para salvar a menina. Foi o instinto de mãe”, contou a mãe de Flávia. Ao lembrar-se da filha com mais emoção, ela reforçou o amor que Flávia tinha pelo seu casal de filhos.

“Ela os amava mais do que tudo. Era muito protetora, sem contar que era muito meiga e carinhosa. Ela cuidava deles muito bem e sonhava com um casal de filhos”, ressaltou a mãe. Flavia era casada e além do esposo, também deixou o filho, de 6 anos, que agora vive com o pai.

A irmã ressaltou que Flávia sonhava em ser nutricionista e que sempre foi muito esforçada e batalhadora. Para ela não tinha tempo ruim. Às vezes, a família prefere nem lembrar do que ocorreu. Hoje, com certeza, Flávia está em um lugar muito melhor que nós.