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Fios de alta tensão oferecem riscos na Marina do Davi, na Zona Oeste de Manaus

São inúmeras as ligações elétricas feitas no local, que vêm pelo meio da floresta e cortam o igarapé rumo aos vários flutuantes situados nas margens 16/01/2016 às 14:50
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As ligações clandestinas seguem até entrar, literalmente, nas águas do igarapé
SILANE SOUZA Manaus (AM)

Mais duas pessoas sofreram choque elétrico ao esbarrar em fios de alta tensão expostos ao longo da Marina do Davi, no bairro Ponta Negra, Zona Oeste.

Uma das vítimas foi parar em um Pronto Socorro da cidade, mas já se recupera em casa. Há duas semanas, um canoeiro foi atingido com uma descarga elétrica no mesmo local e teve parada cardíaca. Ele passou dois dias internados e agora está em repouso.

O comandante da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi (Cooop-Acamdaf), Milton Maurício de Brito, 40, contou que o último acidente com as ligações de energia elétrica, a maioria clandestina, ocorreu há três dias.

A vitima foi uma mulher, conhecida como Cristina, que é moradora da área. “Após encostar-se à fiação ela desmaiou e caiu. Ainda bem que caiu em terra. O outro canoeiro pegou um choque com pouca voltagem”, afirmou. 

O irmão de Milton, Milson de Souza Brito, 22, foi o primeiro a sofrer uma descarga elétrica no local este ano e ainda encontra-se doente. Com o choque ele caiu dentro da água e acabou pegando pneumonia com o volume de água que ingeriu. “Ele está doente até hoje, mas à vista dos primeiros dias, está bem. O problema é que ele está sem trabalhar desde que sofreu o choque”, apontou.

O perigo encontrado na Marina do Davi fica tanto submerso quanto exposto a céu aberto. São inúmeras as ligações elétricas feitas no local, que vêm pelo meio da floresta e cortam o igarapé rumo aos vários flutuantes situados nas suas margens.

Os canoeiros informaram que ninguém da concessionária de energia apareceu no local como esta havia prometido para realizar as devidas regularizações e o desligamento das ligações clandestinas.

Risco aos visitantes

Para quem utiliza o espaço como forma de chegar às comunidades ou aos banhos ao longo do Rio Negro, a falta de infraestrutura da Marina do Davi é algo que desanima e deixa a desejar.

“Falta estacionamento e o porto está precisando de uma revitalização. Isso aqui era para ser uma das marinas mais bonitas da cidade, mas é um lugar que não atrai”, declarou a professora Juliana Guimarães, 34.

Uma média de duas mil pessoas passa, todos os dias, pela Marina do Davi, de acordo com a Cooop-Acamdaf.

Do local, saem barcos diariamente para a praia da Lua e as comunidades de Nossa Senhora de Fátima, Livramento, Abelha, São João, Diúna, Ebenezer, Julião, São Sebastião e Agrovila. Aos finais de semana e feriados há rotas para outras praias, como a do Tupé.

Empresa promete regularizar

No último dia 5, a Eletrobras Distribuição Amazonas informou que, até o dia 7 deste mês seria concluído um levantamento técnico sobre a Marina do Davi, o qual iria permitir a realização de regularizações e o desligamento das ligações clandestinas naquela área.

Ontem, procurada por A CRITICA, a concessionária informou que um levantamento prévio da situação seria realizado ainda na tarde de sexta-feira. “Com os dados colhidos hoje (ontem), na próxima semana será efetuada uma limpeza na área citada para coibir as ligações elétricas clandestinas na localidade”, afirmou em nota.

A Eletrobras Distribuição concluiu a nota informando que a empresa “reitera o seu compromisso com a população do Estado em oferecer energia segura e de qualidade, contribuindo para o bem estar de seus clientes e o desenvolvimento econômico da região”.