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Manaus
Cotidiano, Arborização, Árvores, Semmas, Ufam, cmdca

Flores enchem de cor os caminhos do manauara

Nesta época do ano muitas espécies de árvores florescem, colorindo os canteiros centrais, as ruas e quintais de Manaus 08/09/2012 às 21:02
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Espécies nativas como o ipê amarelo, pau pretinho e o bouganville colorem e alegram a paisagem ‘cinza’ da cidade e ainda contribuem para o conforto térmico
Ana Célia Ossame Manaus

O florescimento das árvores é a manifestação mais bela e importante para a natureza, por marcar a época em que as flores se espalham para se perpetuar. Em Manaus, a arborização tem sido contemplada com espécies nativas como o ipê amarelo (Tabebuia serratifolia), pau pretinho (Cenostigma tocantium), e o bouganville (Bougainvillea species), cujas flores e cores alegram a paisagem e, mais do que isso, contribuem para o conforto térmico.

Afinal, nessa época do ano, a temperatura ultrapassa a casa dos 35 graus e a sensação de ‘quentura’ fica maior, devido à grande quantidade de edificações e de asfalto existentes na área urbana.

O despertar das espécies para a reprodução é explicado pelo diretor de arborização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), o engenheiro florestal Heitor Liberato. Como há deficiência hídrica no período seco do ano, a ocorrência das chuvas desperta a planta para se reproduzir, o que acontece por meio da floração, afirma Heitor.

Ele explica que é como se a planta se sentisse ameaçada com a deficiência de água e procurasse se perpetuar, produzindo muitas flores.

Cores
Das espécies que florescem nessa época, está o pau pretinho, que atualmente é uma espécie que vem sendo priorizada na arborização da cidade.

O pau pretinho costuma florir mais nos meses de agosto e setembro, mas os exemplares plantados em vias como avenida São Jorge, no bairro do mesmo nome, na Zona Oeste de Manaus e André Araújo, no Aleixo, Zona Centro-Sul, ainda não alcançaram o porte necessário para chegar a esse ponto, o que deve acontecer daqui a, no máximo, três anos.

Por serem adaptadas ao clima local, elas só não sobrevivem quando sofrem agressão do homem, o que é muito comum em Manaus, lamenta Heitor.

O bouganville é um arbusto introduzido na cidade e muito utilizado nos jardins. Nesta época do ano, ele passa pelo processo de floração, que seduz os olhares mais atentos. O ipê amarelo, ao contrário do branco e rosa, é nativo e também aparece com seus cachos amarelos, alegrando o olhar de quem preta atenção neles.

Ao lembrar as diferenças do ambiente da floresta para o urbano, cujo solo mais é compactado e onde a árvore disputa espaço com os imóveis, Heitor destaca que o trabalho de arborização tem sido feito ‘empiricamente’ até hoje, em Manaus, mas isso  começa a mudar com o estudo das espécies produzidas pelo Centro de Sementes Nativas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que vêm sendo usadas na arborização.

Assim, finaliza ele, a paisagem da cidade nos passeios públicos e canteiros centrais vai ficar mais bonita e com a sobrevivência das flores garantida.

Espécies
Entre as espécies produzidas no Banco de Sementes estão  seringa, bacaba, urucum, ipê amarelo, visgueiro, faveira, açaí e castanha-do-brasil. Elas são repassadas ao Setor de Produção de Mudas do Departamento de Arborização, Paisagismo e Educação Ambiental da Semmas.

Parceria na produção de sementes
Uma parceria entre a Semmas e a Ufam é a responsável, desde o último mês de março, pela produção de 800 mil de sementes espécies florestais nativas da Amazônia, que já começaram a ser utilizadas pelo órgão municipal para reflorestamento.

O professor Manuel Lima Júnior, do Departamento de Ciências Agrárias da Ufam, afirma ser importante que 70% dessas sementes virem árvores para mudar a paisagem e o clima da cidade.

As sementes vêm do Projeto Banco de Sementes, financiado pelo Fundo Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA) da Semmas. Essas sementes serão utilizadas para produção de mudas nativas frutíferas e florestais destinadas à arborização de grandes áreas degradadas por invasão e margens de igarapés.

As sementes são de espécies variadas e terão as matrizes cadastradas para que se possa saber a origem das mesmas, explicou o secretário da Semmas, Marcelo Dutra, lembrando se tratar de um trabalho inovador que permitirá ao município trabalhar, pela primeira vez, com espécies com potencial genético de ponta e de origem conhecida.