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Força-Tarefa composta por delegados e promotores do Gaeco vai investigar as execuções

Equipe será comandada pelo corregedor-geral da SSP e contará com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP-AM 20/07/2015 às 22:01
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As execuções do fim de semana iniciaram com a morte do sargento da Policia Militar, Afonso Camacho Dias, 44, morto durante uma troca de tiros na tarde da última sexta-feira, ao reagir a um assalto em uma agência bancária, na Zona Sul
Joana Queiroz Manaus (AM)

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP–AM) criou uma “Força-Tarefa”  para elucidar as 34 execuções ocorridas entre sexta-feira (17) e ontem (até às 17h). De acordo com o titular da SSP-AM, Sérgio Fontes, o grupo é formado por delegados da Polícia Civil e tem a colaboração do Ministério Público por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).  A Força-Tarefa será comandado pelo delegado da Polícia Federal e atual corregedor-geral da SSP, Leandro Almada.

Ontem (20) pela manhã, Sérgio Fontes esteve com o governador  José Melo, que solicitou do secretário mais detalhes sobre os homicídios e que medidas estavam sendo tomadas para cessar a violência. Melo, segundo o secretário, determinou ainda “que a segurança retome as rédeas do controle porque de fato ela foi perdida”.

“Desde sábado estamos com toda Polícia Civil e Militar nas ruas. Vamos apurar e identificar  quem fez esses crimes e se houver  necessidade  serão tomadas  medida mais graves”, disse Fontes.

De acordo com o secretário, foram montadas várias ações como radiopoliciamento ostensivo para que fatos como o que ocorreu, não ocorra novamente. As investigações  da morte do sargento Afonso Camacho Dias, estão sendo feitas pela Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd) e pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). Segundo Fontes, elas  estão bem adiantadas e com a identificação dos suspeitos.

Para elucidar as outras mortes foi montada a Força-Tarefa que vai ter como base a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) com todos os recursos humanos e materiais que a secretaria possa colocar. Inclusive com a participação do Ministério Público que irá acompanhar as investigações. “Se há uma suspeita de que agentes  públicos estejam participando  dessas mortes é bom que o Ministério Público esteja do nosso lado”, declarou o secretário de Segurança.

Fontes comentou que ainda  não dá para afirmar com segurança quem estava praticando os crimes. Segundo ele, há várias  linhas de investigação, mas que ainda está muito “novo” para afirmar quem são os responsáveis.  

Falhas

O secretário admitiu que o Estado realmente perdeu as rédeas  num determinado momento, por não considerar a possibilidade de  que poderia acontecer o que aconteceu depois da morte de um detento e de um Policial Militar. Segundo ele, não tinha como adiantar a questão.

“Demoramos a dar uma resposta, inclusive pelo Ciops, porque se as mortes foram acontecendo  e pelo menos depois das 2h da madrugada já dava  pra estar  todo mundo na rua. Houve erros da secretaria e eu admito  e me  responsabilizo por esses erros, e vou tentar me resgatar  com a ajuda das polícias Civil e Militar”, admitiu Fontes.

Insegurança e receio de andar nas ruas

De acordo com as autoridades de segurança, as mortes começaram cessar a partir do sábado e a tendência agora é que tudo volte à normalidade com a presença da polícia nas ruas. Ontem, parte da população ainda estava  assustada e o assunto das conversas era a insegurança depois da série de mortes ocorridas do fim de semana.

Em números

33

Execuções foram registradas   pelo Instituto Médico Legal (IML) desde o final da tarde de sábado até a madrugada de ontem, em Manaus. Ainda não há suspeitos das autorias dos crimes. Segundo as investigações, a maior parte das mortes têm características semelhantes: as vítimas são homens, mortos com tiros de pistola ponto 40 e de revólver calibre 38.

MP-AM vai cobrar medidas da SSP

O procurador-geral do Ministério Público do Estado (MP-AM), Fábio Monteiro, disse que vai cobrar  medidas para que os secretários das pastas relacionadas a Segurança Pública, sejam mais contundentes em suas ações e para que o Estado tome as rédeas da situação e ponha fim no clima de instabilidade que tomou conta da população depois da onda de homicídio corrida no fim de semana.

CONFIRA O VÍDEO DA ENTREVISTA

“O Estado tem que mostrar que é ele quem manda nos presídios e não o crime organizado, assim como a polícia vai ter  que mostrar que é ela quem garante a segurança da população”, disse Fábio Monteiro.

Para o promotor, as mortes que ocorreram no fim de semana foi causada por uma sucessão de fatores. Primeiro o assassinato de um sargento da Polícia Militar e, logo depois, a morte de um preso no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat).  Monteiro não descarta a possibilidade da participação de policiais militares como também de membros de facções criminosas na série de mortes.

Para o promotor, é necessário que sejam tomadas  medidas rigorosas  em relação a detentos que  estão mandando executar. “Se estão usando celular dentro dos presídios é porque há alguém fazendo corpo mole e facilitando a entrada dos aparelhos”, disse.

O comandante da Polícia Militar, coronel Gouvêa, disse ontem que as mortes foram um caso atípico que ele nunca tinha visto durante os 27 anos que tem na Polícia Militar.  Para ele, não se pode descartar nenhuma das hipóteses que estão sendo investigadas. “Se ficar comprovado a participação de policiais nós temos mecanismos para  punir os responsáveis”, disse o comandante. Gouvêa informou que na noite de sábado para domingo quando aconteceu a maioria das mortes, a Polícia Militar estava nas ruas, e que só não prendeu os matadores por falta de sorte” disse.