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Força-tarefa vai investigar mortes por execução em Manaus

Delegados vão investigar ‘desova’ no Tarumã, onde já foram encontrados 27 corpos; MPE acredita em grupo de extermínio 23/07/2012 às 07:46
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Características de execuções se assemelham e têm marcas apontadas como recado dado por traficantes
JOANA QUEIROZ ---

Vinte e sete corpos, todos vítimas de execuções, foram encontrados na área rural do bairro do Tarumã, Zona Oeste de Manaus, somente no primeiro semestre deste ano. A maioria das vítimas foi assassinada a tiros. Outras foram estranguladas e até queimadas. O promotor de justiça Fábio Monteiro diz que as evidências apontam para a existência de um poder paralelo que a polícia não está conseguindo alcançar por meio de suas ações. O delegado geral da Polícia Civil, Josué Rocha, diz que a situação preocupa a polícia e que na última quarta-feira foi criado uma Força-tarefa formado por delegados para investigar todos os casos relacionados à desova de corpos no Tarumã, com o objetivo de tentar identificar os autores dos crimes e prendê-los.

Segundo o delegado geral, o grupo será coordenado pelo delegado Emerson Negreiros. Os nomes dos demais integrantes da força-tarefa não foram revelados por Josué Rocha. Segundo ele, todos os casos serão investigados para verificar se há ligação entre eles e se as mortes são de autoria de algum grupo que possa estar atuando na cidade. Até sexta-feira, a polícia já tinha algumas informações sobre alguns casos que podem ser o ponto inicial para a elucidação da série de crimes.

O que chama a atenção da polícia é a forma como os crimes são executados, a maioria com grande quantidade de tiros de pistola, calibres ponto 40 e 380. Outro ponto em comum é que quase todas os disparos foram feitos na cabeça. Além disso, alguns são encontrados algemados ou amarrados, características de crimes praticados por grupos que têm ligações com o tráfico de drogas. Esse “modus operandi” é uma forma de mandar recado para os desafetos, segundo informações da polícia. Erivelto Araújo Santiago, 34, foi executado com cinco tiros de pistola. Ele foi encontrado no dia 11 de junho, por volta de 22h20, jogado na estrada da Marina Tauá, ao lado do condomínio Reserva das Flores, no Tarumã, Zona Oeste.

O corpo foi levado para o Instituto Médico legal (IML), e na última quarta-feira, foi identificado pela família, que não quis falar sobre o desaparecimento dele e nem se tinha alguma suspeita da autoria do crime. Erivelto respondia uma carta precatória criminal do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA) e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, junto com Jocicley Braga de Moura, 27, o “Dote”, considerado pela polícia como o braço direito e sócio do traficante José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”. Dote é procurado pelas policiais Civil e Federal por envolvimento com o tráfico de drogas.

Corpo encontrado queimado

No dia 5 de junho, o corpo de um homem ainda não identificado foi encontrado carbonizado e trancado dentro do porta-malas de um veículo de características não identificadas, na rua Beijar-Flor, no Tarumã, Zona Oeste, próximo ao clube da Asel. No dia seguinte duas famílias foram ao Instituto Médico legal (IML) para tentar identificá-lo, o que não foi possível devido o estado em que o corpo foi encontrado. Investigações preliminares feitas polícia descobriram que a vítima de execução tinha ligações o com traficante colombiano Alejandro Martinez Palomeque, 34, executado a tiros no mesmo dia, na avenida Noel Nutels, Cidade Nova, Zona Norte de Manaus.

‘Isso pode virar praça de guerra’

O secretário-adjunto de Segurança Pública, delegado federal Umberto Ramos, disse que vem acompanhando os casos na área do Tarumã. Segundo ele, a situação preocupa e exige atenção especial da polícia. “Não importa se as vítimas tinham envolvimento com algum tipo de crime, a polícia tem que investigar para chegar aos autores. Caso contrário ficará estabelecida a impunidade total”. Foi sugestão dele a criação de uma força-tarefa para investigar os crimes. Para Ramos o ideal é que policiais experientes possam estar envolvidos nesse trabalho a fim de conseguirem produzir provas técnicas para que a Justiça tenha como incriminar os culpados. “Esse discurso de que as vítimas têm envolvimento com o crime não convence. Temos que prender os criminosos, caso contrário isso aqui vai virar uma praça de guerra”, disse. Ramos disse que o programa Ronda no Bairro pode ajudar a prevenir.