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Manaus
CDPM 2

Fugitivos do CDPM 2 cavaram túnel em dois dias e guardaram barro em celas

Segundo a Seap, local passou por revista dois dias antes do início da fuga. Fora do presídio, foragidos pegaram trilhas pela mata e contaram com apoio de van e carros para fugir 16/05/2018 às 04:31 - Atualizado em 16/05/2018 às 08:34
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Foto: Márcio Silva/Arquivo AC
Joana Queiroz Manaus (AM)

Os 35 presos que fugiram do Centro de Detenção Provisória Masculino 2 (CDPM 2), no quilômetro 8 da BR- 174, em Manaus, levaram dois dias para abrir o túnel usado na fuga. Eles cavaram 7,5 metros, guardaram o barro em duas celas e conseguiram escapar discretamente. Quatro dias depois, nenhum deles foi recapturado. Entre os foragidos estão aliados do traficante Gelson Carnaúba, que está associado a facção carioca Comando Vermelho (CV). 

Informações colhidas com outros presos apontam que os fugitivos começaram a deixar a cadeia pelos fundos por volta das 20h de sexta-feira (11), saindo de cinco em cinco.

Para o secretário da Administração Penitenciária (Seap), Cleitman Coelho, o que chama a atenção é que nem mesmo os agentes da Força Nacional, que ficam no ramal que dá acessos aos presídios, perceberam o movimento dos criminosos, assim como policiais militares, que também devem realizar rondas na área.

Fora da unidade prisional, eles pegaram as trilhas pela mata, chegaram ao areal, conhecido como cemitério de presos, nas proximidades do quilômetro 13, e atravessaram a rodovia. Há informações de que uma van e outros carros deram apoio aos fugitivos.

Inspeções e perícias feitas no local mostraram fortes evidências da participação de terceiros, provavelmente de servidores da unidade prisional. O titular da Seap disse que não há dúvidas de que os presos tiveram ajuda.

Quem falhou?

Cleitman Coelho informou que atualmente o CDPM 2 abriga 240 presos, mas a sua capacidade é para 571. Para evitar novas fugas, os detentos estão no andar superior da cadeia, justamente para não abrirem túneis.

Segundo a Seap, na quarta-feira (9), foi feita uma revista no local mas nada foi encontrado. Conforme o secretário, os corredores e celas do andar superior do CDPM 2 eram mantidos na “tranca” para evitar acesso dos internos. Mesmo assim, os presos conseguiram entrar em duas celas do térreo, cavaram o túnel em dois dias e escaparam.

“Nós encontramos cadeados com as chaves dentro. Eles tiveram que passar por três portões para ter acesso às celas”, revelou Coelho.

Polícia no encalço de foragidos

Segundo a Polícia Civil, já há pistas que podem levar aos 35 fugitivos. “Estamos checando todas as informações e o que eu posso dizer é que logo vamos ter novidades”, garantiu o secretário da Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai), Herbert Lopes.

De acordo com ele, todas as informações que chegam à Seai estão sendo checadas e encaminhadas para a Secretaria Adjunta de Operações Policiais (Seaop), responsável pelas buscas, junto com a Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

Entre os foragidos está Kaio Wellington Cardoso dos Santos, o “Mano Kaio”, responsável por uma série de execuções de rivais na área do Igarapé do 40, na Zona Sul, e também em outras áreas da cidade.

Apuração

O titular da Seap, Cleitman Coelho, informou que além de afastar 10 servidores, solicitou a instauração de inquérito policial e a abertura de sindicância para apurar as responsabilidades do ocorrido.

Grupo quer dominar o crime

Para a Polícia Federal, os 35 presos que fugiram do CDPM 2  são considerados  “a elite” de um grupo de criminosos dissidente da facção Família do Norte (FDN). O objetivo deles é dominar o crime em todos os bairros da cidade.

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