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Fundo de distrito de obras da Prefeitura de Manaus vira lixão a céu aberto

Moradores denúnciam que restos de obras e até envelopes de hospitais são jogados no meio da rua J, no São José 29/05/2012 às 08:23
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Lixo comum e entulhos foram jogados na calçada da rua que abriga os fundo do Distrito de Obras
Florêncio Mesquita Manaus

Um monte de entulho e lixo jogado da rua J, no bairro São José, Zona Leste, é agora ponto de descarte de envelopes de prontuários de um hospital local. O detalhe é que os resíduos estão jogados sobre a calçada, nos fundos do Distrito de Obras da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e sem nenhuma barreira ou contenção para evitar que o material invada a rua.

O entulho que tem desde restos de asfalto, sofás, pedras, vidro, madeira e sacolas plásticas obriga os pedestres a andarem na rua em meio aos carros. Os envelopes de prontuários médicos são do hospital Adventista de Manaus e estavam espalhados em dois pontos do terreno em meio às pilhas de entulho. Os envelopes mostram o número de registro e o nome completo do paciente.

Os moradores dizem que o entulho é coletado por agentes do Distrito de Obras em vários locais onde realizam trabalhos de manutenção, asfaltamento entre outros serviços, no bairro São José e adjacências. Mas ao invés de ser descartado no aterro sanitário de Manaus é despejado por caçambas na rua no trecho entre a calçada e o terreno do Distrito de Obras.

O odor exalado do pelo material e a poeira encabeçam a lista de reclamações dos moradores.

De acordo com a indústria Cleociane 28, o fluxo de retirada e despejo de entulho no local é intenso. Ela mora em frente do Distrito de Obras há cinco anos e diz que nesse período o terreno nunca ficou totalmente limpo por mais de uma semana.

“Quando os tratores tiram o entulho que o próprio pessoal da prefeitura joga, para levar não sei para onde, a calçada não fica livre mais do que sete dias”, disse. “Ai começa a encheer de lixo de novo”.

Exemplo
De acordo como o auxiliar de serviços gerais Raimundo Ivaldo Santos, 33, o Distrito de Obras que deveria dar exemplo e zelar pelo passeio público do bairro, faz o contrário.

“Quando as caçambas vão jogar o entulho sobem à calçada e quebram tudo”, relatou. Quase 100% da calçada e do meio fio, nos fundos do Distrito de Obras estão quebrados.

“O Distrito de Obras é da prefeitura e deveria dar exemplo, mas faz é incentivar o povo a ser mal educado. Isso virou uma lixeira a céu aberto. O lixão da rua J. Pergunta se alguém gosta disso? Não temos a quem recorrer. Se pedimos para retirarem o lixo não nos escutam. O entulho com lixo fedorento é recolhido pelo Distrito de Obras em outro local que ninguém sabe onde fica e é jogado aqui”, frisou.

Limpeza e saúde prejudicadas
Para quem mora no local a limpeza doméstica é uma das tarefas mais difíceis do dia. Para a indústriaria Jéssica Souza, 21, manter portas e janelas abertas é uma opção com o preço a pagar: Limpeza constante.

Jéssica conta que precisa limpar a casa e os móveis várias vezes ao dia se quiser manter a ambiente sem poeira. Ela mora atrás ao lado do Distrito de Obras na rua 29  e conta que além do lixo e do entulho o distrito também descarrega no terreno materiais de construção, tais como pedra, areia e barro para serem utilizados em obras no bairro. No entanto, quando descarregam o material a poeira segue na direção das casas.

“A grande verdade é que não adianta limpar porque não resolve e em minutos está tudo sujo de novo”, disse.

O problema também incide na saúde dos moradores. A industriaria indústria Cleociane Lira 28, tem uma filha com Síndrome de Down e que também sofre com alergias da poeira constante na área.

Para Cleociane  a alternativa é manter portas e janelas fechadas durante todo o dia.  “É difícil, mas infelizmente temos que conviver com o problema”, disse.

Seminf evita  falar sobre o entulho
A Secretaria Municipal de Infraestrtura (Seminf), responsável pelas ações dos Distritos de Obras, solicitou informações sobre o “lixão”, mas até o fechamento desta edição nenhuma resposta foi enviada pela pasta.

Sem conhecer  o problema, a assessoria da secretaria  pediu imagens do local para poder enviar  a resposta e as providências que seriam tomadas. A CRÍTICA atendeu a solicitação e enviou fotografias do entulho, mas mesmo assim não houve resposta por parte da assessoria da pasta.

Os moradores afirmam que já se reuniram para reclamar e ao mesmo tempo pedir do próprio Distrito de Obras a limpeza do local, mas não foram atendidos.

Segundo o comerciante Mário Ferreira, 55, o próximo passo dos moradores da rua J é fazer um abaixo-assinado pedindo da Prefeitura a retirada do distrito do local. “Se cuidassem bem do terreno não teríamos motivos para criticar, mas deixam tudo bagunçado e não cuidam de área. Não é aceitável que tenha um distrito desse jeito, perto de um shopping, de casas e de uma escola”, explicou.

Adventista
A direção do Hospital Adventista de Manaus informou que tomou conhecimento sobre o descarte do material que lhe pertencia  por meio de A CRÍTICA e que foi ao local recolher os envelopes ainda na tarde desta segunda (28).