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Funerária de Manaus oferece web velório a parentes de mortos

Em Minas Gerais e São Paulo, algumas funerárias também investiram no serviço e em Mato Grosso do Sul, um cemitério oferece a transmissão do enterro pelo valor de R$ 200 19/08/2012 às 11:58
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Em dois meses, Ildemar Coutinho já transmitiu 50 velórios via Vnternet para países como Alemanha e Estados Unidos
Steffanie Schmidt Manaus (AM)

Você tem algum conhecido ou parente que morreu? Joga na Internet! Calma! Não se trata de sensacionalismo ou falta de sentimentalismo, mas de um serviço que é disponibilizado apenas para familiares e amigos e que vem sendo cada vez mais utilizado em Manaus. Nos últimos dois meses foram mais de 50 transmissões de velório ao vivo via web.

O serviço pioneiro na capital amazonense atualmente é oferecido apenas pela funerária Canaã, localizada no Boulevard Álvaro Maia, como ‘plus’ para quem contrata os serviços da empresa. Em nível mundial, celebridades como Whitney Houston e Michael Jackson tiveram os rituais fúnebres compartilhados na rede mundial de computadores.

Em Minas Gerais e São Paulo, algumas funerárias também investiram no serviço e em Mato Grosso do Sul, um cemitério oferece a transmissão do enterro pelo valor de R$ 200. No Rio Grande do Sul, um crematório trabalha com o serviço desde 2003.

A demanda é maior por parte daqueles que têm família em outros Estados e também em outros países. “Nesses dois meses já transmitimos o velório para Alemanha e para os Estados Unidos”, afirmou o proprietário da funerária Canaã, Antônio Ildemar Coutinho. Conforme ele, quase todo dia ele transmite um. Um código e uma senha são liberados para a família que os repassa para quem quiser. Dessa forma, segundo ele, o conteúdo fica restrito, garantindo, assim, a privacidade do ente querido.

Para o padre Anselmo Dias, da pastoral de comunicação da Arquidiocese de Manaus, qualquer iniciativa que venha a confortar o cristão nesse momento de perda e sofrimento, é válida. “É uma atitude até bonita por que saber que Deus amoroso nos consola e não nos abandona, ajuda a aliviar o sofrimento. Esse momento de rito de passagem é para isso”, disse.

Outras comodidades

Atuando há mais de 16 anos no ramo, Coutinho, como costuma ser chamado, diz que procura estar sempre à frente dos concorrentes e mesmo em se tratando de um assunto “delicado”, ele diz que não tem medo de arriscar. Prova disso, é um ônibus que ele adquiriu e adaptou para que amigos e familiares possam acompanhar o caixão do falecido até o enterro, sem preocupações com trânsito e o tradicional cortejo.

No ônibus fúnebre, o caixão vai dentro de uma redoma de vidro. O veículo aguarda apenas a aprovação do Departamento de Vigilância Sanitária da Prefeitura (DVisa). “Um técnico de lá elogiou muito a minha ideia, disse que nunca tinha visto nada igual”, afirmou seu Antônio Coutinho.

O empresário garante que nessa hora de dor, as pessoas querem apenas se sentir confortáveis, em casa, por isso implantou uma suíte em cada um dos três salões da funerária, a fim de acomodar quem passar longas horas no local. “Também oferecemos café da manhã completo com frutas, sucos e artigos regionais”, disse. “Além disso, tenho funcionários que estão comigo há dez anos, todos aqui são treinados para saber lidar com essas situações”, completou o empresário.

Discrição para lidar com o inusitado

O treinamento constante dos funcionários do atendimento aos parentes, segundo o empresário Ildemar Coutinho, é por conta da exigência de discrição e tato para lidar com o momento que serve tanto para consolar a dor dos clientes, quanto para lidar com situações inusitadas e inesperadas diante da morte de uma pessoa. “Nós temos o serviço de floricultura agregado à nossa empresa e, certa vez, duas senhoras que estavam velando o corpo saíram para comprar uma coroa de flores. Quando voltaram eu  percebi  a assinatura: ‘De suas esposas’! No plural”, conta.

Em outro ritual, ele teve que preparar o velório em dois momentos: de 8h ao meio-dia na casa da família oficial e de meio-dia em diante na casa da família extraoficial. “Fora quando tem briga de ‘esposas’ aqui na frente e de mulheres que chegam e esbofeteiam o falecido na frente de todos”, explicou Coutinho.