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Manaus
ECONOMIA

Governo do AM vai economizar R$ 10 milhões com app para transporte de servidores

Uma empresa será contratada para criar o aplicativo de smartphone que funcionários de 12 secretarias vão utilizar. Termo de referência já foi encaminhado para a CGL 22/01/2018 às 07:02 - Atualizado em 22/01/2018 às 07:14
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Projeto “Carros AM” será implantado nos próximos três meses pelo governo do Estado. Foto: Winnetou Almeida
Geizyara Brandão Manaus (AM)

A “uberização”, em que há um aplicativo intermediando o tomador e provedor dos serviços, chegou ao setor público. O projeto “Carros AM” será implantado nos próximos três meses pelo governo do Estado e vai gerar uma economia de R$ 10 milhões por ano. A informação foi dada pela secretária de Administração e Gestão (Sead), Angela Bulbol. 

“O que a gente quer garantir, de fato, é melhorar a eficiência administrativa de transporte dos funcionários durante o exercício das atividades profissionais. Estar proporcionando o que a gente espera de agilidade no atendimento”, explicou.

De acordo com a secretária, o termo de referência foi encaminhado para a Comissão Geral de Licitação (CGL), a fim de que a empresa ganhadora possa criar o aplicativo de smartphone para o uso dos servidores de 12 secretarias.

“O que a gente vai fazer é uma transição, que nessa primeira parte que será a fase seguinte de contratação de serviço, a implantação de projetos pilotos em algumas secretarias para começar a utilização e a gente conseguir aquele que é o objetivo mais importante que é a mudança de cultura dos nossos servidores e gestores”, disse Bulbol.

Para o economista Wallace Meirelles, a alternativa de compartilhamento de veículos no Estado pode trazer a redução dos custos, mas necessita de organização. “A grande questão é o Estado ter e manter um plano de toda a organização desse processo porque há um fluxo de informações e mobilização ou transporte de pessoas”, disse.

O coordenador do MBA de Marketing Digital da FGV, André Miceli, conta que a economia gerada pode ser aplicada em outras áreas. “No caso específico dos carros, a economia esperada é quase de 50% do orçamento do ano anterior. Imagina se gasta R$ 50 milhões, passa a gastar R$ 25 milhões e gasta o restante com saúde, educação”, afirmou. 

Táxis

Já a Prefeitura de Manaus está analisando o uso dos tradicionais táxis para fazer o transporte dos funcionários. De acordo com a assessoria de comunicação, a utilização do Uber está fora de pauta. “Em relação à prestação dos serviços a instituições municipais, a prefeitura começou a estudar há alguns meses o uso, na verdade, dos serviços de táxi nestes órgãos”, informou.

Serviço ainda divide opiniões

O transporte por aplicativos começou no primeiro semestre de 2017 em Manaus e desde então tem dividido opiniões, principalmente no parlamento da Câmara Municipal de Manaus (CMM) com a formulação de projetos de lei.

Os vereadores Chico Preto (PMN) e Professor Fransuá (PV) apresentaram um decreto e um projeto de lei, respectivamente, para que o Uber fosse regulamentado na cidade, enquanto não há um direcionamento sobre o projeto de lei da Câmara Federal (PLC) 028/2017.

Para Chico Preto, cabe à Prefeitura tomar alguma iniciativa sobre o assunto. “Existe uma insegurança jurídica, porque não tem regulamentação. A minha crença é que esse ano, antes do primeiro semestre, Manaus dê um passo no sentido de pacificar essa questão”, afirmou.

Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura, estão sendo realizadas reuniões e tratativas para a regulamentação do Uber. “Na última semana, o prefeito Arthur Neto recebeu o gerente de Políticas Públicas do Uber, Rafael Aloni, que apresentou os argumentos técnicos e sociais para efetivação dos serviços na capital”.

BLOG: Martinho Azevedo - economista

“O que nós temos que comparar para verificar a eficiência do gasto público nessa rubrica orçamentária.   Primeiro, qual a necessidade do serviço, qual a dimensão desse serviço, qual o custo desse serviço. [...] A questão é comparar o custo histórico, o custo oferecido e a eficiência do serviço prestado. É necessário que haja toda a transparência necessária do serviço, das condições da prestação de serviço, fora isso, não há como anteciparmos um diagnóstico se somos favoráveis ou se somos contra", afirma.

 "Aqui fala o economista: o Estado é pesado, é caro, é ineficiente. Então, tem que atingir essa eficiência desejada, a qualidade do serviço demandada. [...] É  assim que funciona no mundo real, no mundo empresarial, no mundo dos negócios, no qual a gente milita. Cada centavo, cada real é importante sim, o custo é importante, a qualidade do serviço é importante”, complementa.

COMENTÁRIO: André Miceli - administrador

A “uberização” é uma rede constituída de um lado pelo tomador do serviço e por outro lado pelo provedor do serviço. O que a gente tem no meio é um aplicativo que dá as condições, através de uma implementação tecnológica, para que essas duas pontas se 'falem'. Alguém quer um serviço, outro presta o serviço e através de um aplicativo a gente se encontra.

Essa ideia (Uber do Governo) é muito boa. A Índia está fazendo isso de uma maneira bastante estrutural, que não é uma iniciativa do Estado ou de uma cidade, mas a iniciativa do País. O ministro do transporte indiano trouxe essa mesma proposta. A Austrália está fazendo isso no Norte, ou seja, para uma região. Acredito que esse desenvolvimento faz muito sentido, o fato de desonerar os investimentos em ativo do Estado de maneira geral é bastante proveitoso. Na prática não tem depreciação, não tem troca de carros, não tem concorrência, diminui a possibilidade de qualquer tipo de esquema fraudulento. O que nós temos é um amadurecimento do serviço público. Traz para a coisa pública um serviço, uma estrutura, um desenvolvimento que o mundo privado descobriu e chegou à conclusão de que é vantajoso.