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Greve dos auditores fiscais paralisa produção no polo industrial de Manaus

Cieam afirma que fábricas de eletroeletrônicos suspenderam as atividades por não terem mais insumos 10/07/2012 às 08:10
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Polo de eletroeletrônicos produz televisores, monitores, câmeras, entre outros
Renata Magnenti ---

Quatro fábricas do polo de eletroeletrônico estão totalmente paradas desde a última semana e 8 mil trabalhadores estão de férias remuneradas, segundo o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco. A situação é consequência da greve dos auditores fiscais da Receita Federal, uma vez que os insumos que deveriam ser manufaturados estão parados no porto e no aeroporto de Manaus. O Cieam ingressa ainda esta semana um pedido na Justiça Federal para que os insumos sejam liberados o mais rápido possível.

O presidente do Cieam, Wilson Périco, não quis divulgar os nomes das fábricas que fecharam as portas, mas informou que três delas são de grande porte e uma de médio porte, e que diante deste cenário os empresários não podem mais “contar com a sorte” para terem os insumos liberados na Receita Federal. “Há produtos que estão parados na Receita desde o início da greve, há 15 dias. Estamos formalizando um documento jurídico, possivelmente um mandado de segurança, para que nossos direitos sejam garantidos”, afirmou. De acordo com Périco, até o fim desta semana pelo menos outras cinco fábricas devem suspender suas atividades por falta de insumo.

 Deve aumentar também o número de trabalhadores que ficarão em casa por não terem o que fazer no trabalho. “É uma situação ruim, em um momento em que o Polo Industrial de Manaus (PIM) vive uma crise no setor de duas rodas, agora, temos que administrar os prejudicados das fábricas do setor de eletroeletrônico”. O movimento de greve dos auditores fiscais iniciou no último dia 18 de junho. Durante três dias da semana trabalham em “operação padrão”, onde mercadorias que levariam dois dias para ser liberadas, estão levando no mínimo oito, e com a “operação crédito zero”, onde as empresas não recebem créditos autorizados pela Receita Federal. Nos outros dois dias da semana, simplesmente, não há expediente. Na primeira semana de greve, segundo a Receita, 400 desembaraços deixaram de ser feitos e apenas cem foram realizados. Ontem, o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal no Amazonas (Sindifisco-AM), Eduardo Toledo, não soube informar dados atualizados do que está pendente.

Segundo cálculos do Cieam, o faturamento diário do PIM é de US$ 160 milhões. Se ao menos dez fábricas pararem suas atividades a perda diária chega a US$ 16 milhões. “Já que o Governo, em todas suas esferas, não tem nos auxiliado e o cerco a cada dia se aperta, temos que fazer algo e corrermos para diminuir esse impacto”, avaliou Périco. A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) questiona a informação do Cieam, uma vez que toda movimentação de vitalidade das fábricas do PIM passam pela autarquia e, até o momento, não foi comunicada que houve suspensão total de atividades.