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Haitianas não perdem a esperança em Manaus

Alojadas na casa de retiro dos Capuchinhos, muitas sonham em concluir os estudos e ser enfermeiras 14/02/2012 às 08:02
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Para Esteve Rose-Laure, uma das imigrantes alojadas na Casa de Retiro Ininga, o “Brasil é o melhor país nesse momento”
MILTON DE OLIVEIRA Manaus

Mulheres haitianas que chegaram no início de fevereiro à cidade, e estão alojadas na Casa de Retiro Ininga, dos Padres Franciscanos Capuchinhos, Coroado 3, Zona Leste, querem realizar o sonho de concluir, em Manaus, os estudos iniciados no Haiti.

Muitas desejam ser enfermeira e começar uma vida nova no Brasil. O sonho, segundo elas, continua vivo apesar das dificuldades enfrentadas no caminho que tiveram que percorrer até chegar à cidade.

“Eu continuo sonhando com a profissão de enfermeira. Agora, quero exercê-la em Manaus, que me acolheu”, disse Sabine Beauvoir, 27, que pretende melhorar o idioma português, terminar o ensino médio e fazer um curso técnico de enfermagem.

Ela disse, também, que o que a motivou a escolher essa profissão foi a admiração pelo trabalho de homens e mulheres enfermeiros que estiveram em seu país durante as catástrofes. A pequena “Le petit” Entre as 27 haitianas que dividem os dois dormitórios do prédio independente da casa de retiro dos frades, a mais jovem é Jaiquet Love-Martine, 15, que gosta de ficar perto da piscina. Ela veio com a tia e a irmã.

“Não foi fácil chegar até aqui, passamos muitas dificuldades. Mas agora estou feliz, e espero ser brasileira”, disse a jovem com um enorme sorriso no rosto. Jaiquet ainda não fala português, mas deseja aprendê-lo porque sabe que seu futuro depende, também, do idioma. Além disso, quer continuar os estudos fundamentais e ser enfermeira. Segundo a irmã de Jaiquet, Esteve Rose-Laure, 24, seus pais ficaram no Haiti. “Meus pais sempre desejaram o melhor para nós, e, nesse momento, o Brasil é o melhor”, disse.

Sete haitianas, com a ajuda de voluntários, estão trabalhando em casas de famílias ou em salões de beleza. “Elas trabalham mesmo, de verdade. Não fingem que estão trabalhando. Com a ajuda de paroquianos, conseguimos dar empregos para algumas”, destacou o religioso franciscano frei Mário Ivon.

Ainda conforme ele, a casa de retiro dos frades, com a ajuda de assistentes sociais, oferece a alimentação, encaminha para exames médicos e orienta a tirar o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). “Qualquer ajuda é necessária para essas pessoas que perderam tudo, mas não a esperança e o sorriso”, concluiu.

2ª etapa de mutirão será hoje às 18h

Nesta terça-feira (14), por volta das 18h, as haitianas que possuem o quadro de vacinação incompleto retornarão à casa dos frades Capuchinhos, conhecida como Obra São Francisco de Assis, localizada na rua Monsenhor Coutinho, Centro, para tomar as vacinas.

De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), será feita aplicação de vacinas contra tétano e febre amarela nas mulheres, atualização do quadro vacinal das crianças de acordo com o calendário previsto pelo Ministério da Saúde e coleta para análise da qualidade da água para o consumo humano.

Na próxima sexta-feira, 17, a equipe de vigilância ambiental da FVS realiza eliminação de possíveis criadouros do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, e borrifação no local. Amanhã, das 11h às 12h, serão anunciados os resultados dos exames realizados durante o mutirão de saúde promovido pelo Governo do Estado por meio de três fundações, no último sábado.

O balanço da ação será apresentado na sede da Fundação de Medicina Tropical, Zona Centro-Oeste, pelo diretor de pesquisa e ensino do órgão, Marcus Lacerda. A Fundação Alfredo da Matta informou que os exames dermatológicos, realizados em haitianos, são preventivos e por questões de higiene.