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Haitianos que chegaram na última terça-feira a Manaus recebem apoio

Grupo de 208 haitianos começa a se ambientar à cidade. O apoio vem de compatriotas que estão há mais tempo em Manaus , da igreja e comunidade 26/01/2012 às 10:06
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Nessa quarta-feira, com pouco mais de 24 horas na cidade, alguns imigrantes já haviam saído à procura de empregos enquanto outros buscavam informações de como agir
Felipe Libório Manaus

Dos 208 haitianos que chegaram a Manaus na última terça-feira, 70 passaram a noite no pátio coberto da paróquia de São Geraldo, no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul. Os imigrantes fazem parte do grupo que aguardava em Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus) e foi atendido pelo mutirão iniciado na semana passada pela Polícia Federal.

De acordo com o padre da paróquia de São Geraldo, Gelmino Costa, a maior parte dos imigrantes foi deslocada para as casas de haitianos que já estão estabelecidos em Manaus e outros foram acolhidos por famílias e outras entidades religiosas. “A sociedade civil tem se mobilizado e mostrado ação diante do problemas dos imigrantes haitianos. Tivemos famílias levando até 20 deles para suas casas”, afirma o pároco.

A Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas) e a Pastoral do Migrante produziram, no início do mês, um relatório sobre a situação dos haitianos no Amazonas. O documento foi encaminhado para o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), e requisitava verbas para o acolhimento dos imigrantes, além da compra de colchões e alimentação. De acordo com a Seas, ainda não houve resposta.

Mais imigrantes



De acordo com o padre Gelmino, informações vindas de Tabatinga dão conta de que um número ainda maior deve chegar no sábado e na segunda-feira. “Dos 400 colchões disponíveis, sobraram apenas 50”, diz ele. O padre afirma que as necessidades emergenciais dos haitianos são apenas de alojamento e alimentação. “Os haitianos permanecem nos abrigos por, no máximo, 30 dias. Logo que encontram emprego, eles se juntam para dividir o aluguel de uma casa e já conseguem se tornar independentes”, diz ele.

Para Maria Dias, 56, que entregou uma doação de dois fardos de arroz à paróquia de São Geraldo, é importante que a sociedade civil ajude. “Se eu estivesse na mesma situação iria querer que alguém fizesse algo por mim. Se um der o feijão e outro o arroz, todos comem. Ficar apontando o dedo e procurando de quem é a responsabilidade não vão encher a barriga de ninguém”, disse ela.

Nessa quarta-feira (25), a reitora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Márcia Perales, disse que foi proposta a publicação de um edital de apoio humanitário aos haitianos, por meio Programa Atividade Curricular de Extensão (Pace). Os novos projetos terão atividades específicas, destacando-se o envolvimento de alunos de graduação das licenciaturas em línguas estrangeiras que darão apoio, principalmente, no ensino da língua portuguesa. A proposta final deverá ser apresentada na Paróquia São Geraldo no sábado, 28.