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Herança que motivou a morte de três membros da família Belota está avaliada em R$ 200 mil

“Não fiz nada por amor. Fiz porque ele me prometeu parte da herança”, disse Rodrigo, um dos acusados das mortes. Ele acusa Jimmy Robert, filho de uma das vítimas, de ser o mentor dos assassinatos 23/01/2013 às 19:28
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A coletiva de imprensa aconteceu na Delegacia Geral
Ana Carolina Barbosa e Náferson Cruz Manaus

A herança que, segundo investigação policial, levou o publicitário Jimmy Robert, 30, a planejar a morte do pai e de outras duas pessoas de sua família, assassinados na última terça-feira (23/01), está avaliada em R$ 200 mil. A informação foi divulgada nesta quarta-feira pelo titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Divanílson Cavalcante. 

Em coletiva ocorrida na tarde de hoje, o delegado relatou que o pai de Jimmy, Roberval Roberto de Brito, 60, era beneficiado com uma pensão de R$ 3 mil, por conta da morte da esposa, vítima de câncer, em 2012. Divanílson revelou que o pai repassava todo mês R$ 500 deste total para o publicitário, o que o deixava revoltado, pois Jimmy achava o valor insuficiente.


Detalhes revelados em depoimentos por dois comparsas, identificados como Ruan Pablo Bruno Cláudio Magalhães e Rodrigo de Moraes Alves, mostram a frieza do rapaz ao planejar e dar continuidade à execução da família. Os três foram autuados em flagrante por homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e porte ilegal de armas.

A investigação aponta que Jimmy, que morava com a tia  Maria Gracilene Belota, 59, e a filha dela, Gabriela Belota, 26, no apartamento 204, bloco 13 B, condomínio Parque Solimões, no bairro Raiz, na Zona Sul de Manaus, esteve no local do crime pouco antes das mortes das duas. Ele alegou à empregada que tinha ido buscar uma agenda e o cachorro de Gabriela para passear.   

Em seguida, segundo investigações da polícia, Jimmy saiu do prédio e informou aos comparsas a movimentação no imóvel. Ruan Pablo e Rodrigo  entraram no prédio, então, em um veículo modelo Gol, de cor preta e placa não revelada, e executaram ambas. Eles teriam evitado usar armas de fogo, embora ela resistisse, para não fazer barulho. Neste momento, optaram por utilizar um estilete, realizando cortes na região do pescoço da vítima, ao mesmo tempo em que a estrangulavam. A sobrinha foi a segunda a morrer.

Após os homicídios, eles seguiram para o Motel Beija Flor, nas proximidades da Ponte Rio Negro, que liga Manaus a Iranduba. Lá, trocaram de roupa para esconder as marcas do primeiro crime e seguiram em uma picape Montana, de propriedade de Jimmy, para a casa do pai dele, localizada rua Rego Barros, no bairro São Raimundo, Zona Oeste de Manaus. Usaram a chave para entrar na residência e matar Roberval. A entrada nos dois imóveis foi facilitada, uma vez que Jimmy possuía cópias das chaves de ambos.


Durante a apresentação dos acusados, Jimmy se reservou ao direito de falar apenas na presença do advogado. Ele continua negando participação no crime. Contudo, Rodrigo, apontado como namorado dele, que ajudou a assassinar as vítimas, afirmou que o publicitário foi o mentor das mortes. “Não fiz nada por amor. Fiz porque ele me prometeu parte da herança”, disse Rodrigo.

Ruan Bruno, o outro comparsa, corroborou a versão de Rodrigo. Ainda segundo a polícia, embora não tenha praticado os homicídios de fato, Jimmy contribuiu para as mortes, uma vez que dirigiu o carro até a casa do pai, acompanhou tudo e possibilitou o acesso dos assassinos às residências, além de planejar tudo.