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Manaus
Entrevista Herbert

Herbert Amazonas fala do que pretende fazer caso seja eleito prefeito de Manaus

Candidato do PSTU já pode ser considerado um veterano em candidaturas na cidade 05/08/2012 às 18:06
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Herbert Amazonas, do PSTU
Mariana Lima Manaus

Veterano na disputa eleitoral, o funcionário público e sindicalista dos Correios, Herbert Amazonas (PSTU), promete fazer uma revolução e virar “de ponta a cabeça” o sistema de administração da Prefeitura de Manaus, caso seja eleito em outubro. Fã de filmes sobre revoluções sociais, o candidato socialista se declara favorável à descriminalização do aborto, da maconha e ao casamento de pessoas do mesmo sexo. A seguir trechos da entrevista concedida pelo candidato a A CRÍTICA na última quarta-feira(01):

 Por que o senhor quer ser prefeito de Manaus?

Nossa candidatura tem o objetivo de fazer uma avaliação do que se passa na nossa cidade e apresentar as propostas do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU). Não é um projeto particular do Herbert Amazonas e sim um projeto debatido dentro da organização que participo.

Por qual motivo o partido sempre indica o seu nome para disputar as eleições?

O motivo é que não existe democracia no nosso País. Se nós botarmos um companheiro que é operário lá do Distrito Industrial há alguns problemas, como os patrões que não querem receber críticas. Quando ele retornar ao trabalho o que vai acontecer? Demissão! Eu sou funcionário público, não tem como eles me perseguirem.

Qual vai ser o carro-chefe da sua campanha? À qual área o senhor pretende dar maior destaque? A construção de moradias populares para as pessoas. Sem a repressão, agressão, prisões, em cima dos movimentos sociais. Essa é a nossa maior proposta.

As questões de ocupação de áreas para fins de moradia estão sendo tratadas como problema de polícia e não como problema social?

Hoje ser pobre é ser criminoso. Então, você ocupa uma terra para construir o seu barraco e é um crime. Inclusive hoje nós temos pessoas presas por causa de lutas por moradia.

 Historicamente o Estado cuida da habitação e atualmente não temos muitas iniciativas da prefeitura. O que a sua administração pretende fazer, pontualmente, em relação a esse tema?

Quando nós falamos que Manaus é para os trabalhadores e não para os ricos, queremos dizer que o orçamento público da prefeitura será voltado para a moradia popular. Estamos falando isso porque teremos um plano de obras públicas que atenda esse setor.

O que o senhor espera como legado da Copa para a cidade?

O legado da Copa vai ser desemprego, muitas pessoas sem moradia e uma estrutura (a Arena da Amazônia) que pouco vai ser utilizada. Isso é o que historicamente aconteceu com as outras cidades após a Copa.

Como o senhor avalia o Prosamin?

Esse é um projeto internacional para dar uma maquiada por causa da Copa. É uma obra que atende um pequeno número de pessoas e o impacto dessa política será catastrófico.

 Qual é, pontualmente, a sua proposta para o centro histórico de Manaus?

Pensamos numa política que reúna as pessoas envolvidas na questão da arquitetura, os engenheiros, as organizações que trabalham essa questão da cidade para a gente construir um conselho no qual se trabalhe todo mundo junto.

A Câmara Municipal de Manaus aprovou o Zona Azul que prevê cobrança de pedágio, mas o projeto não foi colocado em prática. A sua administração pretende implantar essa lei?

Se as pessoas acharem que a Zona Azul atende às necessidades, sim. Eu, como usuário, acho que não atende, porque fica na mão de terceiros e acaba virando uma forma de você recolher mais dinheiro sem um retorno adequado para a população.

Outro projeto aprovado pelos vereadores que gerou repercussão negativa na sociedade é a lei que prevê a cobrança de taxa para o lixo. O senhor pretende implementar essa lei?

Temos que rever porque é um problema sério, de uma política que tem por finalidade coletar dinheiro da população e o serviço praticamente não é de qualidade, não tem pontualidade na coleta do lixo, a infraestrutura dessas empresas não atende essas necessidades.

O senhor pretende manter o contrato com a Consladel (empresa responsável pela fiscalização eletrônica e envolvida em escândalos), se eleito prefeito?

Os contratos que tiverem problemas como suspeitas de fraudes, que não tiverem bem claros para que a prefeitura possa manter o relacionamento com determinadas empresas, nós vamos suspender de imediato. Essa questão dos corujinhas e da sinalização vai ter que ser revista.

Como o senhor pretende resolver o problema da falta de água na cidade?

 Em várias candidaturas que eu participei a nossa principal política para esse setor foi e é retomar a empresa para o serviço público. Queremos municipalizar a empresa e punir os responsáveis por esses anos de serviço mal prestados com uma taxa caríssima de água e cobrança de esgoto onde não existe.

O senhor pretende manter o contrato com a empresa Águas do Brasil?

Queremos municipalizar a empresa. Queremos uma empresa pública, estatal, administrada pela prefeitura, com concurso publico. Uma empresa que esteja voltada para a população e não atender o bolso dos empresários.

O senhor pretende permanecer com o BRT? Qual é a a sua posição sobre o monotrilho? São projetos que não atendem à necessidade da população. Nós temos que pensar em soluções no atacado e não no varejo. De imediato acho que precisamos ampliar os terminais existentes e dar qualidade para que esses terminais possam ser bem utilizados pelas pessoas.

Como o senhor pretende resolver o problema da falta de creches em Manaus?

 Esse é um problema que afeta principalmente as mulheres que trabalham e não têm com quem deixar as suas crianças. Na verdade, não há creche como foi propagado pela gestão atual, que prometeu mil creches e não entregou nem dez. Creche, para nós, faz parte da questão educacional, de política para a educação e e para a saúde porque, assim, é possível tratar as crianças com melhores condições.

Há muitos prédios alugados que servem como escolas, e vários deles sem condições para abrigar uma escola. Como o senhor pretende enfrentar essa situação?

É uma questão-problema. Tem escola, mas não tem ar-condicionado, biblioteca, computador, laboratório, profissionais da área porque escola não é só uma estrutura é toda uma equipe técnica pra fazer aquela estrutura funcionar. Muitos prédios que são alugados talvez não tenham tanta necessidade ou ofereça a estrutura necessária para aquela instituição. Nós vamos rever isso.

Na questão da saúde básica qual é o modelo ideal?

 Achamos que tem que permanecer a Casinha de Saúde porque ela é o primeiro contato da população com os problemas de baixa complexidade. Ela tem que ser mantida, mas não do jeito que está, sem a mínima condição de funcionamento. A Casinha da Saúde precisa ter médicos, enfermeiros, dentistas e nutricionistas. As casas não podem ser construídas da forma que atualmente são e que não atendem com decência as pessoas que procuram esses lugares. Os funcionários têm que ser públicos, concursados, com carga horária e plano de cargos e salários definidos. Assim eles podem trabalhar tranquilos e satisfeitos e reestrutura o serviço público municipal.

O que o senhor vai fazer com os projetos sociais da atual administração?

Em princípio, vamos suspender esses projetos. Queremos discutir outra forma para atender a população.