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Manaus
BOM VELHINHO

Herdeiros de Noel ‘abandonam’ identidades para reforçar ‘exército’ do bom velhinho

Quando dezembro chega, eles “invadem” shoppings, empresas, praças e ruas distribuindo carinhos, abraços e, claro, sorrisos para as fotos 24/12/2017 às 05:54 - Atualizado em 24/12/2017 às 14:45
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Foto: Antônio Lima
Danilo Alves Manaus (AM)

Ao longo do ano eles passam despercebidos por todos enquanto cumprem suas atividades cotidianas, mas quando o dia 25 de dezembro se aproxima, um “exército” de Papais Noéis entra em cena para espalhar a “magia” do Natal, exercitando o dom de, pelo menos uma vez ao ano, fazer as crianças, adultos e até idosos sorrirem, terem esperança e acreditarem no espírito natalino.

Quando dezembro chega, eles “invadem” os shoppings, empresas, instituições públicas, praças e ruas distribuindo carinhos, abraços e, claro, muitos sorrisos para as fotos. Mas se engana quem pensa que as crianças são as únicas presenteadas com esses encontros. Os artistas, vendedores, motoristas ou administradores que se “escondem” por trás do “barrigão” e da barba branca ganham bem mais que uma comissão tão gorda quanto o personagem mais famoso do Natal: eles vivem experiências únicas.  “É uma experiência sensacional que tenho a sorte de ter. As crianças são os melhores seres humanos do mundo”, disse Kleber Sahdo, 51, o “Noel” do Largo de São Sebastião, no Centro.

Artista nas horas vagas, de janeiro até novembro o representante de vendas trabalha em uma loja de rastreadores veiculares. Kleber, que assumiu o “posto” há 12 anos, conta que “caiu de pára-quedas” nessa atividade. “Foi há 14 anos”, lembrou, enquanto se preparava para mais um dia como o Papai Noel do Largo, papel que lhe foi dado em 2005, ano em que o projeto foi implantado pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC).

Na ocasião, contou ele, a esposa dele trabalhava na organização de um evento cultural no Teatro Amazonas e convocou o marido para ser um Noel substituto, diante da ausência do titular. “Foi tudo novo para mim. Vesti a fantasia e fiz a interação com as crianças. Alguns me disseram que eu fui até melhor que o titular. Na hora do pagamento eu percebi que o cachê era bom e comecei a investir”, disse.

 Para se destacar no novo “mercado de trabalho” e chamar a atenção da criançada, Kleber decidiu investir pesado na indumentária. Ele comprou uma fantasia feita sob medida para ele e mandou buscar em outro Estado, pela internet, uma barba branca. “Eu encomendei a fantasia adequada para o meu tipo de corpo. Ninguém acredita quando eu conto que é tudo falso. Nunca tinha me revelado antes, mas agora é um momento muito importante na minha vida”.

Histórias

Após tantos anos interpretando o “bom velhinho”, Kleber Sahdo “coleciona” boas lembranças, algumas tocantes. Na Casa do Papai Noel, no Largo, ele já atendeu crianças de diferentes idades e classes sociais. A cada conversa, uma nova experiência.

Uma delas aconteceu meses depois que a esposa de Kleber faleceu, há sete anos: uma menina, entre dezenas de crianças que aguardavam na fila, se aproximou e Kleber perguntou: “O que você quer ganhar de Natal? Ela me disse apenas que queria a mãe dela de volta. Eu me segurei para não chorar e depois a levei para a sacada da casa do Noel. Assim como eu disse ao meu filho quando a mãe dele morreu, contei àquela criança que a mãe dela tinha se tornado uma linda estrela, enquanto apontava para o céu. Ela se emocionou e saiu de lá acreditando naquilo. Eu precisei de uma pausa naquela hora. Mas fiquei feliz por ter tido essa oportunidade de ser especial para uma criança”, relembrou.

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