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Homem que confessou estupro de 15 mulheres em Manaus corre risco de morrer na cadeia

Rejeição de outros presos do Puraquequara faz Sejus solicitar transferência de Anderson Silva para presídio federal 08/03/2012 às 16:53
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Anderson Ferreira da Silva confessou o estupro de 15 mulheres
Jornal A Crítica Manaus (AM)

O risco de um atentado contra a integridade física do preso Anderson Ferreira da Silva, o “Maníaco do Eldorado”, 28, estuprador confesso de 15 mulheres, levou a direção do Sistema Penitenciário de Manaus a requerer a transferência dele para um presídio federal, segundo informou ontem o secretário executivo de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), coronel Bernardo Encarnação.

Segundo Encarnação, Anderson da Silva está preso desde a manhã da última segunda-feira, em uma cela separada dos demais detentos na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste, e os demais internos já sabem que ele está lá. Até ontem não havia sido registrada nenhuma manifestação.

A rejeição à presença de presos acusados de estupro nas cadeias faz parte da subcultura carcerária e está presente em todos os presídios do Brasil, lembrou o secretário. Os presidiários ficam sabendo das acusações contra o preso antes mesmo dele chegar à cadeia e muitas vezes já avisam que tal preso não é bem-vindo.

Atualmente, nas cadeias públicas de Manaus, existe uma ala destinada a presos acusados de estupro e de crimes contra crianças. De acordo com informações de guardas penitenciários, que preferem não revelar o nome, o sentimento dos internos com quem pratica esses tipos de crimes é de revolta, o que leva a fazer justiça com as próprias mãos. No caso de suspeitos de estupro, na maioria das vezes eles são violentados e, quando há uma rebelião, são os primeiros a “irem para o sal”, ou seja, na linguagem dos presos, serem mortos.

A situação de Anderson da Silva está sendo analisada pela direção do presídio e pelos juízes da Vara de Execução Penal (VEP), que entraram em contato com o Departamento Penitenciário Nacional, verificando a possibilidade da transferência do preso para uma unidade federal. .

No histórico das rebeliões das cadeias públicas de Manaus houve casos em que estupradores foram feitos reféns, mutilados, tiveram suas orelhas cortadas e outros foram mortos com requintes de crueldade. “Estamos cuidando da segurança do preso, já que, enquanto ele estiver em uma das nossas unidades, o Estado é responsável em manter a integridade física dele”, disse Encarnação.

‘Kuka’ foi transferido em 2008

O secretário Bernardo Encarnação disse que o sistema penitenciário do Amazonas já transferiu um preso acusado de estupro para o presídio federal de Campo Grande. Artur Gomes Peres Júnior, o “Kuka”, está desde 2008 naquela unidade prisional.

Kuka responde a 12 processos por estupro, assalto e tráfico de drogas e é conhecido pelo requinte de crueldade com que trata suas vítimas. Segundo Encarnação, o preso corria risco de morte no Amazonas. Quando chegou ao Instituto Prisional  Antônio Trindade (Ipat), localizado no km 8 da BR-174, houve manifestação de rejeição por parte dos demais internos.

Segundo Encarnação, os demais detentos “bateram grade”, que é uma forma de protesto por parte dos presos quando alguma coisa não agradou ou não está agradando. Os presos também teriam se manifestado dizendo que ele seria “a bola da vez” no caso de uma rebelião.

Transferência atende à lei federal

Segundo o coronel Encarnação, a transferência atende ao estabelecido na Lei Federal 11.671, de 8 de maio de 2008, que dispõe sobre a “necessidade de transferência de presos para unidades prisionais de segurança máxima quando a presença destes incita a prática de rebelião em unidades estaduais”. Além de presos acusados de estupro, “xerifes” de cadeia e traficantes também estão no presídio federal.