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Hospital de Envira (AM) sem estrutura para atender pacientes

Falta de equipamentos médicos e atrasos em obras de hospitais põem em risco a vida de pessoas no interior do AM 31/01/2012 às 09:27
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Cercado de mato, hospital de Envira tem obra mais longa do Estado que aguarda inauguração há pelo menos dez anos
LÚCIO PINHEIRO Manaus

Após peregrinação, a Prefeitura de Envira (a 1.215 quilômetros de Manaus) conseguiu emprestar um cilindro de oxigênio para o hospital da cidade socorrer um paciente internado com sintomas de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O caso aconteceu no último domingo (29). O prefeito de Envira, Rômulo Matos (PPS), declarou que a situação vivida no último domingo, com o hospital da cidade sem oxigênio, aliada a demora para concluir a unidade de saúde, exemplifica a precariedade em que se encontra o sistema de saúde pública nos municípios mais distantes da capital do Estado.

Matéria publicada na edição de segunda-feira (30) de A CRITICA mostrou que as obras dos hospitais de Envira, Tabatinga, Humaitá e São Paulo de Olivença estão atrasadas em até quatro anos e meio.

A CRÍTICA foi informada da situação em Envira quando a reportagem entrou em contato com o prefeito para falar sobre o andamento da reforma e construção do hospital do município.

Ajuda

Após pedir ajuda aos municípios vizinhos - Eirunepé (a 1.245 quilômetros de Manaus) e até Feijó, no Estado do Acre -, o hospital de Envira foi socorrido pela unidade de saúde de Ipixuna (a 1.368 quilômetros da capital amazonense).

Na tarde de domingo, a Prefeitura de Envira alugou um avião para levar o cilindro de oxigênio até o município. O paciente que passou pela dificuldade de atendimento no hospital de Envira foi o padre Theo Fersere, de 78 anos, pároco mais antigo do município. Segundo informações da direção do hospital, após receber o auxílio do equipamento, o quadro de saúde do religioso melhorou.

 “Estávamos pensando em transferi-lo com urgência para Manaus, mas, graças a Deus, ele apresentou melhora”, informou o diretor do hospital, Magno Lopes.

Segundo o diretor, o hospital compra oxigênio de comerciantes locais. Por causa da distância do município de Manaus, tanto a unidade de saúde quanto os vendedores têm dificuldade de manter seus estoques.

“Tivemos algumas emergências com outros pacientes, e no domingo não tínhamos mais oxigênio”, explicou o gestor. Magno disse que o hospital de Ipuxuna cedeu apenas um cilindro de oxigênio, pois também estava com dificuldade.

Segundo o diretor, Eirunepé e Feijó não puderam ajudar o hospital de Envira porque também não tinham o equipamento.

Obra em Envira já dura uma década

As obras de reforma e conclusão do hospital de Envira são as mais atrasadas entre os municípios citados na matéria de A CRÍTICA. Segundo levantamento feito no “Mapa de Obras do Governo do Amazonas” (http://sicop.am.gov.br/sicop/), o prazo para conclusão daquela unidade de saúde saltou de 90 para 1.860 dias (cinco anos).

Mas, segundo o prefeito de Envira, Rômulo Matos (PPS), a construção do hospital da cidade se arrasta desde o ano 2000. “Esse novo prazo (90 dias) era apenas o de um novo convênio que foi feito para concluir a obra”, explicou Rômulo.

No dia 13 de março de 2006, o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), assinou um convênio com a Prefeitura de Envira para concluir o hospital. O Estado ficou responsável pela liberação da verba, R$ 1,5 milhão, e a Prefeitura pela contratação da empresa que faria o serviço.

Cinco anos e dez meses depois do convênio, o trabalho permanece incompleto. No domingo (29), o secretário executivo de Assistência à Saúde do Interior da Susam, Evandro Melo, prometeu que o Governo do Estado vai abrir licitação para reiniciar as obras do hospital de Envira. Sobre os hospitais de Tabatinga, Humaitá e São Paulo de Olivença, o secretário disse que os três serão concluídos este ano.