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Igarapé transborda e alaga casas na Zona Oeste de Manaus

A comunidade é vizinha da sede do governo do Estado, no bairro Compensa, Zona Oeste. Os alagamentos foram registrados por volta das 8h 28/11/2012 às 15:42
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Água transbordou e atingiu residências às margens do igarapé. Governo amplia estacionamento ao lado
Thiago Gonçalves Manaus (AM)

Os moradores da comunidade Betel, localizada no bairro Santo Agostinho, Zona Oeste de Manaus, tiveram as suas casas alagadas na manhã desta quarta-feira (28), durante a chuva forte que atingiu a cidade. As famílias residem às margens do igarapé do Mondocá, que transbordou e atingiu as residências. No local é visível o acúmulo de lixo no rio.

O líder comunitário, Francisco das Chagas, estimou que a cada 10 milímetros de chuva alagam em média 30 casas. De acordo com Chagas, aproximadamente 130 residências foram alagadas na manhã desta quarta-feira. O representante da comunidade disse que já foram feitos mais 200 metros de galeria no local, mas o problema não foi resolvido.

De acordo com os moradores da área, as casas começaram a ficar alagadas logo após a chuva, por volta das 8h da manhã. A dona de casa Ionete Souza da Silva, de 49 anos, disse que acordou com a água adentrando a sua residência. A moradora teve a casa totalmente alagada e ainda está contabilizando os prejuízos. “A água vem pela tubulação quando o igarapé transborda. Agora é recuperar o que foi perdido. Conseguimos salvar a maioria das nossas coisas. Mas, ainda nem consegui identificar o que foi perdido”, afirmou.

Os moradores reclamam da situação e reconhecem que estão em um local sem infraestrutura para abrigar as famílias. A localidade foi ocupada pelos moradores há pelos menos 10 anos. A comunidade é vizinha da sede do governo do Amazonas, localizada no bairro Compensa, Zona Oeste.


Casa de moradora foi alagada (Foto: Divulgação)

Os populares acreditam que uma intervenção eficaz das autoridades, com melhorias de urbanização, resolveria o problema. Eles chegam a sugerir a realocação das famílias para conjuntos habitacionais administrados pelo Estado.  

Moradora na comunidade há 10 anos, a dona de casa Valdeniza Souza, 41 anos, conta que os problemas dos moradores são antigos e sem soluções por parte dos órgãos competentes. Mesmo assim, ela pede providências. “Nós queremos que o governo nos dê uma solução. Nós sempre sofremos com alagações aqui. Eles fizeram uma tubulação, mas não resolveu a situação. Nós não temos como sair daqui. Se a gente tivesse outra opção para moradia, não ficaríamos nesse lugar”, comentou.

Além dos alagamentos, o sufoco para salvar objetos e procurar refúgio quando chove, os moradores são obrigados a conviver com animais peçonhentos diariamente. O morador Pedro Nogueira Farias, 53 anos, contou que já viu de tudo naquela região. “Desde baratas a jacarés”, frisou.

Os populares, segundo ele, temem contrair doenças. “É uma situação muito difícil. A gente sofre com a alagação e convive com os bichos. Tem muito rato aqui. Nós, que somos pais de famílias temos que ter total cuidado com as crianças e se prevenir das doenças", ressaltou Farias.

Durante a chuva da manhã desta quarta-feira, os moradores aproveitaram para culpar uma obra de terraplanagem realizada nos fundos da sede do Governo do Estado. Os moradores acreditam que o aterro para ampliação do estacionamento foi feito muito próximo ao igarapé, e esta seria a principal causa das alagações. No entanto, na área da comunidade é possível observar o lixo jogado pelos próprios moradores no igarapé.

Levantamento das famílias afetadas

Após os populares se manifestarem em frente ao palácio do Governo, por volta das 9h, representantes de órgãos do município e Estado foram ao local para averiguar a situação dos moradores. Equipes de Defesa Civil visitaram as alagações.

A secretária de Estado de Assistência Social e Cidadania, Maria das Graças Soares Prola, informou que será feito um levantamento das famílias afetadas para identificar qual ajuda humanitária será necessária. “Nós vamos avaliar os prejuízos que as famílias sofreram para prestar ajuda de emergência. Todos os moradores atingidos serão cadastrados”, garantiu.

Resposta

Sobre ações executadas na área onde fica a comunidade e sobre a obra de ampliação do estacionamento na sede do Governo do Estado, a Agência de Comunicação (Agecom) ficou de enviar uma nota com esclarecimentos, após o levantamento das informações.