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Igarapés recebem 700 toneladas de lixo todos os meses no AM

Quantidade de resíduos deve crescer por conta das chuvas, que levam o lixo para o leito, e o processo de enchente. A Semulsp recolheu só em janeiro 649 toneladas 26/02/2013 às 08:23
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A bacia do igarapé de São Raimundo concentra a maior parte do lixo que chega aos cursos d’água de Manaus
Florêncio Mesquita ---

Todos os meses a Prefeitura de Manaus retira dos igarapés aproximadamente 700 toneladas de lixo. Apesar do serviço ser considerado extremamente caro pelo município, o valor não foi revelado. Durante a cheia, contudo, esse número aumenta. As bacias dos bairros Educandos e São Raimundo são os locais onde mais se recolhe lixo em igarapé na capital. A quantidade é tão grande que a Prefeitura de Manaus precisa manter uma equipe de agentes e limpeza, além de balsas e botes permanentemente nesses locais.

O descarte incorreto de lixo nas ruas de Manaus causa, anualmente, inúmeras consequências à população, além da poluição dos igarapés e dos fragmentos de floresta. No período chuvoso, o problema se agrava porque o acumulo de lixo intensifica o transbordamento de igarapés inundando casas, gerando prejuízo material, além de doenças que podem levar a morte.

Segundo o titular da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Paulo Farias, a maior parte do lixo recolhido dos igarapés é proveniente das ruas.

“Antigamente tínhamos pessoas que moravam perto de igarapé e jogavam sacolas de lixo neles. Agora, infelizmente aumentou a número de pessoas que jogam lixo pela janela do carro e aquelas que jogam o próprio lixo doméstico na rua e em determinado momento vai parar na rede de esgoto e acaba nos igarapés”, disse.

Para Farias, o problema poderia ser facilmente resolvido ou, pelo menos, amenizado, se a população varresse a frente das próprias residências, recolhesse e acondicionasse o lixo corretamente. Ele explica que em função da topografia de Manaus o lixo tem como destino certo os igarapés, uma vez que, a chuva forte comum nessa época do ano leva materiais até mais pesados para o esgoto. O resulto são ruas e até comunidades inteiras alagadas.

Retirar toneladas de lixo das duas bacias é uma rotina para agentes de limpeza pública. Em alguns casos, até mergulhadores são utilizados para dar suporte. Em meio a tanto lixo, surgem objetos curiosos que nunca deveriam ter ido parar em igarapé. Entre eles, estão geladeira, fogão, sofá, mesa, entre outros.  Em muitos casos, as próprias pessoas atingidas pela cheia ou por alagação e que moram próximo de igarapé jogam os móveis danificados para serem levados pela água. A atitude segundo Farias só piora o problema porque os objetos vão se acumular em determinado ponto, represar o curso d’água e gerar mais alagação.

“Só a chuva de ontem, por exemplo, levou quilos de lixo para os igarapés. Por mais que o agente de limpeza faça o trabalho de varrição, grande parte do lixo vai para nos igarapés”, disse o secretário.       

Em janeiro foram 649 toneladas

Somente no mês de janeiro deste ano, Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), recolheu 649 toneladas de resíduos sólidos urbanos nas duas balsas utilizadas no serviço. Em contrapartida, a remoção manual da pasta retirou um montante de 52 toneladas. Segundo a secretaria, o total registrado significa que 80 toneladas de lixo foram recolhidos por quilômetro este ano.

O serviço limpeza foi feito em 13 igarapés de Manaus cobrindo uma extensão linear de 8.835metros. Na limpeza diária dos igarapés do São Raimundo e Educandos são utilizadas duas retroescavadeiras hidráulicas e duas balsas que percorrem os rios enquanto há condições de navegabilidade. Uma equipe de 21 garis em cada balsa atua dentro d’água e nas margens dos igarapés, inclusive, em palafitas conduzindo o lixo até a embarcação.

O equipamento só não é utilizado nos igarapés do Mestre Chico, Franco, Mindu, Manaus 2000, 40, entre outros, porque são estreitos. No entanto, uma equipe de 21 garis da empresa terceirizada Conserge faz o serviço.