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Igreja Católica enrijece postura contra padres pedófilos

Expulsão e denúncia às autoridades civis para as providências cabíveis são as principais determinações a partir de agora 26/02/2012 às 15:18
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Prática no meio de sacerdotes era “escondida” com transferência do pároco para comunidades isoladas
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus

Uma Igreja mais rígida e fiscalizadora. É assim que o arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira, avalia a postura da Igreja Católica frente às denúncias de casos de abusos sexuais praticados por sacerdotes contra crianças e adolescentes.

Segundo ele, há pelo menos seis anos o Vaticano adotou uma série de normas para serem aplicadas em caso de denúncia de abusos. Entre elas, está a expulsão do sacerdócio, rebaixando o sacerdote ao estado civil, e o encaminhamento do caso para a Justiça comum. Ele explica que, antes da criação das normas, os sacerdotes envolvidos em denúncias eram isolados em comunidades distantes a fim de evitar novos casos de abusos.

A avaliação de dom Luiz é feita em contraponto à declaração do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em Roma na Itália, Cardeal William Levada. No início do mês, Levada apresentou, na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, dados que revelam que nos últimos dez anos foi registrado um total de 4 mil denúncias de abusos sexuais praticados por padres contra crianças e adolescentes.

Apesar do quantitativo, o cardeal não delimitou os países onde os crimes ocorreram. Levada apresentou os dados durante a abertura do Simpósio Internacional para Bispos e Superiores Religiosos sobre o abuso sexual. No evento, o cardeal também falou sobre o esforço da Igreja Católica e do papa Bento XVI, para combater tal prática e ajudar as vítimas.

Segundo dom Luiz, as normas para combater abusos foram criadas depois que escândalos estouraram nos EUA e na Europa e vieram a público em 2001 e 2002.

“Desde então, a Igreja está muito mais rígida. Por exemplo, se numa diocese há um caso de pedofilia com acusação e sérios argumentos, imediatamente o bispo tem que suspender o sacerdote e denunciá-lo à autoridade civil, seja juiz, Ministério Público ou polícia, para que a questão seja apurada. A Santa Sé exige que seja comunicado o caso e a congregação é chamada para a defesa da Sé”, disse.

Dom Luiz completa que, nesses casos, é instaurado um processo dentro da igreja para confirmar ou não a acusação. Para ele, os números são tristes e representam uma maldade inconcebível que deve ser combatida.

“Infelizmente isso pode acontecer em todo lugar. Em todo lugar existem pessoas normais e outra que são doentes. Por isso é preciso evitar que esses problemas causem mal a outras pessoas”, explicou. Dom Luiz acredita ainda na colaboração da Igreja com as autoridades civis para identificar os abusos e punir os responsáveis mostra a rigidez do Vaticano, que não é conivente com “uma maldade que não apenas viola as leis penais como as leis de Deus”. No mesmo ponto, ele ressalta a importância de proteger as vítimas e de ouvi-las.

Dom Luiz S. Vieira Arcebispo de Manaus

“Os casos que estouraram há dez anos na Austrália, EUA e Europa, mostraram a gravidade da questão. Antes mudavam o padre de um lugar para outro e acontecia a mesma coisa. E, por isso, era necessária a criação de medidas mais rígidas. Nos EUA, algumas dioceses foram condenadas a pagar grandes indenizações às vítimas. Hoje a Igreja está mais atenta à questão e para evitar novos casos e afastar as pessoas que tenham esse problema. O Vaticano fez um livrinho com todas as normas de como proceder nesses casos. Essas regras servem para o mundo todo e não pode haver conivência ou passar a mão na cabeça de um sacerdote. A Justiça é para todos.”