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Manaus
Cotidiano, Religião, Catolicismo, Igreja de São Sebastião, Centenário, patrimônio histórico, Devoção

Igreja de São Sebastião celebra 100 anos de tradição em Manaus

Igreja foi o terceiro templo católico de Manaus a ganhar status mais importante da religião, logo atrás da Matriz e Remédios 02/09/2012 às 11:39
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A nave central do templo é considerada imponente e remete a arte dos arquitetos italianos trazidos pelos frades capuchinos de São Francisco
Carolina Silva Manaus

A igreja de São Sebastião celebra, no próximo dia 8, o centenário de sua elevação à categoria de paróquia - antes era apenas uma capela. Situada na rua 10 de Julho, no centro histórico de Manaus, a igreja destaca-se pela devoção de centenas de católicos, pela localização privilegiada e por sua arquitetura de estilo neoclássico com elementos medievais.

A história da paróquia inicia-se em 1859.

“O primeiro passo de uma grande igreja é sempre uma capela. A paróquia de São Sebastião era uma capela de madeira, muito simples e foram os moradores que moravam no entorno que a construíram. Somente depois de algum tempo se projetou construir uma paróquia de alvenaria”, conta frei Sebastião Fernandes Filho, pároco da igreja.

No mesmo ano, foi fundada em Manaus a Irmandade São Sebastião que viu a necessidade de construir um templo maior. Dois anos depois, três freis franciscanos italianos vieram de Belém (PA), para o serviço religioso na paróquia.

Um deles era o frei Jesualdo Machetti, que impulsionou a construção do templo que hoje é admirado por manauaras, turistas de outras cidades e até mesmo de outros países.

“Essa igreja foi abençoada no dia 7 de setembro de 1888. Então, enquanto templo, ela celebra 124 anos. E no dia 8 de setembro de 1912 é que ela foi elevada à dignidade de paróquia. Foi a terceira de Manaus. A primeira é a catedral de Nossa Senhora da Conceição (a Matriz) e a segunda a igreja dos Remédios”, conta o atual pároco.

O casal de italianos Ornella Pastore, 43, e Alfredo Ibba, 50, não disfarçaram os olhares de admiração pela semelhança da arquitetura da igreja de São Sebastião com os templos da Itália.

“De fora já percebemos a beleza desta igreja. As pinturas e conservação dela são muito parecidas com paróquias italianas”, disse Ornella.

As pinturas que cobrem o teto até o altar, incluindo a cúpula e as paredes, trazidas da Itália, são dos pintores italianos Balleriini, de Roma, e as que estão no altar-mor, de Francisco Campanella. No teto, logo à entrada, está o martírio do santo.

A igreja é zelada pelos frades capuchinhos, uma ordem religiosa aprovada como um ramo da primeira ordem de São Francisco de Assis em 1517 pelo papa Leão X. Depois que foi elevada como paróquia, teve como primeiro pároco o frei José Massi de Leonissio.

Atualmente, dez frades capuchinhos moram na paróquia. O frei Fulgêncio Monacelli realizou serviço religioso na igreja São Sebastião durante 21 anos e foi o pároco que ficou por mais tempo no posto.

Histórias de grande devoção
Ao longo de cem anos, a paróquia também reúne histórias anônimas como a de Francisco Gomes, 41, que sempre que consegue sair mais cedo do trabalho não deixa de buscar em sua devoção a São Sebastião a proteção da família .

“É um lugar acolhedor. Me sinto confortado aqui quando preciso estar mais perto da presença de Jesus Cristo. Gosto de vir a esta igreja pra pedir que abençoe minha família e a proteja do mal”, disse.

São Sebastião é considerado protetor da humanidade, contra a fome, a peste, a guerra e os inimigos da religião. Frei Sebastião não sabe explicar ao certo o encanto que as pessoas tem pela igreja, mas destaca que sendo centenária, a paróquia tem suas características próprias.

“Com o tempo a igreja foi adotando suas características. Uma das novidades é que é a única igreja que iniciou a adoração perpétua, que é a adoração do santíssimo sacramento 24 horas. Qualquer hora você pode vir para adorar Jesus. A arquitetura dela também é diferente e celebramos oito missas aos domingos”, destacou.

Solidariedade
“A igreja São Sebastião sempre foi muito acolhedora. Sempre foi cuidada pelos capuchinhos. Foram muitos frades que se destacaram ao longo desses cem anos. Até hoje foram 12 párocos. Desde o início, os frades eram enviados da Europa para evangelizar as terras brasileiras. Eles chegaram aqui e começaram a desenvolver seus trabalhos. O frei Valério, por exemplo, criou o projeto social chamado ‘Natal dos Pobres’, na década de 80 e que resiste até hoje. É um movimento para chamar benfeitores para arrecadar recursos e doar aos pobres. A paróquia de São Sebastião sempre apóia obras sociais. Outro exemplo é que, para nós, todo o primeiro domingo do mês é chamado ‘domingo da caridade’, em que também fazemos arrecadações para entidades”, informa o pároco capuchinho .

Casamentos
Com tanta tradição e admiração dos fiés, a igreja de São Sebastião é uma das preferidas para a realização de casamentos em Manaus. A fila para casar na igreja dos frades capuchinhos chega a ter um ano de espera, mas, segundo os fiéis, vale muito a pena esperar para casar num templo de tamanha história.