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Imprensa é responsabilizada por fracasso da CPI da Água em Manaus

Para o presidente da CPI da Água, vereador Leonel Feitoza (PSD), a descaracterização da comissão é resultado da ação dos meios de comunicação 07/08/2012 às 07:24
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O presidente da CPI, vereador Leonel Feitoza (PSD), sugeriu que imprensa desconsiderou o trabalho feito pelo grupo
AUGUSTO COSTA Manaus

Depois de responsabilizar a presidência da Câmara Municipal de Manaus (CMM) pela falta de estrutura para a CPI da Água, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, vereador Leonel Feitoza (PSD), culpou nessa segunda-feira (6), a imprensa pelo fracasso da comissão.

Leonel Feitoza criticou a imprensa por não ter acompanhado as visitas nas comunidades das Zonas Norte e Leste onde a população sofre há décadas com a falta de água, mas o próprio Leonel disse a A CRÍTICA, em entrevista na semana passada, que as audiências nessas comunidades eram sempre realizadas com as mesmas pessoas. Comentou que o vereador Waldemir José levava sempre as mesmas pessoas para as audiências.

“O problema é que vocês (imprensa) querem descaracterizar um trabalho que foi feito com muita seriedade. Esse é o problema de vocês. Tentaram descaracterizar a CPI do começo ao fim. Não foram a fundo como nós fomos, não participaram de uma visita a um bairro, de nenhuma audiência pública com a comunidade, mas para descaracterizar vocês foram ágeis. Então, façam o juízo de valor que vocês acharem que devem fazer”, disse o vereador.

Apesar de o vereador Leonel Feitoza procurar culpados para o pífio desempenho da CPI da Água, a realidade é que depois de cinco meses de investigação, a Comissão Parlamentar de Inquérito encerrou os trabalhos na semana passada sem acrescentar nenhuma informação diferente da que foi levantada em  relatório  da CPI  de 2005.

O vereador chegou a declarar que era contra a instalação da CPI e que a comissão não iria apontar nada de novo.

Os requerimentos convocando os ex-prefeitos Alfredo Nascimento (PR), Serafim Corrêa (PSB), o prefeito Amazonino Medes (PT) e o ex-governador Eduardo Braga (PMDB), foram derrubados pelos vereadores Mário Bastos (PRP), Fabrício Lima (PRTB) e Jeferson Anjos (PV), membros da comissão.

Questionado sobre as declarações do presidente da Câmara Municipal, Isaac Tayah (PSD) que informou à imprensa, na sexta-feira, que nos últimos cinco meses foram gastos com a comissão, recursos da ordem de R$ 238 mil, Leonel Feitoza disse que encaminhou ofício à presidência da CMM pedindo informações sobre quanto foi investido até agora na CPI da Água.

“Eu não recebi ainda documento nenhum. Como é que eu vou saber quanto foi gasto? Não gosto de fazer juízo de valor. Por isso, encaminhei um ofício à presidência na semana passada solicitando a prestação de contas desses R$ 238 mil que dizem que foi gasto na CPI da Água”, afirmou irritado Leonel Feitoza.

Vereadores criticam eleitores

A falta de conhecimento político e o desinteresse da população pelo papel dos vereadores, como mostrou matéria divulgada ontem no jornal A CRÍTICA, irritou o vereador Mário Frota (PSDB). Ele usou a tribuna da CMM para criticar os eleitores classificando-os de desinformados e de alienados.

“As 12 pessoas que participaram da enquete não sabem nem o que é o parlamento. Ignoram a importância da Câmara e vão votar nos pilantras e bandidos. Ainda dizem que todo mundo aqui é ladrão. Essas são as pessoas que daqui a dois meses vão eleger os vereadores dessa Casa. O que vão mandar prá cá? Pela desinformação vão votar em quem pagar alguma coisa pra eles”, disparou Mário Frota.

Já Mário Bastos (PPL) admitiu a culpa da Câmara Municipal. “A CMM tem culpa disso também. Antes tinhamos a Câmara Itinerante e estávamos nos bairros. Alguns vereadores se elegem e somem. Isso faz com que as pessoas fiquem distantes e reforça a falta de informação dos eleitores”, disse Bastos.

 Tayah é mostrado em blog como nazista

A queda de braço na Câmara Municipal de Manaus CMM) entre o vereador Mário Frota (PSDB) e o presidente da Casa, Isaac Tayah (PSD), promete aumentar nos próximos dias. O confronto é por conta da não tramitação do projeto de lei de autoria do tucano retirando os permissionários de feiras e mercados da “Lei das Privatizações”, aprovada na Casa numa articulação da maioria da base de apoio do prefeito Amazonino Mendes (PDT).

Ontem, cópia de publicação feita no blog de Mário Frota foi levada ao plenário pelo corregedor da Casa, vereador Wilton Lira (PDT). Nela, o presidente Isaac Tayah que não estava presente no plenário aparece vestido de Hitler. A publicação irritou os vereadores.

Segundo Wilton Lira, o vereador Mário Frota cometeu quebra de decoro parlamentar por ofender um colega de parlamento e por apologia ao nazismo e dever ser processado e até perder o mandato. “Amanhã (hoje) vou até o Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF), denunciar o vereador Mário Frota por racismo e apologismo ao nazismo. Também vou acionar a Comissão de Ética da Câmara Municipal. Ele vai ter que responder judicialmente pelo que falou. Também apresentei moção de repúdio e vou acionar a Comissão de Ética e pedir a cassação dele”, ameaçou Wilton Lira.

O vereador Mário Frota que não estava no plenário foi criticado por vários colegas. O vice-presidente da Casa, Marcel Alexandre (PMDB), também se manifestou. “A Mesa Diretora vai avaliar o corregedor já está vendo porque realmente essa atitude é imperdoável. É um desacato ao presidente da Casa, a instituição e a história. Isso é muito grave e vamos avaliar o Regimento Interno. A atitude do vereador desagradou os vereadores e comunidades judaicas e precisamos dar respostas a essa situação”, afirmou Marcel.

No final do expediente de ontem, o vereador Mário Frota que já havia admitido ter conhecimento de que havia sido colocado no blog a figura do presidente da CMM caracterizado de Hitler criticou o vereador Wilton Lira: “Vocês vão cassar o meu mandato? Vocês só fazem besteira e não querem assumir. Engavetaram o meu projeto. Ele (Isaac Tayah) agiu como um ditadorzinho mesmo! Você não sabe nem o que é a palavra apologia. Você é um analfabeto de terceira categoria”, afirmou Mário Frota em tom exaltado com Wilton Lira.

Mário Frota admitiu que a postagem foi feita por alguém do gabinete dele. “Ele está agindo como um pequeno Hitler nessa Casa e eu não convivo com ditador. Não tenho nenhum receio disso. Sei o que fiz pela democracia desse País. Ouvir tolices dessa natureza sinto até vontade de vomitar”, afirmou o parlamentar.

A CRÍTICA tentou ouvir o presidente da CMM, Isaac Tayah, pelo telefone 9xx2-0xx4, sobre o assunto, mas a operadora informou que o aparelho estava fora da área de serviço.